Informações, comentários e pequenas notas sobre filmes e tudo o que cerca a sétima arte, por Hudson Dalbem, mero estudante universitário e amante inveterado do cinema




Terça-feira, Fevereiro 24, 2009

Pra quem acompanhava a brincadeira aqui, casa nova: http://epilogosepigrafes.wordpress.com.

A gente se vê lá! :0)



Domingo, Novembro 16, 2008



Nova pausa necessária no blog, que volta em breve. A dica, por enquanto, fica para os fãs do bom cinema e do mestre Woody Allen: Vicky Cristina Barcelona já está em cartaz e é simplesmente imperdível - seguindo a mesma linha do autor e inovando na troca de ares (que não é apenas o espanhol). Formidável.

Para completar a dica, a Revista Bravo! do mês traz o cineasta como capa, na ocasião também do lançamento do livro de entrevista do diretor, feito nos últimos 35 anos. Belíssimo presente de Natal, hã?

postado por HUDSON às 2:45 PM

|



Quarta-feira, Setembro 17, 2008

:: em cartaz ::
MAMMA MIA!




"... não é uma grande decisão, você sabe o que fazer. La question c'est voulez-vous".


Vez ou outra aparece um exemplar cinematográfico que rompe as barreiras do fazer cinematográfico por trazer um olhar menos apurado e mais apaixonado, que parece pouco se importar com os caminhos que o fazem ser um filme. Parece, por que é óbvio que a construção de um trabalho permeia sim diversas etapas e decisões que o tornam aquilo que se vê na tela. No entanto, a sensação de encanto diante de cada fotograma exibido nos transporta e quase faz esquecer das regras de um cinema que é cada vez mais "Money, Money, Money" e menos "Honey, Honey".

Contar com a empolgação do público, porém, pode não ser o melhor das escolhas para uma obra de arte. Mas dar uma chance ao sentimento extasiante de felicidade sem barreiras certamente é trazer de volta a magia que se busca em meio aos infinitos títulos iguais e rotineiros. O musical Mamma Mia!, recém chegado às telas é um desses exemplares que aposta em caminhos mais subjetivos e acerta. Saído dos palcos londrinos e da Broadway, o filme retoma as canções do ABBA para compor sua história. São quase duas dezenas de títulos da banda sueca que, enfileiradas uma a uma, dão corpo ao roteiro que torna as belezas do litoral grego palco dos números musicais.

A ação na ilha está longe de ser um apuro: a jovem Sophie (Amanda Seyfried) está de casamento marcado e, na ânsia de conhecer o pai que a mãe (Meryl Streep) lhe escondeu toda a vida, convida três homens (Pierce Brosnan, Stellan Skarsgard e Colin Firth) para o evento acreditando que um deles é o que a conduzirá até ao altar. A partir de então, a história se desenrola apoiada no esquema dos musicais tradicionais, onde a música substitui o diálogo. Os atores dançam e soltam a voz nos maiores clássicos da banda que dão o suporte à construção do roteiro, que não tem um grande esquema, mas até tenta introduzir algo além do básico – é interessante perceber, por exemplo, a tentativa de se estabelecer trios de personagens para a condução da trama: a noiva e suas amigas, a mãe da noiva e as amigas, os três possíveis pais e, mais brevemente, o noivo e seus amigos. E é esse fascinante espírito do musical puro e cru que empolga. Música e ação se encaixam bem (quando isso não é possível, como no classicão “Waterloo”, a cena vai parar lá nos créditos finais, quase como paródia do próprio filme - mais um ponto a favor), apoiadas em um elenco que se não ganha em excelência graças ao elenco masculino, sobra em vontade e vivacidade. Afinal, para cada Pierce Brosnan (é quase impossível aceitar que ele cante), existe a jovialidade da estreante Amanda Seyfried e a experiência das sempre competentes Julie Walters, Christine Baranski e, é claro, Meryl Streep. Não é preciso de muito pra dizer que é ela, mais uma vez, que atrai para si as atenções. Das cenas dramáticas às de comédia pastelão, cantando ou dialogando, mais uma vez a atriz domina a cena, com um vozeirão esplendoroso até então pouco conhecido no cinema.

