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Informações, comentários e pequenas notas sobre filmes e tudo o que cerca a sétima arte, por Hudson Dalbem, mero estudante universitário e amante inveterado do cinema TOP 10 - 2007 TOP 10 - 2006 TOP 10 - 2005 TOP 10 - 2004 SITES E BLOGS HISTÓRICO
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Quarta-feira, Julho 26, 2006
SÉRIE EPÍLOGOS "Cada um que vai a 2046 tem a mesma intenção: quer recuperar recordações perdidas. Porque em 2046... nada jamais muda. Contudo ninguém realmente sabe se isso é verdade ou não. Porque ninguém jamais voltou". 2046 - Segredos do Amor (2046, China/França/Alemanha/Hong Kong, 2004) de Wong Kar Wai | Segunda-feira, Julho 24, 2006
BUBBLE - UMA NOVA EXPERIÊNCIA (Bubble, 2005, de Steven Soderbergh) Steven Soderbergh é, certamente, o cara mais gozador do mundo do cinema. Desde que surgiu com sexo, mentiras e videotape, há mais de quinze anos, ninguém parece se divertir tanto com seu próprio trabalho do que ele, que de lá pra cá, construiu uma sólida carreira que o permite encabeçar projetos como uma dúzia de astros no elenco, refilmar um cult dos anos 70, participar de experiências coletivas com renomados diretores europeus ou de realizar suas extravagâncias individuais, como o recente Bubble. Diferente do excêntrico Full Frontal, de 2002, que acabou no mesmo momento em que surgiu, essa outra "experiência pessoal" do diretor ganha mais consistência de experimentação em sua concepção como objeto do que em suas características de obra cinematográfica. A ousadia de Soderbergh, dessa vez, residiu na vontade de lançar a película - que na verdade, é toda feita no formato digital - nos três meios de divulgação de uma só vez. Durante o lançamento do filme era possível escolher vê-lo nos cinemas, na tv a cabo ou aluga-lo na videolocadora mais próxima de casa. O caráter experimental é tanto que aqui no país o filme ganhou o subtítulo de "Uma Nova Experiência". Se a tal "experiência" resultou em algo além das manchetes de jornais e revistas - algumas redes de cinema simplesmente retiraram o filme de cartaz quando souberam que o mesmo já estava sendo exibido na tv fechada norte-americana - só Soderbergh deve saber. No entanto, tomadas as devidas proporções de causa e efeito, Bubble tem suas qualidades dentro da telas. O ar vazio das produções independentes dos Estados Unidos dá espaço para um filme meticuloso e bem acabado, que sabe de onde vem e pra onde vai. Nele, um triângulo amoroso que não segue o tradicionalismo dos relacionamentos arrebatadores vistos na sétima arte é construindo entre uma senhora que já beira os 50 anos de idade, um jovem rapaz e uma mãe solteira. Os três, que em comum têm muito mais que o fato de trabalharem numa fábrica de bonecas, constroem um sentimento tácito que chega ao limite do passional, revela-se maior que algumas de suas preocupações cotidianas e acaba de forma impressionante - tal qual vemos todos os dias acontecendo do nosso lado. Não importam as motivações ou as causas, de forma ligeira um pequeno suspense policial que parece ter múltiplas resoluções toma conta dos fatos até encontrar um final satisfatório. É como se Soderbergh abrisse as portas e dissesse com um sorriso no canto da boca: "Welcome to the Dollhouse". Todd Solondz certamente concede a licença poética. | Domingo, Julho 23, 2006
O Epílogo não é espaço pra transcrever artigos cinematográficos que os meios de comunicação publicam, no entanto, preciso fazer uma concessão uma vez que Deus deu uma entrevista para a Reuters, que a compilou numa matéria super bacana, que só me faz admirá-lo ainda mais. Segue aí: _____________________________________________________________
François Ozon prefere manter distância de Hollywood
Segunda-feira, Julho 17, 2006
(2046, 2004, de Wong Kar Wai) Quando ousei comentar sobre Amor à Flor da Pele, em novembro passado, disse que poucas vezes um cineasta conseguiu fazer de seu trabalho um manifesto de paixão à sétima arte, como fez Wong Kar Wai naquele filme. Eis que o "poema filmado" do diretor chinês ganha continuidade com 2046, apresentado pela primeira vez no Festival de Cannes em 2004, e assim como seu antecessor, tem estampado em cada fotograma o tom inebriante que dá às obras de Kar Wai a peculiaridade e maestria que só ele sabe construir. Nessa nova jornada do escritor Chow Mo Man, novamente interpretado por Tony Leung, realidade e ficção se misturam enquanto o protagonista escreve o romance que leva o nome do filme. Numa tentativa de esquecer (ou reviver) sua tórrida paixão por Su Li Zhen (Maggie Cheung), que embalou a história do primeiro filme - e que aparece num flashback lindo, que mais parece um daqueles quadros que as pessoas ficam horas admirando na parede - Chow Mo acaba percorrendo os lugares por que passou, se envolvendo com diversas mulheres - até mesmo encontrando uma outra Su Li Zhen, que só o deixa ainda mais atordoado - até perceber que nada nem ninguém, além de suas meras recordações, trarão novamente as lembranças daquilo que já se foi. Arrebatador.
