Informações, comentários e pequenas notas sobre filmes e tudo o que cerca a sétima arte, por Hudson Dalbem, mero estudante universitário e amante inveterado do cinema




Segunda-feira, Janeiro 29, 2007

:: primeira-mão ::
DREAMGIRLS - EM BUSCA DE UM SONHO




O gosto de decepção dos produtores de Dreamgirls - Em Busca de um Sonho, primeiro filme na história do Oscar a conseguir o maior número de indicações numa mesma edição e não estar presente nas três principais categorias da festa - filme, direção e roteiro - é, muito provavelmente, o mesmo gosto que resta ao público depois de suas duas horas de exibição. A trajetória da produção, que tirou os pés do chão quando sua glória foi alardeada, há mais de um ano, e em especial no preview exibido em Cannes 2006, para se tornar mais espetáculo e menos cinema, culminou com os burros n'água e não é difícil entender o porquê.

O filme tem um entediante discurso preconceituoso, reforçando, na menor oportunidade surgida, o quão cruel são suas intenções. No mundo orquestrado por Bill Condon, negros e brancos disputam os espaços no show business como na sociedade, e músicas e público são motivos para quedas-de-braço cantadas com vigor até mesmo nas canções - ironia das mais finas. Não é de hoje que se conhecem as barreiras impostas pelo racismo nos Estados Unidos, mas torna-se alarmante saber que alguém abraça um dos lados a ponto de soar ameaçador para outro. Faltou cuidado na hora de criar um pano de fundo, que surge em uma ou outra cena, mas que esbarra na fragilidade da narrativa.

Dessa forma, sobra uma lista infindável de boa música, interpretada por vozes encantadoras, que se perdem diante da necessidade de alavancar a história cheia de inveja e orgulho, típica de qualquer grupo musical não estruturado. O grande problema por trás das Dreamgirls, Deena, Effie e Lorrell, atende pelo nome de Curtis Taylor, personagem de Jamie Foxx que se torna a moviola da gama de acontecimentos, mas que é construído em cima de um disse-me-disse incrivelmente mal elaborado, que traz junto dele idas e vindas e situações nunca suficientemente esclarecedoras. Daí não dá pra exigir demais de Beyoncé Knowles e Jennifer Hudson, que nunca foram atrizes: a primeira, em seu terceiro trabalho no cinema, mantém a mesma expressão insossa durante boa parte do filme, mas arrebata e encanta no solo de "Listen"; já a novata saída de American Idol é a personagem mais presente e regular no universo dos dramas pessoais e guerra de egos.

Fica claro, então, que não basta uma lista de boas canções bem coreografadas para tornar um musical sucesso. A transposição broadway-cinema, elegantemente feita em Chicago, o último grande musical hollywoodiano, não depende de maciços investimentos em divulgação: o boca-a-boca pode funcionar muito mais. Senão, basta um álbum com suas singelas vinte músicas e um teaser de cinco minutos para deixar o delicioso gostinho de felicidade no rosto.




ficha técnica
Dreamgirls
produção americana de 2006
dirigida por Bill Condon
com Jamie Foxx, Beyoncé Knowles, Eddie Murphy, Danny Glover, Jennifer Hudson, Anika Noni Rose
131' de duração

postado por HUDSON às 4:47 PM

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Sexta-feira, Janeiro 26, 2007

:: primeira-mão ::
TURISTAS




Para quem, no final do ano passado, mudou-se para Marte e perdeu o bom da festa é bom saber: Turistas trata-se de uma produção norte-americana filmada no Brasil que percorria a viagem de jovens estrangeiros no país, que após muita festa e badalação, caiam nas mãos de um grupo criminoso responsável pelo tráfico de órgãos no local. A questão toda envolvendo o filme é que tão logo surgiu a notícia do seu nascimento para a imprensa norte-americana diversos veículos de comunicação aqui no país saltaram da cadeira e, obviamente, se aproveitando de algo que prometia "denegrir a imagem do Brasil no exterior", encheram a internet de notícias sobre ele. Comunidades no Orkut e e-mails-correntes pipocaram tentando impedir a estréia no circuito nacional ou clamando o público para boicotar a produção, e de repente um filme qualquer ganhou o marketing que os produtores queriam.