A diretora estreante Phylllida Lloyd, importada dos palcos onde dirigiu a versão teatral, não faz mais que o bê-a-bá - que ora ou outra ainda consegue deslizar; a montagem é pífia; a trilha sonora é brega e (mais uma vez) Pierce Brosnan canta. Mas, quem se importa? Retomando o ABBA da frase ali de cima, a questão é o que você quer e o quanto está disposto a pagar pelo filme. Se a resposta é aquela diversão de primeira há muito não vista, é só embarcar. O filme passa como uma avalanche, você vai querer cantar e dançar e se sobrar tempo, vai se arrepiar e chorar e ajudar Mamma Mia! a decretar: "the winner takes it all".




ficha técnica
Mamma Mia!
produção americana de 2008
dirigida por Phyllida Llloyd
com Meryl Streep, Pierce Brosnan, Colin Firth, Stellan Skarsgard, Amanda Seyfried, Christine Baranski, Julie Walters
108' de duração

postado por HUDSON às 11:40 PM

|



Domingo, Setembro 07, 2008

FESTIVAL DE VENEZA 2008
:: vencedores ::


Mais vale um Leão de Ouro na mão que um Oscar voando


Após 10 dias de exibições na cidade italiana, o Júri se reuniu na noite de ontem, último dia de Festival, para anunciar os vencedores dessa edição. Sem grandes favoritos entre os 21 filmes exibidos em competição oficial, o Leão de Ouro ficou com o americano The Wrestler, dirigido por Darren Aronofsky, que contam com Mickey Rourke no papel de protagonista. O filime mostra o caso de um combatente de luta livre, vivido por Rourke, que foi boxeador profissional entre os anos de 91 e 95. A história se desenvolve com a clássica queda de um herói, que se nega a aceitar que chegou a hora de se aposentar, que está velho e vencido pela vida. Foi o último filme a se apresentar diante do júri e imprensa, e foi agraciado pelo cineasta Win Wenders, que presidia a comissão. .

Reflexos para as premiações de fim-de-ano? Dificilmente. Rourke é quem surge com as maiores especulações por enquanto. Lembrando que Veneza costuma apontar alguns dos favoritos ao Oscar, como Brokeback Mountain e Desejo e Reparação, no último ano.

postado por HUDSON às 2:43 PM

|



Sábado, Agosto 30, 2008



A 65ª edição do Festival de Veneza começou na última quarta-feira, 27, e prossegue até o dia 06 de setembro, quando serão anunciados os vencedores que este ano estão sob o olhar do cineasta alemão Win Wenders, presidente do Júri. Por lá passarão filmes dos cinco continentes, que contará com a exibição fora de concurso de Encarnação do Demônio, retorno de José Mojica Marins, o Zé do Caixão, à direção. Entre os filmes oficiais, os destaques ficam por conta da comédia de humor negro dos irmãos Coen, vencedores do último Oscar, Burning After Reading, com George Clooney, Brad Pitt e Tilda Swinton, além da estréia do roteirista mexicano Guillermo Arriaga na direção (The Burning Plan), e das produções americanas Rachel Getting Married, de Jonathan Demme, e The Wrestler, de Darren Aronofsky. Da Europa surgem Pupi Avati e outros três italianos, em alta depois da excelente safra exibida em Cannes, em maio. O sempre-esperado Hayao Miyazaki é outro que dá as caras na cidade para exibir sua nova animação, bem como seu colega asiático Takeshi Kitano.

A cobertura do Festival pode ser conferida diariamente no Spoiler. Boa leitura!

postado por HUDSON às 9:45 PM

|



Sexta-feira, Agosto 29, 2008

Dizem por que Hitler queria ser arquiteto. Ah, tá.

postado por HUDSON às 10:20 PM

|



Sábado, Agosto 23, 2008

:: em cartaz ::
O SEGREDO DO GRÃO




A cena inicial de O Segredo do Grão é fundamental para compreender o filme em sua essência: nela, o protagonista Slimane Beiji tem sua atenção chamada pelo seu superior em seu trabalho por não cumprir o horário estipulado em sua jornada. Mas ao contrário do que se possa imaginar, Slimane está sempre fazendo horas a mais em sua função num velho estaleiro, pelo simples prazer de se ocupar, sentir-se útil. A negação daquilo que é, talvez, a principal motivação cotidiana, é marcada pelo passar do tempo: já com a idade avançada, Slimane não é mais tão produtivo quanto os funcionários mais novos da empresa na qual trabalha há 30 anos e as tarefas demoram a ser finalizadas e, assim, ou aceita a condição imposta ou será afastado de vez.

