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Segunda-feira, Dezembro 19, 2005
MANDERLAY (idem, 2005, de Lars Von Trier) No cinema, continuações sempre serão alvo de comparação com seus antecessores. Quando se trata de filmes mais autorais, menos sujeito às regras impostas pelos estúdios, fica ainda mais difícil fugir de uma análise. Esse é o caso de Manderlay, segunda parte da trilogia USA do diretor dinamarquês Lars Von Trier, que, embora um ótimo filme, termina à sombra de Dogville. Entenda por quê: - O filme repete toda a rigidez formal de seu anterior, dessa vez de forma quase sempre desnecessária. O cenário ainda é um palco de teatro com pouquíssimos acessórios e o chão de giz continua demarcando a cidade. Mas dessa vez isso é pouco aproveitado pelo diretor, que não mais passeia pelo vazio do lugar, que dava a dimensão exata do tom da história do primeiro filme. Sua câmera está pregada no rosto dos atores, compelida a registrar as emoções dolorosas de sua trama, e balança como em Ondas do Destino. Ainda assim, o diretor se torna extremamente inteligente em três pequenos fatos: quando os escravos sofrem castigos corporais, as cercas da cidade são retiradas, como se eles estivessem sendo expostos aos vizinhos, servindo de exemplo para os demais; a casa da senhora, dona dos negros, é o ponto mais alto da cidade; por fim, o portal de Manderlay é o maior exemplar de arquitetura clássica, que remete a Roma, berço do escravismo. - Lars Von Trier exibe um bom domínio de sua história. Com a temática apoiada na escravidão, o diretor utiliza várias idéias para amarrar o roteiro, como a miséria, os maus tratos, o suicídio, as doenças e a exploração do trabalho infantil e da mulher, mas cai no lugar comum quando tenta mostrar que a aproximação de sua protagonista com os negros vai além do altruísmo: Grace, depois de muito lutar pela causa dos negros - o que inclui os poucos brancos do lugar a pintarem sua pele e os servirem - se descobre seduzida pelo vigor físico deles. O diretor ainda vai além quando propõe um final tão surpreendente quanto o de Dogville, porém menos palpável, ainda que coerente. - Por melhor que possa ser, Bryce Dallas Howard não é Nicole Kidman e Willem Dafoe não é James Caan. E isso faz muita diferença. - Dessa vez, a crítica aos Estados Unidos é mostrada de forma mais clara e objetiva, mais pontual e menos sugestiva. O filme inicia com Grace, seu pai, e a turma de gangsteres saindo do oeste americano em direção ao sul, numa seqüência onde os carros passeiam sobre o mapa do país, e termina da mesma forma, com a protagonista andando rumo a Washington. A narração de John Hurt e os títulos dados pelo diretor a cada capítulo exalam ironia, sem contar os créditos finais, novamente embalados por 'Young Americans', mas dessa vez com direito à fotos de membros da Ku Klux Klan e do presidente americano, George W. Bush. Agora é esperar pela conclusão da trilogia, Wasington, que chega aos cinemas em 2007, e ver até aonde Lars Von Trier vai levar sua crítica à Terra de Oportunidades. | Quarta-feira, Dezembro 07, 2005
SÉRIE EPÍLOGOS "Escrevi no começo que este era um diário do ódio. Eu O odiava como se o Senhor existesse. Agora estou cansado de odiar. Mas o Senhor ainda está aí. Então a Sua astúcia é infinita. O Senhor usou meu ódio para conquistar meu reconhecimento. E eu só tenho um pedido: Deus, me esqueça. Cuide dela e de Henry. Mas me deixe em paz para sempre". Fim de Caso (The End of the Affair, EUA, 1999) de Neil Jordan | |
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