Informações, comentários e pequenas notas sobre filmes e tudo o que cerca a sétima arte, por Hudson Dalbem, mero estudante universitário e amante inveterado do cinema
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Domingo, Maio 28, 2006
- 12° DIA -
28 de Maio
Contrariando prognósticos, mas não exatamente sendo recebido com surpresa pela crítica, Ken Loach desbancou os favoritos e levou o prêmio máximo do Festival para o seu The Wind That Shakes the Barley, exibido ainda no primeiro dia de competição. Com o drama que retrata a guerra de independência da Irlanda, na década de 20, era a oitava vez que o britânico disputava a Palma de Ouro. Os franco-favoritos Volver, de Pedro Almodóvar, e Babel, de Alejandro Gonzales Iñárritu, ficaram com os prêmios de roteiro e direção, respectivamente. Surpresa mesmo só com o Grand Prix do Júri, que ficou com o francês Flandres, e com o prêmio de atuação masculina, que foi dividido entre os cinco protagonistas de Indigènes. O prêmio feminino foi para as seis atrizes do longa espanhol de Almodóvar, e o Prêmio do Júri para o elogiado filme de estréia de Andrea Arnold, Red Road.
Na esteira do anúncio dos vencedores e do encerramento do Festival, feito após a exibição de Transylvania, do diretor Tony Gatlif, a imprensa começou a veicular alguns dos prováveis filmes que estarão em competição no Festival de Veneza, que acontecerá entre os dias 30 de agosto a 09 de setembro: Inland Empire, de David Lynch, Flags of Our Father, de Clint Eastwood, Belle Toujours, de Manoel de Oliveira, A Good Year, de Ridley Scott, e World Trade Center, de Oliver Stone, devem marcar presença na festa italiana.
postado por HUDSON às 9:16 PM
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- BALANÇO GERAL - A julgar pelo quadro da crítica da revista francesa Le Film Français, o disputa pela Palma de Ouro ficará entre Volver, de Pedro Almodóvar, Maria-Antonieta, de Sofia Coppola, e Il Caimano, de Nanni Moretti, enquanto que para os críticos da Screen Daily, Volver, Babel, de Alejandro Gonzales Iñárritu, e Climates, de Nuri Bilge Ceylan.
O bom nível entre os competidores, sendo que nenhum foi recebido de forma unânime pelos críticos, acabou deixando a disputa deste ano muito mais indefinida que em anos anteriores. E surpresas costumam acontecer - alguém se lembra de Elefante, em 2003? Até mesmo os últimos filmes apresentados, o português Juventude em Marcha, com seu arrojo técnico/visual, e El Labirinto del Fauno, de Guillermo del Toro, descrito como "o conto-de-fadas mais adulto, violento e cruel já feito", podem roubar a cena.
Entre os prêmios de atuação há pelo menos uma grande certeza: Gérard Depardieu dificilmente vai sair sem o troféu de melhor ator. Já as mulheres, as mais comentadas são mesmo Kirsten Dunst, Kate Dickie e as mulheres de Almodóvar.
A divulgação dos vencedores acontece nesta noite em Cannes, após a exibição do filme de encerramento Transylvania, de Tony Gatlif.
postado por HUDSON às 10:48 AM
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- 11° DIA -
27 de Maio
O penúltimo dia de Festival já começou com uma boa noticia: o curta-metragem brasileiro de Esmir Filho, Alguma Coisa Assim, ganhou o prêmio de melhor roteiro para filmes desta categoria exibidos na Semana da Crítica. O filme conta a história de dois adolescentes que saem para uma noitada em São Paulo e aprendem coisas novas um sobre o outro. O presidente do júri que premiou Esmir era Guillermo Arriaga, roteirista de Amores Brutos, 21 Gramas e de um dos favoritos à Palma de Ouro deste ano, Babel.
Já o Cinefondátion, presidido pelo cineasta russo Andrei Konchalovsky, premiou o argentino Ge & Zeta, de Gustavo Riet. O segundo prêmio ficou com Mr. Schwartz, Mr. Hazen and Mr. Horlocker de Stefan Mueller, da Alemanha, e o terceiro foi dividido entre Mother, de Siân Heder, dos EUA, e A Vírus, de Ágnes Kocsis, da Hungria. Nesta seção competia o brasileiro Justiça ao Insulto, de Bruno Jorge.
Dentro da competição oficial, o mexicano Guillermo del Toro, com um filme espanhol, e o uruguaio Adrián Caetano, com um argentino, encerraram entre muitos aplausos do público e excelentes elogios da crítica, a disputa pela Palma de Ouro desta 59ª edição do Festival de Cannes. Ambos falam, através do horror da guerra (a civil, para o espanhol, e a ditadura militar, para os argentinos), de esperança. El Labirinto Del Fauno, mais uma representação onírica de del Toro, apresenta uma história da repressão franquista e da luta da resistência na qual uma menina, interpretada por Ivana Baquero, faz a ligação com um mundo de fadas e fantasia. O filme ainda conta com a presença de Sergi López no papel de impiedoso repressor, Maribel Verdú e Ariadna Gil - o primeiro recebeu grandes elogios e parece ser o único a poder desbancar Gérard Depardieu. Já Crónica de una Fuga, reconstrói o caso real de quatro jovens presos em um centro de detenção clandestino onde a tortura física e psicológica se misturaram por meses, após o golpe militar em 1976. O filme é protagonizado por Rodrigo de la Serna, de Diários de Motocicleta.