Slimane é um imigrante árabe que vive na França e está fora de seu habitat. Sua tradicional família se reúne ao redor da mesa de almoço para saborear o cuscuz marroquino - feito do grão que dá nome ao filme - enquanto ele se espreme sozinho num quarto apertado em um pequeno hotel que vive desde que se separou de sua esposa. Os filhos se esforçam para manter as relações entre eles, mas não para trazer o patriarca para junto daquele momento que é a celebração da cultura de seu país; pelo contrário, tentam levar o pai para sua pequena cidade natal, na esperança de que ele retome sua vida originária, ainda que isso signifique o isolamento por completo. Negado o fundamental, Slimane tenta resolver a distância familiar com uma conturbada relação com a dona do prédio em que mora, na qual é o amante de poucas horas, mas nem mesmo a sua função de macho consegue cumprir - o corpo também lhe nega suas necessidades.

Quando surge a oportunidade de dar a volta por cima, naquele que pode ser o último lampejo de manter as raízes, com a criação de um restaurante tipicamente marroquino em um barco antigo abandonado no cais, é a prefeitura e órgãos públicos e privados que lhe negam a verba necessária para tocar seu projeto – nem mesmo o local para funcionamento lhe é garantido. Com esforço, consegue executar a reforma com dinheiro do próprio bolso e promover uma noite de festa para mostrar aos executivos que tudo que ali fosse investido geraria retorno. Mas num incidente aparentemente sem grandes repercussões – também iniciado na esteira da primeira cena – perde o elemento primordial de sua noite de inauguração, o grão, que culmina com a descoberta dos escusos problemas de sua família – que o protagonista, por sua ausência, desconhece – justamente quando ela se encontra reunida organizando sua festa. Por fim, perde sua motocicleta, que até esse momento parecia ser a única coisa que realmente lhe acompanhava, numa clara metáfora do caminho perdido. O ladrão? Um bando de crianças com a qual não consegue lutar para reaver seu patrimônio – novamente a impotência diante dos fatos.

O final, cru e denso, carrega todos os eventos como metáforas para a perda da identidade e cultura, iniciadas desde o primeiro minuto dos 150 totais de duração do filme. O diretor Abdel Kechiche, em seu terceiro trabalho, consegue com sabedoria tocar o rolo compressor sobre a vida do protagonista, optando pela câmera na mão e pelos closes que fotografam seu belíssimo elenco - quase todos amadores -, que reforçam com suas atuações os laços que sustentam a história. O Segredo do Grão se insere num contexto que parece surgir cada vez mais forte nos filmes franceses, que explora sem medo a dor dos apatriados na França, na qual também se insere o magistral Cachê, de Michael Haneke, de três anos atrás. Ambos feitos pra serem aplaudidos de pé.




ficha técnica
La Graine et le Mulet
produção francesa de 2007
dirigida por Abdel Kechiche
com Habib Boufares, Hafsia Herzi, Farida Benkhetache
151' de duração

postado por HUDSON às 11:46 PM

|



Sexta-feira, Agosto 22, 2008

Nada tão cinematográfico quanto os Jogos Olímpicos.



Em breve o Epílogo estará de volta.

postado por HUDSON às 12:01 AM

|



Domingo, Junho 15, 2008

:: em cartaz ::
FIM DOS TEMPOS




M. Night Shyamalan bem que tentou contornar a situação, mas é inegável o tremendo fracasso de seu mais novo filme, Fim dos Tempos. Das poucas vezes que tentou conversar com a imprensa - a mesma que já o detonou há dois anos com A Dama na Água - os argumentos sobre seu novo trabalho permeavam o campo dos filmes B, caracterizados por baixo orçamento e, principalmente, por uma temática que beira o tosco, sem vergonha de se assumir.

No entanto, é impossível engolir as justificativas perante o embaraço que é o filme. Depois de um prólogo excelente, numa Nova York atual que aos poucos é tomada por uma série de suicídios em massa causados por uma espécie de toxina expelida pela própria natureza - como se fosse uma defesa natural contra os sucessivos problemas nela causados pelo homem - a história embarca numa fuga paranóica do protagonista (Mark Wahlberg) na tentativa de encontrar um local ainda não afetado pelo vírus assassino. O que se vê a partir de então é um histórica descabida e sem propósito, imersa em situações banais que parecem inseridos somente para prolongar um pouco mais o mal-estar que nós, expectadores, deveríamos sentir com o 'puxão de orelha' que encaramos diante dos olhos, ali dentro da sala escura.

