Informações, comentários e pequenas notas sobre filmes e tudo o que cerca a sétima arte, por Hudson Dalbem, mero estudante universitário e amante inveterado do cinema
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Segunda-feira, Março 27, 2006
ESPÍRITOS - A MORTE ESTÁ AO SEU LADO
(Shutter, 2004, de Banjong Pisanthanakun e Parkpoom Wongpoom)
É possível analisar esse Espíritos - A Morte Está ao Seu Lado por duas óticas distintas. A primeira, num contexto maior, diz respeito à exaustiva produção do gênero suspense/terror no oriente. Esses filmes arrastaram multidões aos cinemas em seus países com suas histórias fantasmagóricas e enervantes. Entre eles há uma peculiaridade simples, fácil de perceber, e por mais diferentes que possam ser, as tramas acabam tendo seu eixo principal muito comum: o fantasma em questão sempre é uma criança ou mulher que, no passado, sofreu com o descaso da família, foi abusada, cometeu suicídio ou foi assassinada. A morte, aqui, é uma espécie de continuação da vida terrena onde é possível extravasar os sentimentos reprimidos, ultrapassando os limites das leis que regem a natureza - o que justamente torna tão fascinante os eventos sobrenaturais.
No caso dessa produção tailandesa, a utilização dessa vertente confirma essa tese do interesse público - tanto que este foi a maior bilheteria na Tailândia em 2004 - mas já deixa o filme com uma certa carência de criatividade, o que é uma pena, ainda mais se tratando de um pressuposto interessantíssimo: quem nunca viu uma daquelas fotografias onde, mais do que as pessoas que posaram para ela, uma outra cara deformada ou assustada aparece bem no meio? Estudiosos podem até afirmar que não passa de um efeito de iluminação, ou simplesmente um negativo queimado, mas poucas coisas mexem tanto com o imaginário quanto isso. E essa é justamente a outra forma de se enxergar o trabalho dos diretores Banjong Pisanthanakun e Parkpoom Wongpoom.
Mesmo trabalhando de forma limitada, uma vez que, para explicar tais fenômenos, o roteiro preferiu se ater a mais uma demonstração obsessiva por vingança - todos os filmes de terror do oriente que por aqui passaram abusaram da máxima "a vingança é um prato que se come frio" - os diretores conseguiram manter certo traço de originalidade em algumas seqüências, que dão fôlego e sustentam o restante da história. O clima de suspense é mantido em algumas cenas muito bem construídas, e algumas pistas são lançadas no decorrer do filme e montadas ao final. Mas eles estão muito mais preocupados em como atingir o espectador, e não em renovar o gênero. Assim, logicamente, o apelo visual surge para escancarar o feio e mostrar o repentino, algumas vezes de forma bastante enganadora - embarca-se na história, se sabe o que esperar, mas ao final descobre-se que não passou de um alarme falso, conduzindo a uma sensação de alívio imediato.
Está longe de ser o espetáculo visual que tanto procuram quando surge um novo exemplar no terror, mas dentre os mais diversos títulos vindos do oriente - e aqui se incluem os remakes americanos - não há a menor dificuldade em apontar este Espíritos - A Morte Está ao Seu Lado como o que proporciona maior diversão a quem quer se arriscar no gênero.
postado por HUDSON às 9:38 PM
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Domingo, Março 19, 2006
MEMÓRIA DO CINEMA
Um grupo de amigos em frente ao Cine-Teatro Glória, no Centro de Vitória, década de 40. Ao fundo, divulgação de As Portas do Inferno, filme de Robert Z. Leonard, com Robert Taylor e Charles Laughton, lançado em 1942.
Foto de Isauro Rodrigues
postado por HUDSON às 11:55 AM
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Quarta-feira, Março 15, 2006
MUNIQUE
(Munich, 2005, de Steven Spielberg)
Steven Spielberg dirige com mãos-de-ferro o drama sobre a retaliação judaica aos ataques palestinos na Olimpíada de Munique, e isso fica claro na condução de sua câmera e no roteiro de Eric Roth e Tony Kuschner. Preocupado em não tomar partido e não julgar os atos cometidos por ambas as partes, o diretor constrói algumas cenas impactantes que servem pra demonstrar duas coisas: Spielberg filma como poucos e sabe como não deixar o expectador dormir. Por que pra agüentar as duas horas e meia de pura falação entre muitos personagens, só mesmo chamando a atenção para fatos isolados. Destaque para a recriação do incidente na Vila Olímpica, que permeia os pensamentos do protagonista vivido por Eric Bana.
ORGULHO E PRECONCEITO
(Pride and Prejudice, 2005, de Joe Wright)
Essa nova adaptação do romance de Jane Austen propõe, ainda que involuntariamente, um certo questionamento: até que ponto uma história exaustivamente contada pode ganhar uma nova roupagem? O diretor Joe Wright consegue, sem buscar novos artifícios, sair da obviedade ao traçar um pequeno painel da sociedade inglesa do século XVIII através da família Bennet, principalmente ao abusar das atuações do esplendoroso elenco, que traz nomes como os de Brenda Blethyn, Donald Sutherland, Judi Dench e Keira Knightley. Esta confere à sua personagem a graciosidade e o gênio forte, marcas registradas da protagonista. Deveria, ao menos, ter ficado com as pernas da estatueta que Reese Witherspoon levou há duas semanas.