Após a exibição dos dois últimos concorrentes ao prêmio máximo do Festival, Cannes começou a divulgar algumas premiações alternativas. O Palm Dog, tradicional prêmio "para o melhor ator canino" dentre os filmes da competição oficial ficou com Mops, do filme Maria-Antonieta. Desde que foi instituído, o Palm Dog nunca ficou com o filme vencedor da Palma de Ouro. A Un Certain Regard deu o prêmio principal para Luxury Car, do chinês Wang Chao, enquanto o FIPRESCI foi dividido entre Climates (Iklimler) de Nuri Bilge Ceylan, apresentado da competição oficial; Hamaca Paraguaya de Paz Encina, apresentado na mostra Un Certain Regard; e Bug de William Friedkin, exibido na Quinzena dos Realizadores. O Prêmio do Júri Ecumênico, que no ano passado celebrou Caché, de Michael Haneke, ficou com Babel, de Alejandro Gonzáles Iñárritu, um dos favoritos à premiação que acontece neste domingo.
postado por HUDSON às 10:20 AM
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- 10° DIA -
26 de Maio
Enquanto a disputa pela Palma de Ouro parece cada vez mais indefinida, surgiu um favorito absoluto para o prêmio de melhor ator: Gérard Depardieu, que esteve hoje na Riviera para apresentar o longa Quand J'étais Chanteur, do diretor francês Xavier Giannoli. O ator, que já venceu o prêmio em 1990 com Cyrano de Bergerac, solta a voz no filme representando um solitário cantor de bailes noturnos, que depois de longos anos cantando para senhoras idosas, se apaixona por uma jovem.
O outro filme do dia, o português Juventude em Marcha, de Pedro Costa, narra de "forma monótona" a vida de um idoso que "fica sentado na maior parte das duas horas e 34 minutos do filme, durante as quais os poucos personagens olham para o infinito com gesto pétreo". Despertou interesse por seu exercício técnico de direção e fotografia, "impecáveis em fatura e estilo", e pela "nudez na composição, sem decorações alguma, o que tende a isolar o personagem". Fora isso, passou em branco junto à crítica.
Kevin Smith, que há doze anos apresentou, na Quinzena dos Realizadores, o sucesso cult O Balconista, voltou à Cannes para exibir sua continuação, fora de competição. O Balconista 2 traz novamente os personagens Dante e Randal, novamente interpretados por Brian O'Halloran e Jeff Anderson, que já aos 33 anos de idade, continuam estagnados no tempo, morando em Nova Jersey, conversando sobre sexo e cinema, e passeando pelo shopping da cidade.
O outro americano exibido fora de competição, Vôo 93, de Paul Greengrass, foi muitíssimo aplaudido, assim como já havia acontecido no Festival de Tribeca, em Nova York. Esse é o primeiro filme feito sobre o incidente de 11 de setembro de 2001, e ao contrário do longa de Oliver Stone, World Trade Center, sua trama está centrada no vôo tomado por terroristas que caiu num campo da Pensilvânia. O diretor, que ganhou o Urso de Ouro do Festival de Berlim em 2002 com Domingo Sangrento, levou familiares de vítimas que estavam no vôo para o Festival.
postado por HUDSON às 9:49 AM
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Quinta-feira, Maio 25, 2006
- 9° DIA -
25 de Maio
Uma série de documentários feito por diretores renomados foram apresentados hoje em Cannes. The Water Diary, de Jane Campion, AIDS, de Gaspar Noé, A Curtain Goes Up, de François Ozon, e o documentário Once Upon a Time... Rome Open City, de Marie Genin e Serge July, sobre o lendário filme do italiano Roberto Rossellini, fizeram parte do programe da Salla Buñuel, todos exibidos fora de competição. Eles abriram a exibição do programa da Cinefondátion, a competição oficial dos filmes em curta-metragem, que começou hoje e termina amanhã. Nele está presente Justiça ao Insulto, do brasileiro Bruno Jorge.
Dentro da seção Un Certain Regard, o diretor americano Richard Linklater voltou à Riviera para apresentar A Scanner Darkly, adaptação literária da obra de Philip K. Dick. O drama futurista foi todo filmado em live action e combinado com a técnica em CGI, assim como outro trabalho de Linklater, Waking Life. Os atores Keanu Reeve e Robert Downey Jr., estiveram em Cannes para apresentar o filme, que também conta com Woody Harrelson e Winona Ryder.
Os dois filmes que disputam a Palma de Ouro e foram exibidos hoje acabaram atraindo mais atenção do que esperado. O francês Indigènes, do argelino Rachid Bouchareb, que é focado na ação de soldados franco-africanos que combateram durante a Segunda Guerra Mundial foi muitíssimo aplaudido na exibição oficial, e descrito por alguns críticos como "um filme impecável, sólido, e em alguns momentos brilhante". Já o diretor italiano Paolo Sorrentino apresentou L'amico di Famiglia, sua nova tentativa pela Palma de Ouro depois de dois anos, quando apresentou La Consequenza Dell'amore. Mesmo não tendo o mesmo apoio que o francês de Bouchareb, o filme conseguiu surpreender a crítica "com sua visão pop e exagerada" de um homem que muda drasticamente a vida daqueles que se envolvem com ele.
postado por HUDSON às 8:32 PM
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Quarta-feira, Maio 24, 2006
- 8° DIA -
24 de Maio
Aconteceu hoje em Cannes o tradicional Cinema Against Aids Gala, o leilão beneficente organizado pela AmFar (American Foundation for Aids Research). Celebridades do cinema, música e entretenimento estiveram presentes no jantar de gala oferecido num dos restaurantes mais célebres da cidade. Estima-se que cada mesa varia entre US$ 25 e US$ 100 mil e um lugar individual custa, no mínimo, US$ 2,5 mil. Assim como em 2005, Sharon Stone, dessa vez auxiliada por Harvey Weinstein, foi a anfitriã da festa, que normalmente era protagonizada por Elizabeth Taylor. Toda a renda é revertida para a AmFar.
Um tributo à atriz francesa Danielle Darrieux foi prestado hoje, após a exibição de seu novo filme, o 130° de sua carreira, Another Chance, de Anne Fontaine. Constam no currículo da atriz alguns trabalhos renomados como A Sensação de Paris, de Henry Koster, de 1938, ao lado de Douglas Fairbanks Jr., e Cinco Dedos, de 1951, de Joseph L. Mankiewicz.