O apelo que o diretor faz para a importância das discussões climáticas acerca dos problemas que o planeta enfrenta acaba se tornando vergonhoso. A tentativa de contemporizar a história, que ele fez com extrema destreza em A Vila, onde o objetivo final não é criar mais um filme de monstros, é um tiro nos pés em Fim dos Tempos. O didatismo com que os diálogos são encenados pelos péssimos atores em cena, bem como a direção frouxa e sem sentido, só pioram a sensação com relação ao filme. Mas uma coisa é louvável: as composições de James Newton Howard para os filmes de Shyamalan são sempre tão sublimes que conseguem criar a atmosfera nervosa que as histórias pedem - mesmo quando nada, nada mesmo funciona.

Ao se analisar de perto algumas passagens específicas do longa, é impossível conseguir enxergar uma unidade ou sentido, até o mais ligeiro que seja, aos acontecimentos que envolvem a história. Não há roteiro, não há motivo, não há absolutamente nada que explique as decisões absurdas desse trabalho infundável. Como os personagens intoxicados fazem no filme, a única certeza que se tem ao acender das luzes é que o cineasta começa a andar para trás. Para desespero dos fãs.




ficha técnica
The Happening
produção americana de 2008
dirigida por M. Night Shyamalan
com Mark Wahlberg, Zooey Deschanel, John Leguizamo
91' de duração

postado por HUDSON às 3:00 PM

|



Quinta-feira, Junho 12, 2008

:: em cartaz ::
SEX AND THE CITY - O FILME




O legado que o seriado "Sex and the City" construiu, desde 1998, ano que começou a ser exibido na tevê americana, e que manteve mesmo após seu encerramento, em 2004, é inquestionável. Muito mais que um modismo quase que literal, a criação de Darren Star baseado na obra de Candace Bushnnel, ditou novo ritmo às já famosas séries norte-americanas, elevou o patamar de exigência de um público cativo com olhar cada vez mais crítico, transformou suas personagens em ícones e referências na discussão de assuntos tabus (ou não) do mundo feminino (ou não), além de transformar a mais famosa cidade do mundo na mais bela também. É bom provável que daqui a algum tempo, seja lembrado junto a outros ingredientes da cultura contemporânea como o desmoronar daquela antiga visão do american way of life: a família e o subúrbio dão espaço a Manhattan e sua explosão do consumo globalizado, no mundo onde Cosmopolitan, Manolo Blahnik e Louis Vuitton deixam de ser qualquer palavra de difícil entendimento para figurar no dicionário de qualquer um, compradas através de uma tela de computador ou da própria televisão.

A transição para o cinema, há muito esperada pelos fãs, confirma tudo o que se pensava e vai além: quando as quatro amigas nova-iorquinas se reúnem novamente e caem na boca do expectador comum, não é só "Sex and the City" e seus desdobramos que ressurgem, mas o cinema, como arte e com sua capacidade de popularizar o populável, antes impenetrável, que dão a dimensão exata de suas capacidades; o primeiro, prova que seu material é ilimitado, tamanha capacidade de diálogo com o público; e o segundo se reforça como o veículo cultural que é capaz de abraçar o mundo sem perder sua maestria.

A discussão se mostra infindável, mas não é este o objetivo dessas linhas. Sex and the City - O Filme, alvo de especulação desde o final da série, faz muito bem o que dele se espera. O retorno ao universo de Carrie, Samantha, Miranda e Charlotte acontece do jeito mais simples que se poderia imaginar, afinal, quando foram abandonadas há quatro anos, o que todo mundo sempre quis saber é por onde elas caminhariam dali para frente. A história, então, se concentra exatamente neste período e é um deleite, para fãs ou desconhecidos. Mantém-se basicamente a estrutura narrativa do seriado, que sempre foi um de seus pontos mais fortes, ao trazer as desavenças da jornalista Carrie Bradshaw para o centro da história e mostrar a mesma temática sob diferentes pontos de vista na vida de suas três amigas. Os diálogos bem escritos, que pulam do cômico ao dramático num piscar de olhos sem perder a compostura, e as situações verossímeis são os pontos altos da trama, que traz de volta todo o elenco original, capitaneada por Michael Patrick King, o maior colaborador de Darren e Candace ao longo dos anos.