Quinta-feira, Julho 13, 2006
NOTAS DE RODAPÉ 7 - O Homem Urso (Grizzly Man, 2005, de Werner Herzog) Neste documentário, o renomado diretor alemão Werner Herzog reune imagens feitas pelo explorador Thimotty Treadwell durante as 13 expedições que fez ao Alasca para conviver com os ursos pardos, animais conhecidos por sua bravura e violência. Extraindo as sequências naturais e polindo-as do ponto de vista cinematográfico, o diretor entrega ao expectador o que há de melhor na arte: poesia. O limite da vida humana torna-se, então, o motivo pelo qual caminhamos sobre a Terra. Seja você um homem obstinado pela vida animal ou um louco encantado pelo sentimento que o cinema proporciona. - Seres Rastejantes (Slither, 2006, de James Gunn) Verme gosmento cai do céu, entra no cérebro de um homem e transforma os moradores de uma cidade em zumbis-lesmas. Poderia ser piada, mas é sério. Seres Rastejantes não ressoa como MIB ou até mesmo O Ataque dos Vermes Malditos, que mesmo pertencendo a uma galeria de filmes ruins, mantinham seu frescor de diversão. A tentativa de torná-lo um bom mau-entretenimento acaba na primeira cena e em todas as outras subsequentes. E quem diria que até mesmo os extra-terrestres gostam de exemplares clássicos das músicas piegas dos anos 70? Nojento. - A Profecia (The Omen, 2006, de John Moore) Oportunista define o caráter desta refilmagem do filme de Richard Donner de 1976. O roteiro original de David Seltzer foi reutilizado, e nem sequer reescrito pela equipe do novo diretor, John Moore, que numa sacada inteligentíssima, convenceu o estúdio que estamos às vésperas do Apocalipse - os tsunamis e os ataques terroristas estão aí - e, pasmem, nada melhor que aproveitar a fatídica data de 06/06/06 para lançar um filme sobre o anticristo. Não fosse a brilhante personalidade dúbia da excelente Mia Farrow, não figuraria nem na lembrança dos fãs dos filmes de horror. - Garfield 2 (Garfield: A Tail of Two Kitties, 2006, de John Moore) Parafraseando as chamadas no cinema: o gato mais famoso do mundo...continua sem um filme decente. E o que é desesperador: embarcou numa furada pior que da primeira vez. Ainda preguiçoso e comilão, mas sem o charme encantador das tirinhas ou até mesmo do desenho animado, Garfield entrou naquela história cansativa e repetitiva de ser trocado por alguém mais importante - dessa vez, ele é confundido com um gato-nobre inglês herdeiro de uma fortuna e arruma uma série de confusões em Londres. Nem mesmo a voz de Bill Murray salva. - Tristão e Isolda (Tristan + Isolda, 2006, de Kevin Reynolds) Agradável surpresa, Tristão e Isolda é mais um dos exemplares de romance medieval surgido nos últimos anos que dão certo. Dessa safra, pode ser que seja o melhor graças à sua ingenuidade que não o põe em um patamar arriscado de blockbuster, com aquela necessidade de reafirmação. Aqui, o amor proibido entre o inglês e a irlandesa que detonou a guerra entre seus países é mostrado com sobriedade e beleza pelo diretor Kevin Reynolds, que tem mão firme para manter também o clima de tensão durante as batalhas. Só merecia um protagonista que fosse além das básicas expressões faciais dificilmente elaboradas por James Franco. Curiosidade: o filme é produção bancada por Ridley Scott na República Tcheca. | Sábado, Julho 08, 2006
FILMES DE JUNHO
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