Balela e pura promoção. Todo o fuzuê não faz o menor sentido por diversos pontos. O principal é que o filme foi feito com aval da Ancine (Agência Nacional de Cinema), do Consulado Brasileiro em Los Angeles e com o apoio de diversas prefeituras de cidades paulistas e baianas, bem como do IBAMA, da Quanta e Kodak (empresas responsável pelos filmes e revelações de boa parte das produções nacionais). Portanto, não dá pra dizer os "americanos se aproveitaram da onda de boatos e fizeram o que bem entendiam". Há até um singelo agradecimento no final por parte dos produtores, pelas "pessoas do Brasil e pela sua hospitalidade e cooperação com esse filme" durante os créditos da produção.

Ainda assim, não dá pra levar o filme a sério, obviamente. Primeiro, por que trata-se de uma ficção escandalosa, como tantas outras que detonavam jovens americanos na Eslováquia, Holanda, Austrália ou qualquer lugar do mundo. Produto típico exportação do cinema hollywoodiano, selado com a etiqueta "recomendado somente para jovens". Segundo, por que os responsáveis pelo longa esqueceram-se que o país não é mero paraíso tropical e não bastava bolar uma história qualquer e enfiar goela abaixo. O Brasil, sua cultura e política mostrado em Turistas é aquele saído de livros e enciclopédias do primeiro grau, uma visão estúpida e burra sobre quinhentos anos de história - o argumento principal utilizado por um brasileiro a certa altura chega a doer o estômago.

O suspense, embalado por muito Marcelo D2, até certo ponto não chega a incomodar como se previa e consegue de maneira muito simples e óbvia (como feito no recente Abismo do Medo) prender o expectador mais ligado. No entanto, apontar as armas contra o filme é, como grande parte do que acontece no país, numa comparação esdrúxula, arrancar os galhos e deixar a raiz. Se políticos-mor, a primeira janela vista por quem está de fora, agem como estamos cansados de ver, não dá pra imaginar que algo diferente possa vir de uma indústria que aproveita os menores motivos para fazer uma graninha. Façamos um boicote aos figurões que passam anos e anos sentados em seus gabinetes e jatinhos e talvez não tenhamos que nos deparar com mais produtos - e não filmes - que possam ferir nosso orgulho patriótico.




ficha técnica
Turistas
produção americana de 2006
dirigida por John Stockwell
com Josh Duhamel, Melissa George, Olivia Wilde, Miguel Lunardi
94' de duração

postado por HUDSON às 11:21 AM

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Terça-feira, Janeiro 23, 2007

OSCAR 2007
:: indicados ::




As indicações para a 79ª edição do Oscar certamente será lembrada pelos recordes: o maior número de filmes gabaritados para competir pelas estatuetas; o maior número de representantes estrangeiros; a presença de Meryl Streep, atriz que mais vezes concorreu ao prêmio até hoje - por O Diabo Veste Prada ela conseguiu sua décima quarta nomeação; a oitava indicação do veteraníssimo Peter O'Toole, que nunca venceu até hoje (tem apenas um Oscar Honorário pela carreira); pela primeira vez um filme latino-americano somou tantas indicações quanto O Labirinto do Fauno (lembrado em 6 categorias, incluindo Melhor Filme Estrangeiro); a britânica Kate Winslet se tornou a mais jovem atriz, aos 31 anos de idade, a conseguir cinco indicações na carreira (antes de Pecados Íntimos, ela foi indicada por Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças, Íris, Titanic e Razão e Sensibilidade) e, se confirmar as especulações presentes em fóruns e listas de discussões, Dreamgirls se tornará o primeiro filme da história a ter o maior número de indicações numa edição e não estar presente nas duas principais categorias da festa: Melhor Filme e Diretor.

