|
Informações, comentários e pequenas notas sobre filmes e tudo o que cerca a sétima arte, por Hudson Dalbem, mero estudante universitário e amante inveterado do cinema TOP 10 - 2007 TOP 10 - 2006 TOP 10 - 2005 TOP 10 - 2004 SITES E BLOGS HISTÓRICO
|
Quarta-feira, Setembro 27, 2006
FESTIVAL DO RIO 2006
Segunda-feira, Setembro 25, 2006
ANO NOVO, VIDA NOVA Ainda estamos em 2006, mas dois anos se passaram e o Epílogo implorava por uma repaginada. Ainda em fase de testes, a "nova cara" traz principalmente maior organização: os amigos estão linkados do lado esquerdo - não deixe de visitá-los! -, a Liga dos Blogues ganha crédito, os meus arquivos mais acessibilidade e eu uma área maior para falar do que realmente interessa. Talvez as fotografias pareçam um tanto quanto descentralizadas, visualmente incômodas, principalmente na área de arquivos. Mas prometo que "agora a coisa vai"! | Domingo, Setembro 24, 2006
O DIABO VESTE PRADA (The Devil Wears Prada, 2006, de David Frankel) Quando você se permite, numa sala escura de cinema, a sétima arte acaba se tornando a maior de todas as representações artísticas, justamente por sua aproximação com os sentimentos humanos. O gostinho de felicidade perante um amor concretizado, o caos inerente aos acontecimentos dramáticos do dia-a-dia e suas fatalidades, a diversão que chega de onde só poderiam vir lágrimas. Tudo isso atinge o homem - novamente, àqueles que se permitem - com muita força. A velha história da "vida imita a arte" ou a "arte imita a vida". E aí, parar duas horas frente a uma tela gigante, pode acabar sendo o ponto alto de uma semana conturbada. Eu poderia me debruçar sobre alguns parágrafos para falar das qualidades de O Diabo Veste Prada, filme baseado no livro homônimo de Lauren Weisberger, uma ex-assistente de moda da revista Vogue, cuja experiência lhe valeu esse best-seller americano. Poderia falar sobre as várias óticas que o roteiro permite: o embate entre a editora da maior revista americana de moda e sua subalterna, da simbologia de Davi e Golias, da descoberta daquilo que você é e do que pode se tornar, do que é capaz de fazer de acordo com as regras a qual você esteja submetido, de escrúpulos, ética profissional, obstinação, caráter, do quanto você é humano e do quanto julga aquilo que lhe parece ser. Poderia lembrar que ninguém além de Meryl Streep está apta a demonstrar sentimentos tão díspares com um só olhar, mas que - thank, God! - existe a doçura de uma Anne Hathaway para dividir o brilho com a dama do cinema. Não poderia esquecer de uma Nova York brilhantemente fotografada, de uma direção competente e de uma edição esperta, acompanhada de uma excelente trilha sonora adaptada (U2, Moby, Jamiroquai, Alanis Morissete... até Madonna funciona!) que pulsa junto com o ritmo do filme. No final das contas não importa muito se você não entende de moda e até hoje não descobriu por que as mulheres desfilam com chapéus de pena de pavão ou com aqueles vestidos inexplicáveis sendo que nas ruas - até mesmo as de Nova York - e nas vitrines das lojas não é isso que se encontra. Cinema é se permitir. Goste você da rajada de balas do Chuck Norris, do sentimentalismo do Spielberg ou dos quebra-cabeças do David Lynch. O que vale mesmo é estar de peito aberto e sentir. | Segunda-feira, Setembro 18, 2006
O MAIOR AMOR DO MUNDO (idem, 2006, de Cacá Diegues) "Destino é bicho implacável". Certamente todo mundo deve ter ouvido ou tirado suas próprias conclusões a respeito da frase. A arte, mais especialmente as cênicas, tem se debruçado sobre o assunto ao longo do tempo e exemplares não faltam nos últimos anos. O diretor mexicano Alejandro Gonzáles Iñárritu faz deste o seu principal motivo (Amores Brutos e 21 Gramas são deleites sobre o tema, assim como o novo Babel parece ser) e constrói obras com excelência. E agora, com um pouco menos de virtuosismo, Cacá Diegues se arrisca neste campo com o seu novo trabalho, O Maior Amor do Mundo. O filme acompanha a chega de um astrofísico brasileiro, Antônio, radicado nos Estados Unidos que vem ao país receber um prêmio do governo federal. À beira da morte, ele descobre fatos sobre seu passado que poderiam mudar completamente o rumo de sua vida e parte em busca de algumas respostas. O roteiro segue duas linhas narrativas interessantes que se fundem todo o tempo, uma delas feita em flashback que retrata a infância do protagonista, tal como ela foi, e uma outra acompanha um garoto da baixada fluminense que trabalha para os traficantes da favela. Juntas, as duas remontam de forma bastante simples as características psicológicas de Antônio, mostrando tudo o que ele foi e o que ele poderia ter sido. Permeado de uma dose de crítica social, para não deixar de ser engajado, mas caindo nos rótulos costumeiros, o filme tem dois primeiros atos arrastados, justificados numa atuação apática de José Wilker, mas ganha força na última meia hora, quando uma série de eventos bastante elaborados justificam os meios. E aí o discurso de que não há como fugir daquilo que nos espera, como se uma força maior regesse as nossas vidas, se repete. Mas pelo menos Cacá se recupera das duas últimas decepções, Orfeu e Deus é Brasileiro. | Segunda-feira, Setembro 11, 2006