JUNEBUG
(idem, 2005, de Phil Morrison)
Obstinação, tenacidade, fuga, volta às origens, família. A trama deste drama independente passeia por tantas temáticas que se perde em meio às suas várias tentativas. Cada personagem carrega consigo um modo particular de enxergar o mundo e seus atos nunca culminam ao ponto onde se pretende chegar: eles são podados antes que sejam desenvolvidos. Dessa forma, fica difícil entender o real objetivo da história proposta pelo diretor Phil Morrison. Nem mesmo a simpática atuação de Amy Adams - indicada ao Oscar de atriz coadjuvante, que põe a protagonista Embeth Davidz no bolso - ajudam a tornar a história mais palpável.
postado por HUDSON às 10:21 PM
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Segunda-feira, Março 06, 2006
OSCAR 2006
Jack Nicholson entre os produtores Cathy Schulman e Paul Haggis
Crash. Pode até parecer onomatopéia, mas essa foi a maior surpresa do Oscar 2006. A cerimônia, que vinha batida e sem empolgação até o prêmio de direção, deu uma guinada e desbancou o favoritíssimo O Segredo de Brokeback Mountain, deixando crítica, público e a platéia inteira boquiabertos. Chegou a soar como uma grande piada do bom e velho Jack Nicholson. Mas a escolha na categoria principal compreende o filme com o tema mais forte e americano entre os cinco indicados, numa festa encarada com seriedade em seus mínimos detalhes - a começar pelo apresentador Jon Stewart, que fez o tipo cult e inteligente todo o tempo. Faltou disputa, indecisão, briga pela estatueta. À exceção do prêmio principal, a revelação era mero estalar de dedos para subir ao palco: a estatueta já tinha dono antes do anúncio dos indicados. Agora, os analistas de plantão podem começar a execrar o Oscar por seu "caráter homofóbico e covarde" e desdenha-lo até o próximo ano. Porém, como o que interessa mesmo é diversão - e isso não deu as caras no Kodak Theater na noite de 05 de março - vamos tentar antecipar alguns dos filmes que devem marcar presença na disputa de 2007. Afinal, o que vale é mesmo competir.
The Departed
Baseado em uma trilogia chinesa, o longa narra a história de um policial que se infiltra numa gangue ao mesmo tempo em que um membro do grupo criminoso consegue fazer parte da polícia.
Dirigido por Martin Scorsese
Com Leonardo DiCaprio, Jack Nicholson, Matt Damon, Vera Farmiga
Possíveis indicações: Filme, diretor, roteiro adaptado, ator (DiCaprio e Nicholson), ator coadjuvante (Matt Damon) e atriz coadjuvante (Vera Farmiga)
All the King's Men
Refilmagem do filme de 1949, vencedor do Oscar de Melhor Filme. Nele, o jovem Willie Stark, um sujeito humilde e simples, se torna um político influente que com o passar do tempo, perde todos seus valores.
Dirigido por Steven Zaillian
Com Sean Penn, Jude Law, Kate Winslet, Patrícia Clarkson, Anthony Hopkins
Possíveis indicações: Filme, diretor, roteiro adaptado, ator (Sean Penn), ator coadjuvante (Jude Law) e atriz coadjuvante (Kate Winslet e Patrícia Clarkson)
Flags of Our Father
Baseado no livro de James Bradley, a história do filme é situada no final da Segunda Guerra Mundial, quando americanos e japoneses travaram a batalha de Iwo Jima. Roteiro adaptado por Paul Haggis.
Dirigido por Clint Eastwood
Com Ryan Phillippe, Jamie Bell, Paul Walker
Possíveis indicações: Filme, diretor, roteiro adaptado
A Prairie Home Companion
O nome do filme é um tradicional programa de rádio americano feito por Garrisson Keillor, autor do roteiro, que conta com variadas atrações musicais e diversos comerciais. Nele, a história seguirá o último dia de exibição do show.
Dirigido por Robert Altman
Com Meryl Streep, Lily Tomlin, John C. Reilly, Woody Harrelson, Kevin Kline, Tommy Lee Jones, Virginia Madsen, Lindsay Lohan
Possíveis indicações: Filme, diretor, roteiro original, ator coadjuvante (John C. Reilly, Woody Harrelson, Kevin Kline) e atriz coadjuvante (Meryl Streep, Lily Tomlin)
Maria Antonieta
O filme retrata a vida da rainha francesa que foi à guilhotina em 1793, no auge da Revolução Francesa.
Dirigido por Sofia Coppola
Com Kirsten Dunst, Jason Schwartzman, Danny Huston, Judy Davis
Possíveis indicações: Filme, diretor, roteiro adaptado, atriz (Kirsten Dunst), atriz coadjuvante (Judy Davis)
Babel
O roteiro de Guillermo Arriaga une quatro histórias situadas em diferentes países, que são interligadas a partir de uma tragédia ocorrida com um casal em férias.