O belga Lucas Belvaux, autor da trilogia Um Casal Admirável, Em Fuga e Acordo Quebrado, todos de 2002, mais conhecido por aqui como protagonista do francês Joeux Noel, que concorreu ao Oscar no ano passado, apresentou hoje o seu La Raison du Plus Faible, na competição oficial, mas despertou pouco interesse da crítica. Já o esperado Maria-Antonieta, de Sofia Coppola, foi recebido com uma solene vaia após sua exibição. Os primeiros comentários são de que a princípio, a reação se deve mais pela alta expectativa com o filme, que era um dos favoritos aos prêmios, do que por sua má qualidade. A versão pop-rock da vida da rainha, guilhotinada após a Revolução Francesa, ganha contornos mais humanos e menos político, o que pode ter causado certo desconforto nos jornalistas locais.
postado por HUDSON às 7:49 PM
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Terça-feira, Maio 23, 2006
- 7° DIA -
23 de Maio
Se estivessem vivos, Roberto Rossellini e Luchino Visconti completariam cem anos de idade em 2006. Em homenagem a esses dois grandes cineastas italianos, a programação do dia no Cannes Classics voltou para a apresentação de filmes como Roma, Cidade Aberta e Noites de Cabíria, bem como preparou um jantar de gala que reuniu Monica Bellucci, atriz italiana e membro do júri oficial, o diretor Nanni Moretti e a equipe de Il Caimano, destaque de ontem no Festival.
Pelo quarto ano consecutivo Cannes celebrou o Europe Day, um encontro entre celebridades e grandes produtores do cinema europeu, promovido por Viviane Reding, Presidente da Sociedade de Informação e Mídia Européia, e Gilles Jacob, Ministro da Cultura e do Audiovisual da Europa. Com o tema "European Films Go Global", o principal assunto foi a discussão sobre as como melhorar a distribuição e os resultados comerciais de filmes europeus fora do continente.
Em meio à overdose do que está sendo exibido e do que está sendo preparado, alguns grandes projetos estão sendo anunciados na esteira dos acontecimentos. Dois deles acabaram ganhando maior destaque na imprensa: o primeiro foi My Blueberry Nights, estréia do diretor Wong Kar Wai numa produção americana, a ser protagonizado por Natalie Portman, Rachel Weisz e Norah Jones, em sua estréia no cinema. A cantora protagonizará o romance interpretando uma jovem que decide atravessar a América tentando descobrir o que realmente significa amar, e durante a jornada se apaixona pelo personagem do ator inglês Jude Law. As filmagens do longa já começam em julho, mas o filme ainda não tem previsão de estréia.O segundo se trata da adaptação de Anjos e Demônios, primeiro livro de Dan Brown, autor de O Código Da Vinci. A Sony, estúdio que detém os direitos da obra, já confirmou o roteirista Akiva Goldsman, e pretende permanecer com os produtores Brian Grazer e John Calley, assim como o diretor Ron Howard e o ator Tom Hanks. Mesmo com a enxurrada de críticas negativa, a impressionante bilheteria de estréia mundial (224 milhões de dólares) animou o estúdio a levar a diante a produção.
O cineasta francês Bruno Dumont apresentou hoje seu terceiro filme, Flandres, em disputa pelo prêmio máximo do festival. Vencedor do Camera D'Or em 1997 e do Grand Prix em 1999, o diretor construiu neste trabalho um drama de um grupo de jovens que vivem no norte da França e que se alistam como soldados para lutar em uma guerra num outro país. Esse foi o segundo anfitrião apresentado na disputa oficial.
O outro filme do dia na competição oficial, Babel, do mexicano Alejandro Gonzáles Iñárritu, só precisou ser exibido para confirmar sua presença entre os mais cotados para a Palma de Ouro deste ano. Assim como seus filmes anteriores, o diretor adota a narração de várias histórias que se cruzam para mostrar dramas humanos contemporâneos. A influência vem de longe: de acordo com a Bíblia, Babel era uma torre gigantesca que os homens construíram com o intuito de chegarem ao paraíso. A construção provocou a ira de Deus que, para impedir o projeto, fez com que cada um dos envolvidos falasse um idioma diferente, acabando assim possibilidade de comunicação entre eles e perpetuando sobre a Terra a incapacidade de se comunicar. A história começa no Marrocos, onde um mero incidente dá início a uma série de eventos que têm conseqüências desastrosas com moradores de outros países. Protagonizado por Gael García Bernal, Cate Blanchett e Brad Pitt, marca a volta do roteirista Guillermo Arriaga à Cannes, onde recebeu o prêmio de melhor roteiro no ano passado.
postado por HUDSON às 10:07 PM
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Segunda-feira, Maio 22, 2006
- BALANÇO GERAL - Com as exibições dos representantes finlandês e italiano hoje, o Festival chegou à metade de sua duração. E o balanço geral que os críticos fizeram foi positivo: para a Hollywood Reporter, esta é a melhor edição dos últimos anos, ainda que esteja aquém da edição de 2002, quando O Pianista levou o prêmio principal. E a disputa pela Palma de Ouro tem rendido algumas suposições na mídia, tentando desvendar como será a distribuição dos prêmios, a cargo do júri presidido por Wong Kar Wai. Os filmes políticos e os dramas pessoais têm saído na frente na hora da apreciação do público e crítica. Cannes não prima por regularidades, e surpresas costumam acontecer na cerimônia de premiação. Mas os jornalistas já elegeram alguns favoritos: o drama do espanhol Pedro Almodóvar, Volver, e o inglês Red Road, primeiro longa-metragem de Andrea Arnold, são os mais citados para os principais prêmios. Inclusive suas protagonistas, Penélope Cruz e Kate Dickie, tiveram os desempenhos mais elogiados entre as mulheres. O filme de guerra The Wind That Shakes the Barley, de Ken Loach, e a sátira Il Caimano, de Nanni Moretti, também surgem com possíveis prêmios de direção e roteiro, respectivamente.