A sensação que permanece é mesmo a de revisitar um cenário esquecido, numa espécie de 95º episódio que jamais foi ao ar – dessa vez, com acréscimo de 100 minutos na duração, que dão ao “capítulo especial” as concessões que o cinema pede e permite e que a maturidade de todos os envolvidos garante, corroborando o tal legado mantido há dez anos, reafirmando a instituição que "Sex and the City" se tornou. Por que, como diria a fantástica protagonista, "Well, that's fabulous!".




ficha técnica
Sex and the City
produção americana de 2008
dirigida por Michael Patrick King
com Sarah Jessica Parker, Kim Cattral, Kristin Davis, Cynthia Nixon, Jennifer Hudson, Cris Noth
148' de duração

postado por HUDSON às 11:12 PM

|



Sexta-feira, Junho 06, 2008

FESTIVAL DE CANNES 2008
:: vencedores ::


Mais vale uma Palma de Ouro na mão que um Oscar voando


Numa edição com muitos representates latinos e com os americanos em baixo, não deu outra: o cinema europeu sagrou-se o grande vencedor desta edição do Festival de Cinema de Cannes, com os prêmios de melhor filme indo para o francês Entre les murs, de Laurent Cantet; o do Júri para o italiano Il Divo, de Paolo Sorrentino; e o Grand Prix para o também italiano Gomorra, de Matteo Garrone.

Reflexos para as premiações de fim-de-ano? Clint Eastwood arrancou muitos aplausos com The Changeling; Blindness, mesmo com as críticas irregulares, não deve ser radicalmente esquecido (bem como o elenco e a equipe); quem sobra mesmo é Benício Del Toro, que após a epopéia de Che (que no festival foi exibido como um único filme de 4h e meia de duração, que será dividido em duas partes nos cinemas norte-americanos), se torna favoritíssimo a uma indicação ao Oscar do próximo ano.

postado por HUDSON às 6:35 PM

|



Domingo, Abril 27, 2008

SÉRIE EPÍLOGOS

"Naquele dia, mais tarde, comecei a pensar nos relacionamentos. Existem aqueles que nos levam a um lugar novo e exótico. Aqueles que nos levam a coisas antigas e familiares. Aqueles nos trazem muitas questões, aqueles que nos levam a lugares inesperados, aqueles que nos levam para longe do nosso começo e aqueles que nos trazem de volta. Mas o relacionamento mais empolgante, desafiador e significativo é aquele que temos com nós mesmos. E se encontrarmos alguém que ame o "eu" que nós amamos... bem, isso é simplesmente maravilhoso!"

Sex and the City (Sex and the City, EUA, 1998-2004)



Quarta-feira, Abril 16, 2008

:: em cartaz ::
THE ROLLING STONES - SHINE A LIGHT




Durante a sessão de The Rolling Stones - Shine a Light, minha companhia de poltrona, depois de quase metade de filme exibido, fez um comentário sobre sua vontade de ficar em pé durante a exibição, numa tentativa de experimentar ainda mais a vibrante sensação de se deparar com um show da famosa banda em tela grande e sala escura. Mas o que certamente seria lembrado como um mero comentário que representasse algo além de uma vontade esfuziante bastante pessoal, caiu como uma luva para aquilo que o diretor Martin Scorsese filmou e mostrou durante as duas horas de duração de seu documentário.

A proposta de Scorsese para sua obra é tão simples, quase que banal diante da representatividade do cinema como arte, que, ao optar por exibir um show especialmente gravado para o filme, praticamente na íntegra, é forte o questionamento sobre o que é cinema e, principalmente, quais são os métodos para se entregar o produto final, nesse caso um filme de documentário. Num primeiro momento o diretor ensaia um trabalho onde o criador é tão forte quanto a criatura, ou seja, Martin Scorsese é figura marcante nos primeiros vinte minutos que chega a rivalizar com qualquer um dos membros da banda inglesa. No entanto, o que se vê depois, é o que, numa definição mais esdrúxula possível, poderíamos chamar de gravação de luxo do show, uma vez que tão poucas intervenções são feitas durante as mais de vinte músicas interpretadas - média muito próxima dos que os convencionais "dvds de shows" estão costumados a conter quando produzidos para o mercado fonográfico.

Essa não é, no entanto, uma tentativa de se diminuir o trabalho dos envolvidos na produção: as múltiplas câmeras instaladas no Beacon Theatre, onde aconteceram as gravações e o nome de um certo Robert Richardson na fotografia do filme entregam que a ótica cinematográfica não faltou ao pseudo-show-documentário. Mas não deixa de ser inquestionável essa prerrogativa acima descrita: afinal, o que classifica uma obra audiovisual como cinema? A catarse musical imposta pela estética definida pelo diretor vai ao encontro daquilo que Mick Jagger, Keith Richards, Charlie Watts e Ron Wood fazem no palco, e isso não seria um argumento frouxo para justificar a obra. Até por que, depois de um plano-seqüência final irretocável e fabuloso, fica praticamente impossível negar a habilidade de quem está por trás das câmeras.