Entre os esquecidos, algumas surpresas: Volver, favorito durante toda a corrida para Filme Estrangeiro, saudado como a nova obra-prima de Pedro Almodóvar, seqüer foi lembrado, conseguindo apenas a merecida indicação para Penélope Cruz - que Salma Hayek, que apresentou os indicados junto do presidente da Academia Sid Ganis, vibrou como se fosse sua; e Jack Nicholson , que também rumava para confirmar o recorde absoluto entre os homens com uma provável décima-terceira indicação na genial parceria com Martin Scorsese, deu lugar a Mark Wahlberg, seu companheiro de elenco em Os Infiltrados. Já entre os que estavam firmes atrás de uma indicação, destacam-se Cartas de Iwo Jima e Clint Eastwood, que não figuravam entre os favoritos mas acabaram marcando presença reforçando o duelo entre Eastwood e Scorsese, como aconteceu há dois anos atrás. A indicação do responsável pelos filmes sobre as batalhas em Iwo Jima enfraquece o favoritismo de Martin, em sua sexta nomeação como diretor, sendo três nos últimos seis anos - resumidante é assim: basta Scorsese fazer uma ficção que seu filme será lembrado, sem desmerecer a enorme qualidade de seu trabalho, já que, obviamente, o comentário não passa de uma grande brincadeira.

Mas Oscar não é Oscar se não surgir alguma besteira de última hora: mesmo lembrado no WGA, nada nesse mundo explica a presença de Borat na categoria de roteiro adaptado. A festa, com suas típicas quatro horas e meia de duração, acontecerá no domingo 25 de fevereiro, e promete ser menos sonolenta que no ano passado: a apresentação ficará a cargo da divertida Ellen DeGeneres. A transmissão no Brasil será feita pela Rede Globo (que em 2006 teve a audácia de começar a exibir o prêmio quando mais de uma hora do seu início já havia se passado) e do canal Warner Channel.

Os indicados nas principais categorias estão listados abaixo e os demais pode ser conferido no site oficial da Academia de Artes e Ciências de Hollywood.

Filme
Babel
Pequena Miss Sunshine
Os Infiltrados
Cartas de Iwo Jima
A Rainha

Diretor
Clint Eastwood, por Cartas de Iwo Jima
Stephen Frears, por A Rainha
Alejandro Gonzalez Iñárritu, por Babel
Martin Scorsese, por Os Infiltrados
Paul Greengrass, por Vôo United 93

Ator
Leonardo DiCaprio, Diamante de Sangue
Ryan Gosling, Half Nelson
Peter O'Toole, Venus
Will Smith, À Procura da Felicidade
Forest Whitaker, O Último Rei da Escócia

Atriz
Penélope Cruz, Volver
Judi Dench, Notes on a Scandal
Helen Mirren, A Rainha
Meryl Streep, O Diabo Veste Prada
Kate Winslet, Pecados Íntimos

Atriz Coadjuvante
Adriana Barraza, Babel
Cate Blanchett, Notes on a Scandal
Abigail Breslin, Pequena Miss Sunshine
Jennifer Hudson, Dreamgirls
Rinko Kikuchi, Babel

Ator Coadjuvante
Alan Arkin, Pequena Miss Sunshine
Mark Wahlberg, Os Infiltrados
Jackie Earle Haley, Pecados Íntimos
Djimon Honsou, Diamante de Sangue
Eddie Murphy, Dreamgirls

Roteiro Original
Babel
Cartas de Iwo Jima
Pequena Miss Sunshine
O Labirinto do Fauno
A Rainha

Roteiro Adaptado
Pecados Íntimos
Os Infiltrados
Notes on a Scandal
Borat
Filhos da Esperança

Filme Estrangeiro
Water (Canadá)
Dias de Glória (Algéria)
The Lives of Others (Alemanha)
O Labirinto do Fauno (México)
After the Wedding (Dinamarca)

Animação
Carros
Happy Feet: O Pingüim
A Casa Monstro

postado por HUDSON às 4:30 PM

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SÉRIE EPÍLOGOS

"Quantas vidas vivemos? Quantas vezes morremos? Dizem que todos nós perdemos 21 gramas no momento exato de nossa morte. Todos. Quanto cabe em 21 gramas?Quanto é perdido? Quando perdemos 21 gramas? Quanto se vai com eles? Quanto é ganho? 21 gramas. O peso de cinco moedas de cinco centavos. O peso de um beija-flor. De uma barra de chocolate. Quanto pesam 21 gramas?".

