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Informações, comentários e pequenas notas sobre filmes e tudo o que cerca a sétima arte, por Hudson Dalbem, mero estudante universitário e amante inveterado do cinema TOP 10 - 2007 TOP 10 - 2006 TOP 10 - 2005 TOP 10 - 2004 SITES E BLOGS HISTÓRICO
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Quarta-feira, Agosto 30, 2006
"Peque pelo excesso, mas não pela omissão". A máxima, provavelmente dita por um desses filósofos de boteco de esquina, cai como uma luva em Cafuné, longa-metragem de estréia do diretor Bruno Vianna. O filme mostra o relacionamento de dois jovens, ela do Leblon e ele de uma favela qualquer do Rio de Janeiro, e passeia pela dificuldade em reafirmar o namoro e suas conseqüências dentro do panorama social de cada um. Há uma certa imprevisibilidade interessantíssima no que tange os acontecimentos entre os personagens do filme, mas falta pulso para levar a cabo as decisões iniciadas. Feito dentro de uma proposta mercadológica nova, que exibiu o filme na internet "para atingir um público maior", até vale arriscar. Mas para se aventurar no mercado brasileiro, o amadorismo se torna irritante.
Esquemático ao extremo, Trair e Coçar é só Começar pulou dos palcos para a telona após 20 anos de sucesso sem o menor tratamento: parecendo um esqueleto cinematográfico. A linguagem ligeira do teatro e as atuações caricaturais permanecem e, se não chegam a detonar com o filme por completo, também não ajudam. A trama tem como fio condutor a empregada Olímpia, que aliada a uma gama de personagens de um condomínio carioca, arma uma teia de mal-entendidos baseados em supostas infidelidades matrimoniais. No entanto, o que mais incomoda é mesmo o trabalho de Moacyr Góes: o diretor responsável pelos piores filmes feitos no Brasil nos últimos anos faz o óbvio, deixando seu filme com um ar parecido àquelas filmagens de casamento ou festa de aniversário. É ruim, mas ainda assim está à anos-luz de qualquer um de seus trabalhos anteriores.
É uma pena que sinônimo de bons filmes tenha virado uma cartilha de regras por aqui. Faz um tempo que para soar importante ou culto, é necessário ser socialmente engajado, ter uma direção moderninha, uma narrativa não-linear, atores desbocados e algumas cenas de nudez - no caso de A Concepção, muitas cenas. Matheus Nachtergaele comanda o movimento concepcionista que surge entre os jovens ricos de Brasília e consiste em "ser uma nova pessoa a cada dia". Infringir leis, usar drogas, fazer sexo à vontade, ou tudo aquilo que proporcione o maior prazer no menor tempo possível é um dos mandamentos do movimento. Ao final das contas, ainda sobra tempo para uma certa lição de moral: o espectador esbarrará na redenção de uns personagens e no julgamento de outros, e terá que "quebrar a cabeça" para montar o filme. Moderninho demais em conteúdo de menos. Terça-feira, Agosto 15, 2006
Não foi dessa vez que "o diretor das biografias brasileiras" marcou um golaço. Mesmo com toda a experiência em conduzir histórias reais na tela grande - é dele O Homem da Capa Preta, Lamarca, Guerra de Canudos e Mauá: O Imperador e o Rei - Sérgio Rezende derrapa no drama da figurinista brasileira Zuzu Angel, sucesso no Brasil e exterior no início da década de 70. E justamente no campo onde deveria dominar: o roteiro. Escrito a quatro mãos com Marcos Bernstein, a produção se perde numa linha narrativa que, mesclando idas e vindas dentro de um grande flashback contado em tom de denúncia pela própria protagonista, tenta, a todo custo, enfiar goela abaixo o tom melodramático do relacionamento entre Zuzu e seu filho Stuart, estudante perseguido pela polícia durante o período da ditadura militar no Brasil. A fragilidade de alguns acontecimentos tornam a produção caricata, que só ganha vigor nas fortes atuações de Patrícia Pillar e Daniel de Oliveira.
O rigor visual e estético que Andrucha Waddington propõe em seu último trabalho, certamente colocaria Casa de Areia como um dos filmes mais belos já feitos. O drama familiar vivido por três gerações de uma mesma família que se mudam para uma região inóspita nas dunas do Maranhão e lá enfrentam todas os percalços do local reforça o discurso da solidão e da dificuldade de relacionamento de mãe e filha - todas elas personificadas por Fernanda Montenegro e Fernanda Torres. As passagens de tempo pouco explicitadas, alguns furos de roteiro e situações comuns atrapalham o desenvolvimento do trabalho, mas não tiram o brilho de pelo menos duas cenas antológicas: o primeiro plano, da caravana chegando às dunas, e do último, que marca o encontro de Fernanda Montenegro com ela mesmo, num trabalho de direção e fotografia impecáveis que vale todo o resto do filme.
Há algum tempo atrás os críticos do cinema nacional usavam como principal argumento para detratar os filmes brasileiros o amadorismo que marcava as produções feitas por aqui. Atualmente esse discurso já foi pras cucuias, mas a falta de sensibilidade cinematográfica ainda é capaz de jogar alguns projetos lá no chão e nos fazer lamentar pelo desperdício de fotogramas - que, felizmente, não foi utilizado em todo o filme, produzido em vídeo digital. Cama de Gato é tão ruim, tão ruim, que até para os mais entusiasmados pelo cinema assisti-lo chega a ser uma ofensa completa. A tentativa de torná-lo socialmente importante ou incluído - que no início até parece ser um caminho louvável - não faz o menor sentido, graças a sua tamanha mediocridade. O único TRAUMA - o movimento difundido pelo filme, uma espécie de "Dogma 95" brasileiro - que sobreviverá após o filme será mesmo nos expectadores que se aventurarem na produção. Segunda-feira, Agosto 07, 2006
FILMES DE JULHO
Quarta-feira, Agosto 02, 2006
LISTAS, LISTAS E MAIS LISTAS Cinéfilos, em geral, têm muito do protagonista de Alta Fidelidade, Rob Gordon: gostam muito de listas. Quase tudo é motivo para montar um top five: melhores da década, melhores do ano, melhores do semestre. Metade de 2006 já foi e, como não poderia deixar de ser, a Liga dos Blogues Cinematográficos se movimentou para reunir os títulos mais interessantes lançados no país de Janeiro à Junho. Nesse período, mais de 150 filmes chegaram às telas de cinema e, obviamente, nem o mais árduo fã conseguiu ver todos eles. Acompanhando a crítica, as premiações e as indicações dos amigos, pude chegar a uma listinha que, se não brilha aos olhos, garante pelo menos a presença de grandes filmes e uma obra-prima: 1 - PONTO FINAL, de Woody Allen 2 - AMOR EM 5 TEMPOS, de François Ozon 3 - 2046 - SEGREDOS DO AMOR, de Wong Kar Wai 4 - CACHÊ, de Michael Haneke 5 - BOA NOITE, E BOA SORTE., de George Clooney 6 - O SEGREDO DE BROKEBACK MOUNTAIN, de Ang Lee 7 - ORGULHO E PRECONCEITO, de Joe Wright 8 - A ERA DO GELO 2, de Carlos Saldanha 9 - CARROS, de John Lasseter 10 - O NOVO MUNDO, de Terrence Malick A lista oficial da Liga - que contém os 20 melhores colocados numa votação que reuniu mais quarenta votantes e que também têm os piores filmes do período - já está disponível no blog. | |
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