Dirigido por Alejandro Gonzalez Iñárritu
Com Cate Blanchett, Brad Pitt, Gael Garcia Bernal
Possíveis indicações: Filme, diretor, roteiro original, atriz (Cate Blanchett), ator (Brad Pitt), ator coadjuvante (Gael García Bernal)
The Good German
Um jornalista vai para Berlim tentar reencontrar uma mulher por quem se apaixonou durante a Segunda Guerra Mundial e acaba envolvido em um misterioso assassinato.
Dirigido por Steven Soderbergh
Com George Clooney, Cate Blanchett, Tobey Maguire
Possíveis indicações: Filme, diretor, roteiro adaptado, ator (George Clooney), atriz (Cate Blanchett), ator coadjuvante (Tobey Maguire)
I'm Not There
O filme é dividido em sete segmentos que narram histórias diferentes da vida e trabalho do músico Bob Dylan.
Dirigido por Todd Haynes
Com Cate Blanchett, Julianne Moore, Colin Farrel, Christian Bale
Possíveis indicações: Filme, diretor, roteiro original, ator coadjuvante (Colin Farrel, Christian Bale) e atriz coadjuvante (Julianne Moore, Cate Blanchett)
Breaking and Entering
O encontro entre um arquiteto e um ladrão muçulmano resulta em uma série de acontecimentos inesperados.
Dirigido por Anthony Minghella
Com Jude Law, Juliette Binoche, Vera Farmiga
Possíveis indicações: Filme, diretor, roteiro original, ator (Jude Law), atriz (Kate Winslet), atriz coadjuvante (Vera Farmiga)
Little Children
Um drama intimista que mostra os dois lados de pais frustrados, que ao mesmo tempo que cuidam para que seus filhos sejam bem educados, cometem atos ilícitos e imorais.
Dirigido por Todd Field
Com Kate Winslet, Jennifer Connelly, Patrick Wilson
Possíveis indicações: Filme, diretor, roteiro adaptado, atriz (Kate Winslet), atriz coadjuvante (Jenniffer Connelly), ator coadjuvante (Patrick Wilson)
postado por HUDSON às 9:13 PM
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Domingo, Março 05, 2006
OSCAR 2006
"Obrigado"
Discurso do diretor Alfred Hitchcock, que recebeu o prêmio honorário Irving G. Thalberg em 1968 após ter sido indicado seis vezes e nunca sair com a estatueta.
postado por HUDSON às 9:08 PM
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OSCAR 2006
"Depois disso é meio difícil fazer algo melhor"
Elizabeth Taylor entregando um prêmio na cerimônia de 1975, após um homem nu desfilar correndo pelo palco.
postado por HUDSON às 1:12 PM
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Sábado, Março 04, 2006
OSCAR 2006
"Essa é a noite para se esquecer das velhas brigas e começar as novas"
Bob Hope, sobre as disputas da festa de 1971.
postado por HUDSON às 10:03 PM
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OSCAR 2006
"Uau. Em nome de nossos produtores Kathleen Glynn e Michael Donovan, do Canadá, eu gostaria de agradecer a Academia por isso. Eu convidei meus colegas documentaristas para estarem comigo aqui no palco em solidariedade, porque nós todos gostamos de não-ficção, e nós vivemos em tempos fictícios. Nós vivemos no tempo em que temos eleições de resultados fictícios que elegem um presidente fictício. Vivemos em um tempo em que esse homem nos leva à guerra por razões fictícias, enquanto nos oferece a ficção da fita de vedação e do alerta laranja. Nós somos contra essa guerra, Sr. Bush. Que vergonha, senhor Bush, que vergonha. E quando você tem o Papa e as Dixie Chicks contra você, é sinal que seu tempo acabou. Muito obrigado."
Discurso de Michael Moore, ao receber o prêmio de melhor documentário em 2003.
postado por HUDSON às 1:45 PM
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Sexta-feira, Março 03, 2006
OSCAR 2006
"E tudo se resume a isso: após o roteiro, o elenco, a filmagem, os cortes, a votação, a torcida. Após os cartazes, a imprensa, a promoção, a dor e o pânico, amor e devoção"
Jingle interpretado por Liza Minelli, Walther Mathau, Richard Pryor e Dudley Moore na cerimônia de 1983.
postado por HUDSON às 10:30 PM
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OSCAR 2006
"Esse é um momento muito emocionante para mim e palavras parecem tão fúteis, tão débeis. Queria apenas dizer obrigado pela honra do convite. Vocês são pessoas maravilhosas, gentis"
Charlie Chaplin, em seu discurso de agradecimento pelo prêmio honorário que recebeu em 1972.
postado por HUDSON às 6:56 PM
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Quinta-feira, Março 02, 2006
OSCAR 2006
"2 horas de brilhante entretenimento num show de 4 horas"
Johnny Carson, sobre a festa, ao abrir a cerimônia de 1980.
postado por HUDSON às 9:43 PM
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