21 Gramas (21 Grams, EUA, 2003) de Alejandro González Iñárritu



Domingo, Janeiro 21, 2007

:: primeira-mão ::
A RAINHA




Dentre todas as formas possíveis de se fazer um filme, a começar pela escolha de seu tema, tratar de um assunto histórico é bem provável que seja, perante os olhos de quem o vê, uma das mais arriscadas situações, tomadas as proporções de figurar no conhecimento de muita gente por aí. É bastante óbvio que relatar fatos genuínos em celulóide muitas vezes se torna mero exercício burocrático de transplantação da realidade para um veículo bem mais tátil. No entanto, trabalhar com o imaginário desse mesmo público, além de brincar com as suas fontes e fatos, e trazer a essa mesma história a presença de um considerável "se", acaba por dignificar a narrativa e encaixa-la numa seleta lista de filmes corajosos. A Rainha, por seu espetacular conjunto, certamente se permite fazer parte desse grupo e vai um pouquinho mais além: ao retratar os bastidores da família real inglesa quando da morte da princesa Diana, o roteiro de Peter Morgan dá cabo a todas essas histórias imaginadas com a ousadia de trazê-las à tona quando todos os envolvidos e nela representados estão vivos, lúcidos e ainda por cima fazem parte do clã mais poderoso ainda de pé sobre a Terra.

Figura gélida e durona desde que o mundo é mundo, a atual rainha da Inglaterra ganha um retrato perspicaz, imerso na figura de Helen Mirren - que na impostação da voz e nos trejeitos chega a ser impossível imaginar outro alguém para o seu lugar - que se incomoda com os possíveis olhares de reprovação de seus súditos e prefere manter-se alheia, até o último momento possível, a um fato que altera profundamente os rumos de seu país. Seus laços com o primeiro-ministro Tony Blair escancara o homem no político determinado a cumprir seu juramento, e sua posse dias antes do acidente no túnel francês explica sua postura exageradamente correta.

Mesmo mesclando diversas cenas reais ao cenário fictício montado, obviamente não dá para credenciar A Rainha como uma obra definitiva ou um profundo relato a ponto de passar a figurar como referência factual. Está, como qualquer outro que assuma seu papel de preencher uma lacuna histórica, de qualquer tempo ou período, passível de erros. Mas a ousadia de uma equipe que torna possível o surgimento de uma pequena obra-prima como esta não pode nem merece passar em branco: nada mais justo que os aplausos de pé.





ficha técnica
The Queen
produção inglesa de 2006
dirigida por Stephen Frears
com Helen Mirren, Michael Sheen, James Cromwell, Sylvia Syms
97' de duração

postado por HUDSON às 4:55 PM

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Quarta-feira, Janeiro 17, 2007

:: primeira-mão ::
PECADOS ÍNTIMOS




Apesar de não ser um filme de segmentos e várias histórias que se unem em um determinado ponto, como Short Cuts - Cenas da Vida e Crash - No Limite, ainda que seus personagens tenham sempre um elo em comum, desfilam pela tela do novo filme do diretor Todd Field diversos tipos psicológicos que ajudam sustentar a história que está sendo contada. Entre todos eles, adultos frustrados que, como bons adultos, parecem descarregar seus problemas numa forte dose de tensão sexual, há um casal de crianças, na inocência de seus primeiros anos de idade, que dita o ritmo contrastante exposto pelo diretor.

