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Informações, comentários e pequenas notas sobre filmes e tudo o que cerca a sétima arte, por Hudson Dalbem, mero estudante universitário e amante inveterado do cinema TOP 10 - 2007 TOP 10 - 2006 TOP 10 - 2005 TOP 10 - 2004 SITES E BLOGS HISTÓRICO
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Domingo, Fevereiro 27, 2005
MENINA DE OURO Million Dollar Baby, 2004, Clint Eastwood Nada explicaria a inclusão do novo trabalho de Clint Eastwood em qualquer lista de melhores do ano não fosse três coisas: sua direção, Hilary Swank e a meia hora final. Como no ano passado, o ator-diretor entrega um filme mediano, que dessa vez se apóia nas três vertentes acima, e que por isso chama a atenção. Como diretor, Clint Eastwood chega ao auge: põe sua câmera em locais inimagináveis, com enquadramentos dignos de mestre; e faz de Hilary Swank uma atriz de primeira linha, caminho perdido após sua vitória no Oscar 2000 com Meninos Não Choram. Como a boxeadora Maggie Fitzgerald, Hilary é impecável e dificilmente vai ver a estatueta parar nas mãos de outra pessoa. No entanto, o que difere o filme dos demais trabalhos sobre boxeadores é apenas sua meia hora final: o drama da lutadora que está entre a vida e a morte e toda a polêmica sobre eutanásia - que rende uma belíssima cena protagonizada por Clint. Não fosse isso, Menina de Ouro seria mais um lenga-lenga sobre alguém determinado, que quer vencer na vida, e conta com o apoio de outro alguém que a princípio não quer ajudar, mas que tem um grande problema pessoal e acaba cedendo, e ambos alcançam o sucesso... ou seja, essa história todo mundo já viu. Outros destaques ficam por conta da incrível narração de Morgam Freeman, da belíssima fotografia de Tom Stern e da ausente porém excelente trilha sonora composta pelo próprio diretor. | Jude Law versão 2004/2005: - - - - - Desventuras em Série - I Heart Huckabees O AVIADOR The Aviator, 2004, Martin Scorsese Esqueça isso aí em cima. O Aviador não é Jude Law. Aliás, o ator aparece em uma ponta ínfima, que poderia ser feito até pelo dublê de Leonardo Di Caprio. O Aviador é Martin Scorsese até o último fio de cabelo, o maestro por trás da maior superprodução do ano que gastou cada milhão de dólares da melhor forma possível. Com uma recriação de época impecável, que justifica os prêmios para Danta Ferretti (Direção de Arte), Robert Richardson (Fotografia), Sandy Powell (Figurino) e Thelma Schoonmaker (Edição - habitual colaboradora de Scorsese), o filme é um épico de primeira linha, que faz Alexander e Tróia comer poeira. Scorsese ainda lidera com mão firme um elenco competente, que ganha reforço com as ótimas presenças de John C. Reilly, Alan Alda e Alec Baldwin. Há ainda uma fantástica Cate Blanchett, que apesar de fora de rumo na primeira cena como a diva Katherine Hepburn, recria com sucesso os trejeitos e voz da primeira-dama do cinema; e Kate Beckinsale, que como "a mais bela atriz do cinema" Ava Gardner, prova que sabe muito mais do que já mostrou até hoje. Mas o que mais chama a atenção é mesmo o protagonista, Di Caprio, que dá show como o milionário excêntrico/maluco que fez fama no mundo dos negócios, sejam eles o cinema ou a aviação. Não é o melhor filme do ano, mas certamente é a melhor direção. E dessa vez não passará despercebido pela Academia. | SIDEWAYS - ENTRE UMAS E OUTRAS A pitada de comédia que permeia os filmes de Alexander Payne não justifica a classificação que seus filmes recebe. Este drama sobre dois homens de meia-idade que viajam para as vinícolas da Califórnia em busca de diversão e sossego, uma semana antes que um deles se casem, é um passeio sobre as agonias e escolhas do homem moderno. Com uma câmera simples e tomando as rédeas de um elenco pra lá de inspirado, Payne e Jim Taylor, os roteiristas, criam metafóras com o vinho e assim pode ser classificado seu último trabalho: doce, leve, mas que no final das contas dá uma enorme dor de cabeça. Afinal, a incerteza das atitudes e o futuro desconhecido certamente enlouquecem os "certinhos", caminho contrário seguido pelos despreocupados. Não merece tantos elogios quanto recebeu, mas ainda assim merece ser visto. Sideways, 2004, Alexander Payne | Sábado, Fevereiro 19, 2005
RAY Ray, 2004, Taylor Hackford A biografia do maior cantor blues da música americana ganhou uma respeitável versão para as telonas. Acompanhada de perto pelo próprio cantor até a sua morte, em junho de 2004, que chegou a ler uma cópia da versão do roteiro em braille, Ray pode ser comparado ao nosso Cazuza - O Tempo Não Pára: é brilhante nos números musicais, mas perde um pouco de sua virtuosidade ao retratar a vida pessoal do compositor. Assim como no filme brasileiro, o protagonista, Jamie Foxx, carrega o filme nas costas, entregando uma performance digna de qualquer prêmio, tocando piano em todas as cenas musicais, com uma prótese que lhe cobria os olhos por quase 14 horas diárias; o ator ainda é amparado por um competente elenco secundário e uma segura direção de Taylor Hackford. Certamente não é a maior produção do ano, talvez até nem esteja entre as melhores, mas tente embarcar numa sessão e não se contagiar com "Hit the Road Jack". | |
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