Do outro lado da disputa, os americanos Southland Tales e Fast Food Nation amargam os piores comentários, se tornando as maiores decepções. Chegaram na Riviera cercado de expectiva e, observando a frívola recepção pela imprensa especializada, devem sair de lá sem alguma lembrança.
Até dia 27 ainda serão exibidos outros dez títulos, com destaque para Maria-Antonieta, Babel e Flandres. Os vencedores serão anunciados no próximo sábado à noite.
postado por HUDSON às 8:48 PM
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- 6° DIA -
22 de Maio
Durante os dias do Festival, Cannes criou a seção Tours pelo Cinema Mundial, centrada na exibição de uma seleção de filmes de um determinado país. Depois de Rússia e Israel, a segunda-feira ficou por conta dos trabalhos de Cingapura. O Presidente da Sociedade de Filmes de Cingapura fez as honras da casa e esteve presente nas exibições de alguns dos filmes mais destacados feito no país nos últimos anos, como I Not Stupid Too de Jack Néo, Perth de Djinn Ong, Smell of Rain de Gloria Chee e One Last Dance de Max Makowski.
Vencedor da Palma de Ouro, o italiano Nanni Moretti voltou à Cannes para apresentar seu novo trabalho, Il Caimano. Centrado na figura do ex - Primeiro Ministro Sílvio Berlusconi, o filme marca o retorno do cineasta aos filmes políticos, tema que abandonou em O Quarto do Filho, filme que ficou com a Palma em 2001. Il Caimano conta a história de um produtor de filmes decante que tenta recuperar seu prestígio na indústria e encontra o roteiro perfeito nas mãos de uma jovem cineasta que quer fazer um filme sobre o premiê Silvio Berlusconi. Em meio à dificuldade de encontrar um ator audacioso o bastante para interpretar o papel principal, os dois recriam a figura do magnata das comunicações com muita ironia e crítica. Segundo Moretti, ele tentou mostrar, através de técnicas cinematográficas, a realidade que permeia a sociedade, que não é difícil de ser percebida. O filme, assim como Volver, de Pedro Almodóvar, já estreou em seu país de origem, e a olhar as críticas que recebeu, é um dos favoritos à premiação, bem como o filme espanhol.
Pela terceira vez na competição oficial, o finlandês Aki Kaurismäki apresentou Laitakaupungan Valot, o último capítulo da trilogia composta por Drifting Clouds, de 1996, e O Homem Sem Passado, de 2002 - os dois exibidos em Cannes. Nesse novo filme, o personagem Koistinen (Jamme Hyytiainen), um homem solitário e ridicularizado por todos, acaba se envolvendo com uma mulher que conhece em uma casa noturna e o acontecimento transformará sua vida em uma desgraça completa.
Mas como não poderia ser diferente, quem roubou o dia foi mesmo a equipe de produção do longa X-Men: O Confronto Final, que esteve hoje na Riviera para apresenta-lo. Atores, diretor e produtor passearam pela cidade e responderam às dezenas de perguntas dos repórteres. Nesse último capítulo da série, a possibilidade iminente de cura para o gene mutante, que é visto pelos humanos como uma doença, divide ainda mais os grupos de Magneto e Professor Xavier. O filme terá estréia mundial na próxima sexta-feira, 26 de maio.
postado por HUDSON às 8:14 PM
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- 5° DIA -
21 de Maio
Em meio os muitos filmes exibidos dentro e fora de competição, Cannes sempre arruma espaço para presentear aqueles que são os responsáveis maiores pela existência de grandes obras cinematográficas. Como nos últimos anos, o presidente do júri oficial, o cineasta chinês Wong Kar Wai, foi agraciado numa cerimônia apresentada pelo ministro da Cultura e Comunicação da França, Renaud Donnedieu de Vabres, com o prêmio dos Cavaleiros de Honra. Segundo o ministro, Kar Wai inventou um novo cinema, uma nova maneira de escrever e de mostrar os sentimentos que o público deseja. O diretor ganhou o prêmio de melhor diretor em 1997, com Felizes Juntos.
O domingo também foi o dia de outro mega-blockbuster dar as caras em Cannes: a animação Os Sem-Florestas (Over the Hedge). E aí, a Riviera virou um desfile de celebridades, de Bruce Willis à Avril Lavigne, entre outros atores que emprestam suas vozes para o filme. A exibição do longa prova o quanto estar na lista oficial do Festival também pode ser uma grande "camaradagem": esta é a terceira vez que um lançamento da Dreamworks dá as caras em Cannes, depois de Shrek em 2001, e de Shrek 2 em 2004, que inclusive fizeram parte da competição. Aproveitando a oportunidade, e tornando a festa ainda maior, Oliver Stone foi mostrar 20 minutos de sua epopéia moderna, ainda inacabada, World Trade Center, com previsão de estréia para o segundo semestre deste ano, escoltado por Nicolas Cage, Michael Pena, Maria Bello e Maggie Gyllenhaal, estrelas do filme. Exibido em sessão da gala no maior teatro do Festival, foi seguido por uma nova cópia de Platoon, para comemorar o 20º aniversário do maior sucesso do diretor norte-americano, dentro de Cannes Classics.
Dentro da competição oficial, o cineasta turco Nuri Bilge Ceylan, sucesso em Cannes com Uzak, há três anos, que ganhou o Grand Prix e dois prêmios de atuação, exibiu seu novo trabalho, Iklimler. Se seu filme anterior era centrado numa difícil relação entre dois irmãos, dessa vez o diretor preferiu um "raio-x de um casal em crise", como observou um jornal local. Ainda sobre o filme, em entrevista oficial, Bilge Ceylan disse que "meu filme reflete o ponto de vista de um relacionamento entre um homem e uma mulher, e não necessariamente diz respeito à sociedade Turca. Estou inclinado a focar nos pequenos detalhes, por acreditar que eles oferecem grandes conseqüências". Já a outra exibição do dia, Southland Tales, de Richard Kelly, do admirado Donnie Darko, marcou a estréia do diretor no Festival. Conceituado como um filme futurista que mostra a cidade de Los Angeles à beira de um ataque nuclear sem precedentes que pode colocar a América em uma guerra pela disputa de combustíveis, seguindo a ótica de três personagens: um ator de filme de ação que sofre de amnésia; uma ex-atriz pornô; e dois irmãos gêmeos, foi resumido por Richard como "uma comédia sobre o fim do mundo".