Quem disse mesmo que documentários musicais também não foram feitos pra se pensar?




ficha técnica
Shine a Light
produção americana de 2008
dirigida por Martin Scorsese
com Mick Jagger, Keith Richards, Charlie Watts, Ronnie Wood, Martin Scorsese, Bill Clinton
122' de duração

postado por HUDSON às 10:25 AM

|



Sábado, Março 29, 2008

:: em cartaz ::
NÃO ESTOU LÁ




Não Estou Lá foi vendido - talvez não por seus produtores, mas pela própria mídia - como uma cinebiografia. E, bem, a "colagem" proposta pelo diretor Todd Haynes não pode ser dissociada da imagem de sua figura inspiradora, mas não fosse o contorno do rosto imerso na escuridão, já perto do fim, o músico Bob Dylan, objeto da obra, não teria uma contribuição visual direta - nem Robert Allen Zimmerman nem seu famoso codinome são sequer citados no roteiro. No filme, a personificação do cantor assume as posturas de seis vértices, que juntos, assumem a amálgama de Dylan.

Do menino negro Marcus Carl Franklin se extrai a infância no meio-oeste americano regado à influência de Woody Guthrie. Com Ben Whishaw, torna-se a figura de um jovem apaixonado questionado por seus valores, enquanto segue a estrada para se tornar o pop star vivido no segmento de Heath Ledger - que ganha a companhia da excelente Charlotte Gainsbourg como sua esposa. Christian Bale dá seus ares como o artista consolidado que, em uma fase mais intimista, recebe contornos religiosos, para com Richard Gere voltar a cidade natal numa espécie de exílio natural da idade mais avançada. Mas, de forma muito inusitada, é com a atriz Cate Blanchett, intérprete de Jude Quinn, que Dylan ganha o sopro de genialidade que o filme ensaia desde sua primeira cena. A princípio, fica fácil se questionar quanto à posição desse segmento como o mais forte: é com Cate que Todd Haynes constrói o Dylan mais emblemático, o personagem icônico que nunca se importou com a opinião pública, que compôs como um louco aqueles que se tornaram alguns dos maiores clássicos da música. Mas não é apenas no visual e sim na essência que se encontra a figura do beberrão, rebelde e questionador, que personificou seu rosto nos quatro cantos do mundo.

Basicamente o recado de Haynes foi dado: quem nunca - ou sempre - achou que poderia ser ou é algo muito além que uma pessoa só? 'I'm Not There', o título que veio da música, reflete o caminho assumido pelo filme. Mas é bastante óbvio que as referências pulam na tela a cada nova cena e que Não Estou Lá é muito mais do que aquilo que se consegue ver numa primeira olhada. Ao fim, a bomba estoura sobre a cabeça: dificilmente alguém sairá alheio à obra, a Dylan e às suas canções. E mais difícil ainda vai ser encontrar argumentos para se posicionar contra. Fica até mais fácil entender os versos de 'Mr. Jones' cantados há quase vinte anos: 'I wanna be Bob Dylan'.




ficha técnica
I'm Not There
produção americana de 2007
dirigida por Todd Haynes
com Cate Blanchett, Ben Whishaw, Christian Bale, Richard Gere, Marcus Carl Franklin, Heath Ledger
135' de duração

postado por HUDSON às 3:37 PM

|



Terça-feira, Março 11, 2008

NOTAS DE RODAPÉ 11


- 4 Meses, 3 Semanas, 2 Dias (4 luni, 3 saptamâni si 2 zile, 2007, de Christian Mungiu)

Em tempos de discussão sobre a legalização do aborto, é bastante pertinente o forte olhar do diretor romeno Christian Mungiu sobre a prática clandestina na Romênia do final da década de 80. É óbvio que tempo e espaço não se aplicam aos dias atuais, mas o fato é que com bastante sensibilidade o diretor consegue fugir do lugar comum ao colocar nas mãos da protagonista Otília, amiga da mulher que pratica o ato ilegal, os caminhos da história de Gabriela e de seu feto. O termo, por mais grotesco que possa parecer, vem a calhar com o que Mungiu mostra ao longo de seu filme: da decisão inquestionável, dos planos quase frustrados exibidos com um misto de temor e frieza, que culmina com aquilo se espera - ou não. Tudo muito gradualmente, mexendo como poucos com a cabeça do expectador.


