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Informações, comentários e pequenas notas sobre filmes e tudo o que cerca a sétima arte, por Hudson Dalbem, mero estudante universitário e amante inveterado do cinema TOP 10 - 2007 TOP 10 - 2006 TOP 10 - 2005 TOP 10 - 2004 SITES E BLOGS HISTÓRICO
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Quarta-feira, Novembro 23, 2005
NOTAS DE RODAPÉ 5 - Amor à Flor da Pele (Fa yeung nin wa, 2000, de Wong Kar Wai) Poucas vezes um diretor de cinema conseguiu fazer de seu trabalho um manifesto de paixão à Sétima Arte, tal qual ela merece. Wong Kar Wai fez. A primeira impressão que se tem do filme é de que não passa de mais um romance em que o adultério é a fuga para um homem e uma mulher que têm problemas no casamento. Mas nas mãos do diretor o longa ganha uma atmosfera inebriante que o torna um verdadeiro poema filmado, cujas imagens, de tão belas que surgem na tela, custam a sair da cabeça. - Os Irmãos Grimm (The Brothers Grimm, 2005, de Terry Gilliam) Antes de embarcar numa sessão de Os Irmãos Grimm, é importante saber que o filme é uma comédia que abusa da metalinguagem desde sua concepção até pequenas cenas do seu decorrer. Inspirado nos contos dos alemães Jacob e Wilhelm Grimm, o filme conta a história dos irmãos Jake e Will, dois farsantes que viajam de povoado a povoado prometendo acabar com os mais diferentes tipos de criaturas mágicas que habitam no local, até que se deparam com uma bruxa de verdade. Apesar de alguns bons momentos, o filme nunca se torna interessante o suficiente, mesmo com o visual caprichado que o diretor impõe. - Coisas Belas e Sujas (Dirty Pretty Things, 2003, de Stephen Frears) Até que ponto uma pessoa é capaz de chegar para ter uma chance de ganhar a vida longe de casa? O sonho incessante de viver em um país de primeiro mundo ganha contornos reais no roteiro de Steven Knight, que não esconde todos os tipos de humilhações a que estão sujeitas estas pessoas: em meio à fuga alucinante da polícia de imigração, ter de se submeter à prostituição, drogas, assaltos e até mesmo à venda de órgãos não parece obstáculo para se chegar ao objetivo desejado. Mas quando esquece a história e vira uma caçada, o filme abusa da inteligência do espectador numa reviravolta ridícula. Além do mais, não dá pra engolir a francesinha Audrey Tatou falando um inglês arranhado se passando por uma imigrante turca. - Sinais (Signs, 2002, de M. Night Shyamalan) Impressionante perceber que a cada nova revisão, os filmes do indiano M. Night Shyamalan ficam ainda melhores. Aqui, o diretor se utiliza da invasão alienígena no planeta Terra para contar uma história sobre fé, coincidências e acaso, sem nunca perder a mão no suspense crescente da trama. Sua trajetória já começa nos excepcionais créditos iniciais, que certamente deixariam o mestre Hitchcock orgulhoso, passa por "Guerra dos Mundos" de H.G. Wells (não só consegue utilizar e citar a trama em seu filme, como consegue desenvolve-la melhor), e termina com uma aula de cinema. Não seria exagero dizer que Sinais já é um clássico do cinema atual. | Segunda-feira, Novembro 21, 2005
O OUTRO LADO DA RUA (idem, 2004, de Marcos Bernstein) Regina é uma senhora de sessenta e poucos anos de idade que vive sozinha em um apartamento de Copacabana. Seu principal passatempo é ser informante da polícia, e dessa forma entrega os mais diversos tipos de crimes cometidos no bairro. Durante uma noite, observa com detalhes a movimentação da vizinhança, e percebe que o morador do prédio da frente, um ex-figurão da política, "apaga" sua esposa com uma dose de remédio na veia e não titubeia em acionar a delegacia e iniciar uma caçada ao homem. Quem lê uma sinopse como essa certamente pensa que está prestes a se deparar com um suspense hitchcockiano. Mas nas mãos do diretor Marcos Bernstein, a trama é mero pano de fundo para a construção de um belo drama sobre a velhice, a solidão e seus desdobramentos. Em O Outro Lado da Rua, a vida de Regina é humanamente esmiuçada pelo roteiro do diretor, e todos os seus atos e situações que a rodeiam, por menores que sejam, servem para mostrar o quanto a personagem é perturbada pela ausência de companhia - o apartamento frio e inóspito, a cachorrinha que lhe lambe as mãos quando acorda, o neto que ela só vê quando busca na escola ou o leva para