O "pseudo-brasileiro" Sonhos de Peixe, dirigido pelo cineasta russo Kirill Mikhanovsky, foi recebido com bons comentários na Semana da Crítica. A co-produção Brasil/Estados Unidos, mostra o cotidiano de uma aldeia de pescadores, onde a vida é ritmada pelo duro trabalho no mar, as telenovelas acompanhadas apaixonadamente e os sonhos de fugir para outros horizontes. O filme foi feito com os verdadeiros moradores do povoado, cujo personagem principal, vivido por um jovem de 20 anos que esteve em Cannes junto do diretor, está na disputa pelo Cámera D'Or.
postado por HUDSON às 8:00 PM
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- 4° DIA -
20 de Maio
O sábado de Cannes pode ser resumido como a disputa interna entre duas mulheres: as cineastas francesa e inglesa, Nicole Garcia e Andrea Arnold, respectivamente, apresentaram seus trabalhos que disputam a Palma de Ouro em Cannes. Selon Charlie, o representante da casa, narra as histórias de sete homens numa cidade litorânea francesa. Cada uma das histórias questiona os rumos que cada personagem escolheu para sua vida. O que reúne cada segmento é o personagem de um menino, o Charlie do título, que transforma a visão desses homens. Nicole Garcia, que antes de se arriscar na direção, o que já faz há mais de 20 anos, conseguiu reunir alguns dos mais célebres atores franceses da atualidade, como Jean-Pierre Bacri, Vincent Lindon e Benoît Magimel. Já o inglês Red Road é o primeiro filme de Arnold, que venceu o Oscar 2005 com o curta-metragem Wasp, e seu filme é uma produção do projeto Advance Party, lançado pelo cineasta dinamarquês Lars von Trier, cuja idéia gira em três diretores distintos dar vida aos mesmos nove personagens em filmes diferentes. A ação principal deste longa se situa em Glasgow, mostrando a perseguição de uma mulher que vê, através de um sistema de tv, o homem que matou seu marido e filha.
Fora de competição, os destaques ficaram por conta do documentário An Inconvenient Truth, de Davis Guggenheim, promovido por ninguém menos que o ex-vice presidente americano Al Gore, que numa causa menos política e mais ambiental, impulsionou a idéia do filme, que propõe dez soluções para a redução do problema de emissão de gases na camada atmosférica; e Shortbus, de John Cameron Mitchell, revelado no sucesso independente Hedwig and the Angry Inch, causou frisson por conta de sua história permeada com muitas cenas de sexo.
postado por HUDSON às 7:56 PM
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Sábado, Maio 20, 2006
- 3° DIA -
19 de Maio
Este ano Cannes está prestando um tributo ao diretor russo Sergei M. Eisenstein, sendo que dois de seus filmes serão exibidos dentro da sessão Cannes Classics, Outubro (1927) e O Prado de Bejin (1935), além de Ivã, o Terrível (1945) e O Encouraçado Potemkin (1925), em sessões especiais. Com isso, foi inaugurada hoje, uma galeria de arte que funcionará durante os dias do Festival, exibindo esboços, desenhos, retratos e fotografias feitas pelo próprio cineasta.
Mas o que deu o que falar em Cannes foi mesmo a presença de Pedro Almodóvar e seu último trabalho, Volver. Ovacionado na primeira exibição do filme, para a imprensa ainda na noite de quinta-feira, o cineasta espanhol retorna ao Festival depois de sete anos, quando saiu com o prêmio de melhor direção por Tudo Sobre Minha Mãe. Há dois anos, Almodóvar abriu o festival com Má Educação. Neste novo drama, classificado como "filme de reconciliação" (do público espanhol com o cineasta, do diretor com as personagens principais femininas que havia abandonado em seus dois últimos trabalhos, e do próprio Almodóvar com a atriz Carmem Maura, que volta a protagonizar um filme do diretor depois de 17 anos), a matriarca de uma família retorna à vida para atenuar os problemas deixados para sua filha, Raimunda, após sua morte. Na entrevista oficial, Almodóvar apontou este o filme mais pessoal de sua carreira, que o reconciliou com sua infância, ao lembrar de fatos tão marcantes como a presença de sua mãe e das pessoas que a ajudaram o criar. Sobre a possibilidade de somar mais um prêmio à sua farta galeria, observando que o diretor é favorito para a Palma de Ouro, Almodóvar afirmou que eles não são sua motivação maior, e que quando se senta para escrever algo, seu único objetivo é se apaixonar pela história.
A outra exibição do dia na competição oficial foi o longa-metragem americano Fast Food Nation, de Richard Linklater. Segundo a Folha de São Paulo, "a partir de um episódio de contaminação na carne do sanduíche-símbolo de uma rede de fast-food, Linklater fala de uma América em processo de apodrecimento. O filme foi aplaudido efusivamente na sessão para imprensa de ontem". Richard Linklater esteve presente em Cannes junto dos atores Greg Kinnear, Ana Claudia Talancón, Ethan Hawke, Catalina Sandino Moreno e Wilmer Valderrama. O diretor retorna à Cannes no dia 27 para apresentar um outro trabalho, A Scanner Darkly, na mostra Un Certain Regard.
postado por HUDSON às 5:02 PM
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- 2° DIA -
18 de Maio
Ainda sob efeitos da passagem de O Código Da Vinci, a Riviera Francesa deu mais espaço, na quinta-feira, para a chegada de alguns dos títulos com maior apelo artístico. A sessão Cannes Classics, que exibe ao longo do Festival uma série de clássicos restaurados, foi aberta com a apresentação de The Last Adventure, de 1967, do cineasta francês Robert Enrico. Ainda serão exibidos, até o último dia, filmes de diretores como Carol Reed, Hayao Miyazaki e Sergei M. Eisenstein.