- Antes de Partir (The Bucket List, 2007, de Rob Reiner)

Houve uma época em que Rob Reiner era ao menos um nome forte atrás de um filme. Mas o tempo passou e cada vez mais o diretor se esconde atrás de suas produções, cada vez mais fracas e desinteressantes. Nem mesmo boas idéias, como o caso de seu filme anterior, Dizem Por Aí, tiveram resultado dentro do mínimo esperado, fato que se repete com esse Antes de Partir. Não fosse a força dos nomes de Jack Nicholson e Morgan Freeman, certamente o filme passaria batido e ninguém notaria que Reiner esteve atrás das câmeras. A dupla de atores ergue a pífia história sobre dois moribundos que se encontram num quarto de hospital e mudam seus valores a partir de então. Se as lágrimas surgem ao final, não tenha dúvida: é uma ou outra cena que faz valer a pena.


- Maldita Sorte (Good Luck Chuck, 2007, de Mark Relfrich)

Um cara bonitão (que tem um melhor amigo feioso) gosta de curtir a vida a sério, quer se apaixonar e ter uma família - em contraponto ao amigo que não pega ninguém, mas quer ser o pegador. Ele tem uma maldição: a mulher de uma noite se transforma na esposa do próximo que fica com ela. Quando ele conhece a dos seus sonhos (Jéssica Alba, quem mais poderia ser?) vem o dilema: ficar com ela e correr o risco do próximo ser o dono do coração da amada ou fugir da relação? Pingüins e uma seqüência de sexo, sexo e mais sexo complementam o tom da comédia. Pastelão de primeira, pra ver quando você já se cansou daquela lista extensa de filmes cults que você curtiu no mês passado. É ruim demais, mas não ofende, né?

postado por HUDSON às 10:36 PM

|





Visualizado somente com Internet Explorer


ESTRÉIAS 2008
12/09
Mamma Mia!
Ensaio Sobre a Cegueira
Perigo em Bangcok
Iluminados
Paranóia Americana
Quatro Minutos


05/09
Canções de Amor
Linha de Passe
Helboy II
O Aborto dos Outros
Caçadores de Dragões
Lady Janes


29/08
Os Desafinados
Trovão Tropical
U2 3D
O Nevoeiro
O Reino Proibido
Pelos Meus Olhos
Shortbus
O Retorno
La León
Ainda Orangotangos


22/08
O Procurado
Reflexos da Inocência
Um Crime Americano
Violência em Família


15/08
Zohan, o Agente Bom de Corte
Star Wars - The Clone Wars
Nossa Vida Não Cabe num Opala
Olho de Boi
Show de Bola
Quebrando Regras


08/08
Encarnação do Demônio
O Grande Dave
A Caçada
Asterix nos Jogos Olímpicos
Lemon Tree
Devoção
Mais do que Você Imagina
Quem Disse que é Fácil?


01/08
A Múmia - Tumba do Imperador Dragão
Meu Irmão é Filho Único
Como Festejei o Fim do Mundo
O Verdadeiro Amor


25/07
Arquivo X - Eu Quero Acreditar
Era uma Vez
Ao Entardecer
Space Chimps - Micos no Espaço
Ensinando a Viver
A Questão Humana


18/07
Batman - O Cavaleiro das Trevas
A Ilha da Imaginação
Nome Próprio
Maus Hábitos
Luz Silenciosa
Uma Garota Dividida em Dois
As Aventuras de Moliére


11/07
O Segredo do Grão
Viagem ao Centro da Terra
Pequenas Histórias
Agente 117
O Advogado do Terror


04/07
Kung Fu Panda
Hancock
O Escafandro e a Borboleta
Do Outro Lado


27/06
Wall-E
Jogo de Amor em Las Vegas
A Força da Amizade
Amar... Não Tem Preço
Lady Jane
Onde Andará Dulce Veiga?
A Última Amante
Dot.com


20/06
Agente 86
Cinturão Vermelho
O Guerreiro Didi e a Ninja Lili
A Banda
Personal Che
Romulus, Meu Pai


13/06
Fim dos Tempos
O Incrível Hulk
A Outra
Lírios D'Água
1958


06/06
Sex and the City
Antes que o Diabo Saiba Que Você Está Morto
Joy Division


30/05
As Crônicas de Nárnia - Príncipe Caspian
Um Amor Para Toda Vida
Corpo
A Quase Verdade


16/05
O Melhor Amigo da Noiva
Efeito Dominó
Longe Dela
Film Noir
O Tempo e o Lugar
Bodas de Papel