tomar sorvete, o beijo que ela dá no espelho do banheiro. O envolvimento com Camargo, vivido por Raul Cortez, na tentativa de recuperar a moral perdida junta ao delegado do bairro - para ela sua função é muito mais importante que um simples serviço de informação - acaba levando Regina a reavaliar suas ações, e aos poucos a mulher dura e irônica que se escondia de todos mesmo em meio à multidão da praia mais movimentada do país passa a enxergar as possibilidades que a vida lhe oferece, ainda que a idade tenha chegado. Então, o bandido vira mocinho e Bernstein não perde a oportunidade de discorrer sobre alguns tabus da terceira idade, como a redescoberta da paixão, o beijo e o sexo, tudo com um bom apuro cinematográfico: sua câmera que inicialmente chega a incomodar dosa bem o primeiro e o segundo plano quando o casal está em cena e trilha sonora de Guilherme Bernstein Seixas ajuda a acentuar o romance. O filme, que marca a estréia de Marcos como diretor, venceu, em 2004, a Mostra Panorama do Festival de Berlim e o Festival de Mar del Plata, e deu à Fernanda Montenegro, que brilha mais uma vez como a difícil protagonista, os prêmios de melhor atriz em San Sebastían, Tribeca, Recife e no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro. | Sábado, Novembro 19, 2005
NOTAS DE RODAPÉ 4 - Plano de Vôo (Flightplan, 2005, de Robert Schwentke) Impressionante thriller que marca a volta de Jodie Foster ao papel de protagonista após a pequena participação no francês Eterno Amor. No filme, a atriz vive uma engenheira aeronáutica que perde a filha durante o vôo que leva o corpo do marido de volta aos Estados Unidos e se vê sozinha numa busca incessante pela menina. O diretor alemão explora com grande facilidade o ambiente claustrofóbico do avião e os exageros do roteiro quase nunca atrapalham o desenrolar das situações, mantendo a tensão necessária à história. - Valiant (Valiant, 2005, de Gary Chapman) Se tem uma coisa que as animações computadorizadas costumam permitir com extremo sucesso é a diversão. Já passamos por brinquedos que ganham vida, monstros que saem do armário, insetos, mamíferos e peixes que falam. Com Valiant chegou a vez dos pombos, numa história até bem pensada: em plena Segunda Guerra Mundial, os bichos assumem a importante função de correio, levando informações preciosas às diferentes frentes de batalha. No entanto, a criatividade presente nos demais não aparece por aqui, rendendo um filme preguiçoso e chato que só empolga mesmo pelo belo visual. - Diário de uma Paixão (The Notebook, 2004, de Nick Cassavetes) Romance de dar água na boca, conduzido com extrema paixão e honestidade pelo diretor Nick Cassavetes. Apesar de sua ação parecer centrada num grande flashback que mostra os embalos do jovem casal vivido por Ryan Gosling e Rachel McAdams, é no desenrolar da história adulta que o filme ganha em consistência. O roteiro adaptado por Jeremy Leven acerta ao mostrar aos poucos o caminho percorrido pela Gena Rowlands e James Garner, que brilham na tela e conseguem encantar o espectador. - O Galinho(Chicken Little, 2005, de Mark Dindal) A primeira animação totalmente computadorizada da Disney sem a Pixar merece crédito pela sua sinceridade em não negar que é um produto exclusivamente para crianças - já que nas poucas vezes em que tenta agradar os adultos é um desastre. Nela, enquanto um pequeno franguinho tenta provar para a população inteira de uma cidade que o local está sendo invadido por extraterrestres, valores familiares são incurtidos nos pequenos. Só é difícil acreditar que mesmo em meio às novas técnicas visuais o estúdio ainda arrume tempo para as cansativas músicas de sempre. | Domingo, Novembro 13, 2005