A mostra Un Certain Regard, uma espécie de sub-competição oficial, que reúne alguns diretores renomados junto dos que fazem sua estréia no cinema e disputam o Câmera D¿Or, também teve suas atividades iniciadas com a exibição do paraguaio Hamaca Paraguaya, de Paz Encima, e do projeto Paris, je t'aime. Este último composto de 18 segmentos filmados por diversos diretores como Alfonso Cuarón, Walter Salles, Joel e Ethan Coen, Olivier Assayas, Isabel Coixet, Alexander Payne, Gus Van Sant, levou aos cinemas de Cannes uma frota de astros e estrelas do cinema mundial, mas muito mais que o interesse por sua qualidade, despertou comentários sobre a disputa entre dois produtores, que brigam na justiça pelo direito de exibição do filme. Cada segmento do longa é composto de 5 minutos e retrata, basicamente, uma história de amor em um bairro de Paris.
A disputa oficial pela Palma de Ouro também teve início na quinta, com a exibição de dois filmes. O primeiro, o chinês Summer Palace, marca o retorno do cineasta Lou Ye após a exibição de Purple Butterfly, há três anos, também na competição oficial. Este novo trabalho do diretor narra uma complexa relação de amor e ódio entre dois estudantes na China de 1989, em meio ao movimento democrático que insurgiu no país. Ainda sem garantia de que poderá exibir o filme em seu país, o diretor optou por uma trama imersa em violência e cenas de sexo.
Já o segundo candidato ao prêmio máximo do dia despertou um interesse maior entre crítica presente na exibição oficial. The Wind That Shakes the Barley, do britânico Ken Loach, narra o conflito entre irlandeses e ingleses na década de 20, quando a Irlanda lutava por sua independência. Centrado na figura de dois irmãos, Teddy e Damien, este último um promissor médico que abandona a carreira para lutar pela liberdade de seu país, o diretor "narra com extrema destreza as diferentes visões políticas da época", utilizando justamente a figura dos irmãos, interpretada na tela por Cillian Murphy e Pádraic Delaney. Esta é a oitava vez que o diretor entra na disputa pela Palma de Ouro.
postado por HUDSON às 3:27 PM
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Quarta-feira, Maio 17, 2006
- 1° DIA -
17 de Maio
A 59ª edição do Festival de Cannes, o mais importante festival de cinema do mundo, conhecido por seu caráter artístico e alternativo, rendeu-se ao cinemão americano: a premiére mundial de O Código Da Vinci, exibido fora de competição, tomou a Riviera Francesa e foi o único assunto desse primeiro dia.
Críticos e jornalistas lotaram a sessão da impressa atrás das primeiras imagens do longa-metragem baseado no best-seller de Dan Brown, enquanto os fãs disputaram os poucos lugares da sessão oficial. No entanto, tanta pressão acabou resultando no esperado: o filme recebeu uma chuva de críticas negativas. Sobraram comentários maldosos e houve até quem dissesse que "absolutamente nada funciona no filme, provando que a obra é infilmável". Alguns jornalistas ainda tentaram balancear a situação, revelando que "o filme cumpre o propósito de entreter" e que consegue "manter a tensão, o suspense e o interesse pela trama". Mas a Variety, uma das revistas norte-americanas mais respeitadas, decretou que "o diretor Ron Howard e o roteirista Akiva Goldsman se uniram para tirar todo o tipo de prazer ao melodrama, dando ao público um filme insosso". Estiveram presentes na sessão toda a equipe de produção do longa, além do escritor e dos atores Tom Hanks, Audrey Tautou, Jean Reno, Paul Bettany, Alfred Molina, Ian McKellen e Jean-Pierre Marielle.
Antes da exibição do filme, aconteceram todas as formalidades de costume. Quem fez as honras da casa foi o ator francês Vincent Cassel, que saudou a todos e elogiou a pluralidade cinematográfica que o Festival exibe. Juntaram-se a ele no palco principal do Grand Lumière Theatre o presidente do júri oficial, Wong Kar-Wai, e os demais membros Samuel L. Jackson, Zhang Ziyi, Mônica Bellucci, Helena Bonham Carter,Tim Roth, Patrice Leconte, Lucrecia Martel e Elia Suleiman.
A competição oficial começa amanhã, com a exibição do filme de Ken Loach, The Wind That Shakes The Barley e do chinês Summer Palace. Até o dia 28 de maio serão exibidos mais de 50 novos filmes, representando mais de 30 países.
postado por HUDSON às 9:28 PM
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Terça-feira, Maio 16, 2006
- COMPETIÇÃO OFICIAL -
THE WIND THAT SHAKES THE BARLEY
Direção: Ken Loach
Roteiro: Paul Laverty
Elenco: Cillian Murphy, Pádraic Delaney, Liam Cunningham
Sinopse: A libertação da Irlanda, em 1920, é mostrada a partir da luta de Damien, um jovem médico que abandona sua profissão e parte para o campo de batalha ao lado de seu irmão, Teddy.
SUMMER PALACE
Direção: Lou Ye
Roteiro: Lou Ye, Feng Mei e Ma Yingli
Elenco: Lei Hao, Xiaodong Guo, Lingling Hu, Xianmin Zhang
Sinopse: Uma jovem chinesa abandona sua família e se muda para Beijing para estudar e lá descobre um mundo de intensa experimentação emocional e sexual ao lado de seu namorado.
VOLVER
Direção: Pedro Almodóvar
Roteiro: Pedro Almodóvar
Elenco: Penélope Cruz, Carmem Maura, Lola Dueñas, Blanca Portillo
Sinopse: Depois de sua morte, a matriarca Irene retorna à sua cidade para resolver alguns problemas que não pôde resolver durante a vida e acaba se tornando um conforto para suas filhas e sua neta.