A DAMA NA ÁGUA (Lady in the Water, 2006, de M. Night Shyamalan) É difícil imaginar que mesmo depois de dois excelentes filmes - injustamente subestimados -, um cineasta consiga fazer um novo trabalho melhor que os anteriores, ainda mais se tratando de alguém com poucos títulos no currículo. Mas a façanha tem nome e sobrenome: A Dama na Água, do diretor e roteirista M. Night Shyamalan. Vendido como uma "fábula infantil", esse certamente é o mais complexo filme de Shyamalan, e por conseqüência, acaba se tornando uma daquelas espécies únicas, difícil de digerir de uma só vez. Basicamente a história acompanha a chegada de uma ninfa do mar, Story, em um condomínio americano, mas concentra seu drama na comoção dos moradores, liderados por Mr. Heep, o zelador do local, que tentam mandar a jovem para seu lugar de origem, o Mundo Azul. O que deixa o filme muito além de um conto de ninar é a forma com a qual Shyamalan o constrói: já na sua concepção ele deixa de lado a inocência e se justifica num argumento de certa forma já utilizado por ele mesmo, mas melhor desenvolvido aqui, sem esquecer os elementos que compõem uma fábula - que são bastante perceptíveis em todo o filme, como o humor rasteiro presente em alguns personagens e que se torna uma grata novidade nos filmes do diretor. Mas na contra-mão de seus trabalhos anteriores, Shyamalan usa o prólogo, uma deliciosa animação que lembram rabiscos de criança, para expor o dorso principal do filme: mocinhos e bandidos já ganham seus papéis, as motivações ficam claras e até mesmo a justificativa surge numa frase curta e importante - dessa vez não há reviravolta no final que prenda o filme à última cena. Aliás, ao longo dos 110 minutos de duração, as ações são bastante meticulosas, compostas de forma minuciosa pelo roteiro. Alguns diálogos são capazes de amarrar toda a história e ainda assim, tamanho suspense mantido com mãos firmes pela câmera que procura o melhor ângulo e pela trilha sonora que mantém a tensão lá no alto, chegam a passar despercebidos. Toda essa precisão ao explanar sua história deixa o filme um quebra-cabeça que se encaixa perfeitamente a um conjunto maior - e ainda sobra tempo para o diretor dilacerar seu ponto de vista sobre os mais recentes fatos por ele enfrentado no mundo real. As péssimas críticas destinadas a Sinais e, principalmente, A Vila e todo o problema com a Disney durante o desenvolvimento desta produção, culminaram num personagem vivido por Bob Balaban, um daqueles críticos de cinema aborrecido que tem aos montes por aí e que tem um papel fundamental no filme. Ele guarda uma das frases mais marcantes - "Não há nada mais original neste mundo, Mr. Heep. É um triste fato com o qual tenho que viver" - e é alvo de uma outra determinante - "Que tipo de pessoa é tão arrogante em dizer que sabe as intenções de um ser humano?" -, numa espécie de desabafo do diretor. Shyamalan sabe onde pisa e onde quer chegar e só o esboço da vizinhança que esquece suas peculiaridade e passam a lutar com um único propósito já valeria o filme, mas sua fábula ainda traz aquele gostinho de esperança e fé que as crianças costumam guardar até entrar de cabeça no mundo de cá. É como diz um personagem a certa altura do filme: "Eu gostaria de ser criança novamente, preciso acreditar que existe algo mais que este horror que nos circunda". | Domingo, Setembro 10, 2006
FESTIVAL DE VENEZA 2006
Diferentemente de Cannes, mais agregado ao cinema cult dos quatro cantos do mundo, nos últimos anos o Festival de Veneza tem aberto às portas aos filmes americanos do "circuito de arte", aqueles que em dezembro vão parar nas listas de melhores do ano, culminando com os Oscars em fevereiro. No ano passado, O Segredo de Brokeback Mountain e Boa Noite, e Boa Sorte saíram laureados de lá e chegaram no palco do Kodak Theatre disputando várias categorias. O mesmo aconteceu com O Segredo de Vera Drake, em 2004, e com 21 Gramas e Encontros e Desencontros - este exibido fora de competição - em 2003. Desta década para cá, uma série de prêmios de atuação dados em Veneza culminou com uma indicação ao prêmio da Academia: Julianne Moore por Longe do Paraíso, Javier Bardem em Antes do Anoitecer e David Strathairn e Imelda Staunton.