Através delas, o roteiro escrito a quatro mãos por Field e Tom Perrotta, autor do romance homônimo, dilacera sem o menor pudor a relação entre Sarah e Brad. Ambos casados, os dois se conhecem num parque infantil e engatam um romance sexual cheio de medo e desejo, usando os filhos como álibi e motivação. Aos poucos a relação entre eles se torna necessária, a fuga há tanto tempo esperada. No entanto, a densidade proposta aqui perde um pouco do impacto quando Field resolve manter uma mesma voz do início ao fim, uma linearidade que, mesmo angustiante, parece nunca trazer à tona um clímax ou uma acentuação nas situações (algo que só ocorre muito perto do fim, como em um último capítulo de novela das oito). A trama principal vivida com maestria - mais uma vez - por Kate Winslet e Patrick Wilson, é realçada por várias outras menores, todas focadas em dilemas sexuais que envolvem pedofilia, artimanhas virtuais e desculpas triviais.

Contado por um narrador que tudo vê, mas nunca dá as caras, Pecados Íntimos carrega um peso literário forte, talvez pela presença do autor no desenvolvimento do projeto. Nada que o transforme em mau cinema, mas o gostinho de que poderia ser ainda melhor é inevitável.




ficha técnica
Little Children
produção americana de 2006
dirigida por Todd Field
com Kate Winslet, Patrick Wilson, Jennifer Connelly, Jackie Earle Haley
130' de duração

postado por HUDSON às 3:35 PM

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Terça-feira, Janeiro 16, 2007

GLOBO DE OURO 2007
:: vencedores ::



Aparentemente maior que nos últimos anos, passando das três horas de duração, o Globo de Ouro continua sendo o prêmio mais divertindo da temporada, perdendo em charme para o Oscar, mas ganhando muito com discursos inusitados depois dos convidados esbaldarem-se em champanhe durante a noite. No último ano as indicações da Associação Estrangeira de Hollywood chegaram ao cúmulo de superar a tradicional Academia, principalmente na maior categoria da festa.

As escolhas de 2007, esquecendo o caráter justificável ou não dos vitoriosos - muita gente vai bater o pé que fulano "merecia mais" ou que tal filme "é medonho" quando na verdade tudo não passa de uma grande brincadeira e marketing pessoal - foram bastante óbvias, com vitoriosos sendo cantados há algum tempo. A divisão de troféus confirma a tendência de um ano repleto de grandes nomes e todo mundo saiu contente: Babel o melhor filme, Scorsese o diretor, Clint Eastwood com um prêmio de melhor filme em língua estrangeira (por seu nipônico Cartas de Iwo Jima), Dreamgirls levando seus coadjuvantes à glória, além de ser eleito melhor filme na categoria musical/comédia, Meryl Streep com seu quinto troféu debaixo do braço - em sua 21ª indicação na história do prêmio - e ainda dona do melhor discurso da noite, e o charme inglês de Helen Mirren subindo no palco para receber dois prêmios como a rainha da Inglaterra: no drama A Rainha e no telefilme Elizabeth I.

Costuma-se dizer que de uns anos para cá os Globos deixaram de ser o termômetro do Oscar - os envelopes com os indicados ao prêmio da Academia foram enviados até sexta passada, ou seja, antes dos vitoriosos dessa noite - e por isso não dá pra medir, apenas por ele, se há algum favorito para a festa de 26 de fevereiro. Quanto às indicações, os prêmios das associações de críticos e sindicatos já restringiram tanto quanto poderia e não é difícil afirmar que todos os vencedores daqui, lembrados em tantas listas durante a temporada, estarão presentes. Alguns em menor quantidade (dificilmente Clint concorrerá duas vezes entre os diretores), outros talvez em maior (o buzz em torno da dupla indicação de DiCaprio é forte, mas dividido nas categorias principal e coadjuvante do Oscar) e talvez uma única ausência (Sacha Baron Cohen terá que ralar muito para conseguir uma indicação por Borat).