09/05
Speed Racer
O Banquete do Amor
5 Frações de uma Quase História
O Último Bandeneon


30/04
O Sonho de Cassandra
Homem de Ferro
Maratona do Amor
Zona do Crime
Desonra
Condor


25/04
Pecados Inocentes
Hanna Montana e Myley Cyrus - Show: O Melhor de Dois Mundos
Encurrlados
Três Vezes Amor
Otávio e as Letras
O Romance do Vaqueiro Voador


18/04
Os Reis da Rua
Quebrando a Banca
Falsa Loura
Serras da Desordem


11/04
Um Beijo Roubado
Um Plano Brilhante
Um Sonho Dentro de um Sonho
Estômago
Imagens do Além
Fôlego
Treinando o Papai
Meu Nome é Taylor, Dillbit Taylor
A Vida Começa aos 40


04/04
The Rolling Stones - Shine a Light
Loucas por Amor, Viciadas em Dinheiro
Awake - A Vida Por um Fio
Maré, Nossa História de Amor
O Sol
Longo Amanhecer


28/03
Jumper
Atos que Desafiam a Morte
À Procura de Vingança
Paixão Proibida
Traídos pelo Destino
Partículas Elementares
Irina Palm
Serras da Desordem


21/03
Não Estou Lá
Chega de Saudade
A Família Savage
Um Amor de Tesouro
As Crônicas de Spiderwick
Delírios


14/03
Ponto de Vista
O Olho do Mal
Horton e o Mundo dos Quem
2 Dias em Paris
Juízo
O Banheiro do Papa
Sinal


08/03
O Orfanato
10000 a.C.
Sicko - SOS Saúde
Angel
A Morte de George W. Bush
Em Pé de Guerra
Cada um com seu Cinema
Desaparecidos
Fim da Linha


29/02
Jogos do Poder
XXY
A Era da Inocência
Palaróides Urbanas
Rambo IV
Espartalhões


22/02
Juno
Na Natureza Selvagem
Senhores do Crime
Antes de Partir
Maldita Sorte
Persépolis


15/02
Elizabeth - A Era de Ouro
Sangue Negro
Os Indomáveis
Vestida Para Casar
O Som do Coração
Velocidade Sem Limites


08/02
Cloverfield - Monstro
Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet


01/02
Onde os Fracos Não Tem Vez
Sexo com Amor?
Meu Monstro de Estimação
Ao Lado da Pianista


25/01
4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias
O Gangster
Paranoid Park
A Lenda do Tesouro Perdido - Livro dos Segredos
O Signo da Cidade


18/01
O Caçador de Pipas
Eu Sou a Lenda
A Quase Verdade
Os Seis Signos da Luz
Unidos Pelo Sangue


11/01
Desejo e Reparação
O Suspeito
O Diário de uma Babá
Alien vs. Predador 2
Garoto Cósmico
Mulheres Sexo Verdades Mentiras
A Espiã
Allegro


04/01
Meu Nome Não é Johnny
Coisas Que Perdemos Pelo Caminho
Alvin e os Esquilos
PS. Eu Te Amo
P2 - Sem Saída


FILMES COMENTADOS


Antes do Pôr-do-Sol
À Procura da Felicidade
Babel
Boa Noite, e Boa Sorte.
Borat
Bubble
Caiu do Céu
Cazuza
O Céu de Suely
O Código Da Vinci
A Conquista da Honra
Crash - No Limite
Dália Negra
A Dama na Água
O Diabo Veste Prada
Diários de Motocicleta
Dreamgirls - Em Busca de um Sonho
Efeito Borboleta
Encontros e Desencontros
Espíritos
Guerra dos Mundos
Hollywoodland
Os Infiltrados
A Intérprete
It - Uma Obra Prima do Medo
O Jardineiro Fiel
Johnny e June
Longe do Paraíso
O Maior Amor do Mundo
Manderlay
Manhattan
Mar Adentro
Maria Antonieta
Match Point
Melinda e Melinda
Motoqueiro Fantasma
Notas Sobre um Escândalo
O Outro Lado da Rua
Ó Paí, Ó
Pecados Íntimos
A Rainha
Se eu Fosse Você
O Segredo de Brokeback Mountain
Sin City
Team America: Detonando o Mundo
Tudo Acontece em Elizabethtown
Tudo em Família
Turistas
A Última Noite
Volver
Vôo United 93


TEXTOS ESPECIAIS


Os Melhores Filmes Que Perderam o Oscar
Então é Natal
A Magia do Cinema
O Romance Proibido