NOTAS DE RODAPÉ 3 - Nove Canções (Nine Songs, 2004, de Michael Winterbottom) "Sexo, drogas e rock 'n roll". O lema tão apregoado durante anos virou filme. Acredite, este trabalho 'experimental' de Michael Winterbottom não é nada mais do que isso. Se isso já não for o bastante. Durante uma hora e dez minutos, o diretor britânico coloca o espectador como o grande voyeur da vida de um casal que põe em prática as três coisas mais adoradas pelos fãs da música, ainda que os momentos mais belos surjam do piano de Michael Nyman. Não ofende ninguém - tudo soa propositalmente muito natural, inclusive o uso de drogas e as cenas de sexo - mas também não leva a lugar nenhum. - Wallace e Gromit: A Batalha dos Vegetais (Wallace and Gromit: The Curse of Were-Rabbit, 2005, de Nick Park e Steve Box) Peter Lord e Nick Park fizeram o caminho contrário com sua principal criação: depois de uma série de curtas-metragens deliciosos e premiados, Wallace e Gromit foram parar na telona em uma história pouco inspirada e divertida, que bebe na fonte dos clássicos Lobisomem, O Médico e o Monstro e até mesmo King Kong. No filme, Wallace e o seu cão inseparável são donos de uma empresa anti-pestes que se vêem numa enrascada quando um coelho gigante decide arruinar com as plantações e estragar a principal festa da cidade, a disputa pelo Vegetal Gigante. - A Noiva-Cadáver (The Corpse Bride, 2005, de Tim Burton) Pequena obra de arte do diretor Tim Burton, que não chega aos infortúnios do "felizes para sempre" que acomete os trabalhos de Steven Spielberg graças à extrema habilidade de terminar seu filme por onde começou, fazendo muito mais sentido e dando consistência à história do jovem Victor Van Dort, que, por engano, casa-se com um cadáver quando estava prometido à filha de um burguês. Johnny Depp e Emily Watson dublam as vozes do casal vivo, mas quem comanda o espetáculo é Helena Bonham Carter, que torna a Noiva-Cadáver de longe a personagem mais interessante da história. Difícil não se encantar pelo colorido mundo dos mortos. - A Passagem (Stay, 2005, de Marc Forster) O cineasta Marc Forster, depois dos elogiados A Última Ceia e Em Busca da Terra do Nunca, se perde nessa que era para ser uma pequena homenagem ao diretor David Lynch. Durante uma hora e meia chega-se a acreditar que o filme de verdade ficou na mesa de edição, tamanho despropósito com sua história. Até que surgem os dez minutos finais e conclui o drama do psiquiatra Ewan McGregor, que tenta a todo custo ajudar o jovem problemático vivido por Ryan Gosling, a namorada-suicida Naomi Watts, e mais um punhado de personagens até que se vê a beira de um colapso. Enfurecedor. | Domingo, Novembro 06, 2005
TUDO ACONTECE EM ELIZABETHTOWN (Elizabethtown, 2005, de Cameron Crowe) Quem assiste Tudo Acontece em Elizabethtown sem saber que se trata do novo filme de Cameron Crowe, logo o reconhece: as belíssimas imagens junto da fantástica trilha sonora é marca registrada nos trabalhos do cineasta. Como de costume, as palavras somem e a música fala pelos personagens - e também pelo público (E aqui novamente entra Elton John, que consegue criar uma certa "My Father's Gun", que chega muito perto de "Tiny Dancer", que marcou o trabalho anterior do diretor). No entanto, em seguida, todo esse gostoso sentimento que poucos filmes conseguem arrancar de sua platéia se esvai quando uma história pífia surge na tela. Nela, Orlando Bloom vive o jovem Drew Baylor, um profissional fracassado que passou anos distante da família tentando construir sua vida, e que de surpresa recebe a notícia da morte de seu pai e fica encarregado de preparar seu funeral, na pequena cidade que leva o nome do filme, onde ele visitava seus familiares. A partir de então, a jornada de Drew é esquecer seus problemas e reencontrar-se com passado de seu pai - ao mesmo tempo em que descobre o seu verdadeiro caminho. O que normalmente se transformaria num belíssimo filme acaba virando piada quando Crowe dilacera sua história com acontecimentos ridículos, piadas de mau-gosto e total descuido com seus personagens. O estranho romance entre Drew a aeromoça Claire Colburn, vivida por Kirsten Dunst, é um desses casos que quando parece ganhar crédito acaba caindo num vão, ainda que arranque alguma das melhores passagens. Nem mesmo a presença de Susan Sarandon como a matriarca da família Baylor consegue elevar a graciosidade perdida durante os longuíssimos 123 minutos - ela, por sinal, é dona de uma das piores cenas do filme, quando faz seu discurso na cerimônia de despedida do marido. Se fosse um grande videoclipe, feito de imagens e som, como o trailer promocional, Tudo Acontece em Elizabethtown certamente seria infinitamente melhor do que acabou sendo - é a linguagem universal, como diz uma das canções do filme ("It's the same in any language"). Da forma como ficou, só faz parecer que a fantástica autobiografia do diretor, Quase Famosos, foi golpe de sorte. | |
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