FAST FOOD NATION
Direção: Richard Linklater
Roteiro: Eric Schosseler e Richard Linklater
Elenco: Catalina Sandino Moreno, Greg Kinnear
Sinopse: O filme percorre o caminho do dono da maior rede de fast food dos EUA, que começa a enfrentar sérios problemas quando descobre que a carne de seus sanduíches está contaminada e indo parar no estômago de seus clientes.
SELON CHARLIE
Direção: Nicole Garcia
Roteiro: Nicole Garcia, Jacques Fieschi e Fréderic Belier Garcia
Elenco: Sophie Cattani, Jean Pierre Bacri
Sinopse: Durante três dias, sete pessoas se encontram numa cidade na costa do Oceano Atlântico e os acontecimentos surgidos mudarão para sempre suas vidas.
RED ROAD
Direção: Andréa Arnold
Roteiro: Andréa Arnold
Elenco: Kate Dicken, Tony Curran, Martin Compston
Sinopse: Uma mulher que trabalha como operadora de um sistema de segurança vê, através de sua câmera, uma pessoa que marcou seu passado e que jamais pensou ver novamente e precisa confrontar o acontecimento.
IKLIMLER
Direção: Nuri Bilge Ceylan
Roteiro: Nuri Bilge Ceylan
Elenco: Ebru Ceylan, Nuri Bilge Ceylan, Nazan Kirilmins, Mehmet Eryilmas
Sinopse: O filme retrata, através dos personagens Isa e Bahar, a felicidade inconstante e os momentos complicados da vida de um casal.
SOUTHLAND TALES
Direção: Richard Kelly
Roteiro: Richard Kelly
Elenco: Dwayne Johnson, Sarah Michelle Gellar
Sinopse: Durante comemoração do Dia da Independência, a vida de três pessoas se cruzam: um astro de filmes de ação com amnésia, uma atriz pornô prestes a estrelar seu próprio reality show e um policial que pode desvendar uma conspiração.
IL CAIMANO
Direção: Nanni Moretti
Roteiro: Nanni Moretti, Federica Pontremoli, Francesco Piccolo
Elenco: Nanni Moretti, Elio de Capitani, Silvio Orlando
Sinopse: Bruno Bonomo é um falido diretor de cinema que, contratado pela RAI, decide filmar um roteiro sobre a figura icônica de Sílvio Berlusconi, magnata da mídia italiana que se tornou primeiro-ministro.
LAITAKAUPUNGIN VALOT
Direção: Aki Kaurismäki
Roteiro: Aki Kaurismäki
Elenco: Janne Hyytiäinen, Maria Järvenhelmi, Ilkka Koivula, Maria Heiskanen
Sinopse: História do cinema e ficção confundem-se neste drama em que o protagonista, Koistinen, é privado de sua vida após ser culpado por um crime.
BABEL
Direção: Alejandro Gonzáles Iñárritu
Roteiro: Guilhermo Arriaga
Elenco: Brad Pitt, Cate Blanchett, Gael García Bernal
Sinopse: Quatro histórias, situadas em diferentes países, são interligadas a partir de uma tragédia ocorrida com um casal em férias.
FLANDRES
Direção: Bruno Dumont
Roteiro: Bruno Dumont
Elenco: Adelaide Leroux, Samuel Boidin
Sinopse: A história de jovens soldados que abandonam suas cidades por uma luta maior. Os companheiros, as lutas, dificuldades e o horror da guerra são alguns dos tópicos discutidos neste drama.
MARIE ANTOINETTE
Direção: Sofia Coppola
Roteiro: Sofia Coppola
Elenco: Kirsten Dunst, Jason Schwartzman, Judy Davis
Sinopse: Um retrato da vida de Maria Antonieta, que ainda adolescente foi levada da Áustria para Versalhes, onde se tornaria rainha até ser guilhotinada, no auge da Revolução Francesa.
LA RAISON DU PLUS FAIBLE
Direção: Lucas Belvaux
Roteiro: Lucas Belvaux
Elenco: Eric Caravaca, Natacha Regnier, Patrick Descamps, Elie Belvaux
Sinopse: A história se passa na cidade de Liège, na Bélgica, nos dias atuais, onde quatro homens, uma mulher e uma criança são reunidos pelo destino.
INDIGÈNES
Direção: Rachid Bouchareb
Roteiro: Rachid Bouchareb e Olivier Lorelle
Elenco: Jamel Debbouze, Samy Nacéri, Roschdy Zem
Sinopse: Passado durante a Segunda Guerra Mundial, mostra o drama de quatro homens que abandonam suas famílias e se alistam no exército francês para lutarem por sua cidade natal contra os nazistas.
L'AMICO DI FAMIGLIA
Direção: Paolo Sorrentino
Roteiro: Paolo Sorrentino
Elenco: Giacomo Rizzo, Laura Chiatti, Fabrizio Bentivoglio
Sinopse: O filme mostra a vida de um homem endinheirado que tem uma relação obsessiva e doentia com seus familiares e amigos.
QUAND J'ÉTAIS CHANTEUR
Direção: Xavier Giannoli
Roteiro: Xavier Giannoli
Elenco: Gerard Depardieu, Cécile de France, Mathiel Amalric, Christine Citti
Sinopse: Uma jovem mulher conhece uma cantora e sonha em seguir seus passos.
JUVENTUDE EM MARCHA
Direção: Pedro Costa
Roteiro: Pedro Costa
Elenco: Ventura, Vanda Duarte, Beatriz Duarte, Gustavo Sumpta
Sinopse: Ventura, um homem nascido em Cabo Verde e que agora mora nos arredores de Lisboa é abandonado por sua esposa, Clotilde, após 34 anos de convivência, e se vê perdido.
EL LABERINTO DEL FAUNO
Direção: Guillermo Del Toro
Roteiro: Guillermo Del Toro
Elenco: Sergí Lopez, Ivana Baquero, Maribel Verdu
Sinopse: Mesmo após terminada a Guerra Civil, a pequena cidade de Navarra ainda sofre com as disputas locais. Nela, a família da pequena Ofélia, uma menina sonhadora que cria o seu próprio mundo imaginário, vai tentar reconstruir sua vida.