Todos os vencedores dessa 64ª edição do Golden Globe Awards, categoria cinema:

MELHOR FILME - DRAMA
Babel

MELHOR ATRIZ DE FILME DRAMA
Helen Mirren, por A Rainha

MELHOR ATOR DE FILME DRAMA
Forest Whitaker, por O Último Rei da Escócia

MELHOR FILME - COMÉDIA OU MUSICAL
Dreamgirls - Em Busca de um Sonho

MELHOR ATRIZ EM COMÉDIA OU MUSICAL
Meryl Streep, por O Diabo Veste Prada

MELHOR ATOR EM COMÉDIA OU MUSICAL
Sacha Baron Cohen, por Borat

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Jennifer Hudson, por Dreamgirls - Em Busca de um Sonho

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Eddie Murphy, por Dreamgirls - Em Busca de um Sonho

MELHOR FILME DE ANIMAÇÃO
Carros

MELHOR FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA
Cartas de Iwo Jima (EUA/Japão)

MELHOR DIRETOR
Martin Scorsese, por Os Infiltrados

MELHOR ROTEIRO
Peter Morgan, por A Rainha

MELHOR TRILHA SONORA ORIGINAL
Alexandre Desplat, por O Véu Pintado

MELHOR MÚSICA ORIGINAL
Prince, com The Song Of The Heart, de Happy Feet - O Pingüim

postado por HUDSON às 11:13 AM

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Domingo, Janeiro 14, 2007



#17 DGA / WGA / EDDIE / ASC / CDG / BROADCAST

Antes da festa do Globo de Ouro, na próxima segunda-feira, as associações norte-americanas divulgaram as últimas listas de melhores do ano, principalmente entre as associações que defendem a própria categoria. A Broadcast, a última remanescente entre os críticos, cumpriu protocolo: Os Infiltrados, Martin Scorsese, Helen Mirren e Forest Whitaker foram escolhidos os melhores entre filmes, diretores, atrizes e atores, respectivamente. Já a associação dos figurinistas teve entre seus 15 indicados nas diversas categorias (filme de época, contemporâneo e fantasia) alguns dos filmes que não devem ficar de fora da festa do Oscar, como Maria-Antonieta, O Diabo Veste Prada e Dreamgirls.

Entre os fotógrafos, lembranças apenas para filmes relegados ao segundo escalão dos prêmios da Academira: Apocalypto, Filhos da Esperança, O Ilusionista, Dália Negra e O Bom Pastor vão duelar pela vitória. O Eddie, que premia os montadores, trouxe dois nomes de peso (Stephen Mirrione, por Babel, e Thelma Schoonmaker, de Os Infiltrados) e muita gente nova. Já as duas associações mais determinantes, a Writers Guild Awardse a Directors Guild Awards, ignoram solenemente os dois filmes de Clint Eastwood, focando suas premiações em Os Infiltrados, A Rainha, Babel, Dreamgirls e Pequena Miss Sunshine.

Abaixo segue a lista dos vencedores em todas as categorias e associações:

- DGA

Bill Condon, por Dreamgirls
Jonathan Dayton e Valerie Faris, por Pequena Miss Sunshine
Stephen Frears, por A Rainha
Alejandro Gonzalez Iñárritu, por Babel
Martin Scorsese, por Os Infiltrados

- WGA

Roteiro Original:
Babel, de Guillermo Arriaga
Pequena Miss Sunshine, de Michael Arndt
A Rainha, de Peter Morgan
Mais Estranho que a Ficção, de Zach Helm
Vôo United 93, de Paul Greengrass

Roteiro Adaptado:
Borat, de Sacha Baron Cohen, Anthony Hines, Peter Baynham e Dan Mazer
Os Infiltrados, de William Monahan
O Diabo Veste Prada, de Aline Brosh McKenna
Pecados Íntimos, de Todd Field e Tom Perrotta
Obrigado por Fumar, de Jason Reitman

- ASC

Emmanuel Lubezki, por Filhos da Esperança
Dick Pope, por O Ilusionista
Robert Richardson, por O Bom Pastor
Dean Semler, por Apocalypto
Vilmos Zsigmond, por Dália Negra

- EDDIE

Drama:
Stephen Mirrione e Douglas Crise, por Babel
Stuart Baird, por 007 - Cassino Royale
Thelma Schoonmaker, por Os Infiltrados
Lucia Zuccheti, por A Rainha
Clare Douglas, Christopher Rouse, Richard Pearson, por Vôo United 93