Sábado, Setembro 09, 2006
VÔO UNITED 93 (United 93, 2006, de Paul Greengrass) Há um fator extra que toma conta de quem assiste a Vôo United 93: o lado psicológico. Entrar numa sala de cinema sabendo que o que você vai ver é um drama de ação baseado em eventos reais já torna a experiência bem mais pessoal. Saber que se trata de um acontecimento de proporções tão gigantescas quanto os ataques terroristas sofridos pelos Estados Unidos em 11 de Setembro de 2001 deixa isso tudo muito mais visceral. E se apoiando nisso, o diretor Paul Greengrass não criou grandes estripulias e manteve os pés no chão para fazer deste um dos filmes mais impactantes da temporada. Apesar de focar sua ação no quarto vôo seqüestrado pelos terroristas árabes, destinado ao Pentágono e que foi abatido antes do choque, Greengrass não abandona o contexto dos acontecimentos e amarra sua história ao atentado em si, mostrando toda a movimentação das centrais que controlavam o espaço aéreo norte-americano, desde a descrença de uma possível nave seqüestrada, confirmando a auto-suficiência daqueles que se julgavam impenetráveis e imbatíveis, até a impotência frente a uma situação inimaginável. Dessa forma, o diretor e roteirista parte para um busca sem apresentar respostas, apontar culpados ou motivações, mas traçando dois painéis distintos: os daquele que não conseguem esboçar uma reação diante do fato consumado em contraste com a tripulação do vôo 93, que se não conseguem salvar suas vidas, pelos menos poupam outras vidas e o pouco que resta da integridade do seu país - pelo menos naquele momento. Para manter o clima de tensão durante todo o tempo, o diretor, quando não movimenta sua câmera com habilidade e rapidez - Vôo United 93 tem um dos finais mais tensos dos últimos tempos graças a um ótimo trabalho de direção - abusa das falas atravessadas, principalmente entre os personagens das centrais de comando de vôo. E isso basicamente é o que sustenta o filme, que se resume, a grosso modo, em um 'cala a boca' para os que achavam que projetos como este, que remontam um momento tão cruel da humanidade, eram 'desnecessários'. | Sexta-feira, Setembro 08, 2006
SÉRIE EPÍLOGOS "Este não é um relato de feitos heróicos. É um fragmento de duas vidas que percorreram juntas um caminho, compartilhando as mesmas aspirações e os mesmos sonhos.Será que nossa visão foi estreita demais, parcial demais, apressada demais? Nossas conclusões foram rígidas demais? Talvez. Mas esse vagar sem rumo por nossa América colossal me transformou mais do que pensava. Não sou mais o mesmo. Pelo menos, não sou mais o mesmo por dentro." Diários de Motocicleta (The Motorcycle Diaries, EUA/Alemanha/Inglaterra/Argertina/Chile/Peru/França, 2004) de Walter Salles | Quarta-feira, Setembro 06, 2006
Jude Law versão 2004/2005*: - - - - - - Huckabees - A Vida é uma Comédia DESVENTURAS EM SÉRIE Filmes sobre crianças órfãs sob cuidado de tutores malvados pronto para dar um fim neles e ficar com a herança são feitos aos montes. Bons filmes não. Desventuras em Série, amálgama dos livros de Daniel Handler, é uma fábula cínica contada de forma onisciente por Lemony Snicket, o autor da história dos irmãos Baudelaire, que ganha a voz britânica e bem postada de Jude Law. Com um ritmo bastante ligeiro, graças a uma ótima edição, o filme ganha força nos trabalhos técnicos de direção de arte e trilha sonora, bem como nas atuações sempre competentes de Jim Carrey e Meryl Streep. O roteiro prioriza situações inteligentes em sua estrutura e peculiaridades, e se apoia em Violet, Klaus e Sunny, os herdeiros da fortuna da família, que possuem características e habilidades que acabam interferindo de alguma forma no decorrer dos acontecimentos que compõem um conto juvenil onde se descobre que o mundo não é um lugar tão bom assim para se viver como se pensava - ainda que o final... bem, esse a gente julga pela fantástica dose de humor. ___________________________________________________________________ * A brincadeira começou em novembro de 2004, e de lá pra cá Jude Law não deu mais as caras na telona. Então, até que a versão 2006/2007 (All the King's Men, Breaking and Entering, The Holiday, My Blueberry Nights) entre em cartaz, estou em tempo de finalizar, certo? | FILMES DE AGOSTO
|
Visualizado somente com Internet Explorer |