CRÓNICA DE UNA FUGA
Direção: Israel Andrián Caetano
Roteiro: Esteban Student e Julian Loyola
Elenco: Rodrigo de la Serna, Nazareno Casero
Sinopse: O filme se passa no final da década de 70, quando a Argentina está sob poder do governo militar. O protagonista da história é Cláudio Tamburrini, um homem que é seqüestrado e sofre maus-tratos na cativeiro, junto de outros três prisioneiros.
postado por HUDSON às 7:29 PM
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Quarta-feira, Maio 10, 2006
IT - UMA OBRA PRIMA DO MEDO
(It, 1990, de Tommy Lee Wallace)
Paixão pega a gente pelo pé. E se desvencilhar desse sentimento para falar sobre filmes e tudo que circunda o cinema é, quase sempre, uma tarefa ingrata. Muito antes de descobrir a sétima arte tal qual ela significa hoje para mim - e que certamente não será do mesmo modo amanhã -, houve um tempo em que assistir filmes de terror no sofá da sala em companhia da minha mãe era o programa predileto. E daí saíram algumas das melhores lembranças que tenho, difíceis de se apagar. As séries Colheita Maldita, A Profecia, Baile de Formatura, A Hora do Pesadelo e Sexta-Feira 13 são alguns dos títulos que eram figurinhas fáceis em noites escuras em frente à televisão. De alguns restaram apenas as imagens - chocantes, para uma criança com sete anos de idade - e a vontade de rever. De outros, sobraram bem mais que isso. É o caso de IT - Uma Obra Prima do Medo, um filme feito para a TV americana que tirou meu sono por muito tempo e que hoje ainda figura na lista dos preferidos, independente de seus méritos cinematográficos.
Baseado na obra homônima de Stephen King, que no Brasil ganhou o título de "A Coisa", o telefilme dirigido por Tommy Lee Wallace em 1990 não se utiliza de nenhuma história genuína, uma vez que não representa nada mais que a luta contra o mal. No entanto, o filme instiga o expectador por alguns motivos, e um deles é a sua estrutura pouco convencional para o gênero: com exatos 182 minutos de duração, a narrativa intercala longos flashbacks onde são revelados os acontecimentos passados que envolvem os personagens principais, o "luck seven", como ficaram conhecidos os garotos (e a Beverly) da pequena cidade de Derry, no Maine, que tiveram um verão inesquecível por conta da ameaça constante do palhaço Pennywise, responsável pelo assassinato de algumas crianças no local. As histórias pessoais dos meninos são recheadas de fantasia, e parecem realmente saídas da mente de crianças - basta perceber que, não bastasse a figura principal e ameaçadora ser um palhaço, um dos símbolos infantis de fácil sedução e geralmente relacionado a acontecimentos alegres e feliz, quase sempre se manifestava assumindo a figura do maior temor de cada um dos personagens - que, mesmo depois de crescidos, continuam sendo atormentadas por seus traumas.
A parte fantasmagórica da trama, equilibradíssima ao longo de todo o filme, construída em cima de cenas bem compostas e arrepiantes, acabou arranhada em seu final, uma vez que a temerosa figura de Pennywise, juntamente com seu humor e ironia, acabou se transformou num monstro de péssima qualidade em uma idéia de extremo mau gosto. Ainda assim, o que sobra mesmo da obra é a deliciosa sensação de reviver um período que não volta mesmo: a infância. IT traz consigo um sentimento muito próximo do vivenciado pelos personagens (e expectadores) de Conta Comigo, filme de Rob Reiner, também uma adaptação de King: a união presente em relacionamentos entre amigos feitos na melhor época da vida e que perduram por toda ela. É como assistir a um filme depois de quinze anos e perceber que todas aquelas imagens ainda estão vivas na memória e que é possível voltar no tempo por alguns minutos. E se essa for a função da arte, o dedo só vai ser apontado por quem nunca pôde vivenciar essa sensação.
postado por HUDSON às 8:53 PM
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Terça-feira, Maio 09, 2006
FILMES DE ABRIL
Cena de "Albergue Espanhol", a descoberta mais deliciosa do mês
1 - O Albergue (Hostel, 2006, de Eli Roth)
2 - A Era do Gelo 2 (Ice Age: The Meltdown, 2006, de Carlos Saldanha)
3 - Assassinos Por Natureza (Natural Born Killers, 1991, de Oliver Stone)
4 - Garota da Vitrine (Shopgirl, 2005, de Anand Tucker)
5 - Todos Dizem Eu Te Amo (Everyone Says I Love You, 1996, de Woody Allen)
6 - Evil - Raízes do Mal (Ondskan, 2003, de Mikael Håfström)
7 - Sra. Henderson Apresenta (Mrs. Henderson Presents, 2005, de Stephen Frears)
8 - Mentiras Sinceras (Separate Lies, 2005, de Julian Fellowes)
9 - Um Lugar Para Recomeçar (An Unfinished Life, 2005, de Lasse Hallström)
10 - V de Vingança (V for Vendetta, 2006, de James McTeigue)
11 - Cidade Baixa (idem, 2004, de Sérgio Machado)
12 - A Hora do Pesadelo (A Nightmare on Elm Street, 1984, de Wes Craven)
13 - Planeta do Tesouro (Treasure Planet, 2002, de Ron Clements e John Musker)
14 - Os Incríveis (The Incredibles, 2004, de Brad Bird)
15 - Laura, a Voz de uma Estrela (Little Voice, 1998, de Mark Herman)
16 - Albergue Espanhol (L'Auberge Espagnole, 2002, de Cédric Klapisch)
17 - Jogos Mortais (Saw, 2004, de James Wan)
18 - Selvagem (The Wild, 2006, de Steve Williams)
postado por HUDSON às 7:14 PM
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