Comédia e Musical:
Mark Livolsi, por O Diabo Veste Prada
Virginia Katz, por Dreamgirls
Pamela Martin, por Pequena Miss Sunshine
Craig Wood, Stephen Rivkin, por Piratas do Caribe: O Baú da Morte
Dan Glauberman, por Obrigado por Fumar

- CDG

Figurinos em filme de época:
Milena Canonero, por Maria Antonieta
Sharen Davis, por Dreamgirls
Chung Man Yee, por A Maldição da Flor Dourada
Ngila Dickson, por O Ilusionista
Penny Rose, por Piratas do Caribe: O Baú da Morte

Figurinos em filme contemporâneo:
Patricia Field, por O Diabo Veste Prada
Consolata Boyle, por A Rainha
Nancy Steiner, por Pequena Miss Sunshine
Lindy Hemming, por Cassino Royale
Michael Wilkinson, por Babel

Figurinos em filme de fantasia:
Kym Barrett, por Eragon
Renee April, por Fonte da Vida
Sammy Sheldon, por V de Vingança
Lala Huete, por O Labirinto do Fauno
Judianna Makovsky, por X-Men 3: O Confronto Final

- BROADCAST

Filme: Os Infiltrados
Diretor: Martin Scorsese, por Os Infiltrados
Ator: Forest Whitaker, por O Último Rei da Escócia
Atriz: Helen Mirren, por A Rainha
Elenco: Pequena Miss Sunshine
Roteiro: Michael Ardnt, por Pequena Miss Sunshine
Filme Estrangeiro: Cartas de Iwo Jima
Documentário: Uma Verdade Inconveniente
Animação: Carros
Trilha Sonora: Philip Glass, por O Ilusionista
Canção: "Listen", de Dreamgirls

postado por HUDSON às 12:10 AM

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Quinta-feira, Janeiro 11, 2007

:: primeira-mão ::
BORAT: O SEGUNDO MELHOR REPÓRTER DO GLORIOSO PAÍS KAZAQUISTÃO VIAJA À AMÉRICA




Eis o maior engodo da temporada e provavelmente de todo o ano de 2007: Borat. Difícil entender como críticos americanos, especialmente os que regem os prêmios da Associação Estrangeira de Hollywood, que compraram o filme, indicado nas categorias de Melhor Filme - Musical/Comédia e Melhor Ator - Musical/Comédia. A sensação é que enquanto o filme é jogado nas alturas, o criador da história e do personagem, o ator Sacha Baron Cohen dá gargalhada nos bastidores.

A história segue Borat, que ruma de seu país, o Kazaquistão, para os Estados Unidos, com o intuito de fazer um documentário sobre a gloriosa cultura norte-americana e traze-la para seu país de origem. Acompanhado de seu amigo Azamat, ele desembarca direto na maior cidade do mundo, e parte numa nada divertida jornada até à Califórnia, passando pelo sul do país. E aí surgem vários esquetes mostrando, em cada cidade na qual ele visita, algumas características mais marcantes do painel social dos EUA, tudo de forma muito irônica - e nada engraçada, é bom deixar claro - com direito a sessão de cura em igreja protestante, aventura numa parada gay, rodeios e programas de televisão. O filme mantém uma estética documental para garantir sua possível seriedade, mas parece mesmo é ter sido filmado sem qualquer preparação, tamanha baboseira descompromissada. Como não poderia deixar de ser, é extremamente caricatural, preconceituoso e recheado de diálogos e cenas escatológicas.

A certa altura, Borat conta uma piada sobre retardo mental para um cidadão norte-americano, que não a entende e mesmo assim a engole sem questionamentos, e fica no ar a questão: seria isso um auto-retrato dessa América que aplaude com desenvoltura um filme tão ruim e imbecil quanto O Segundo Melhor Repórter do Glorioso País Kazaquistão Viaja à América? Agora entendi as risadas da Jéssica Biel enquanto lia as indicações do filme para a premiação do Globo de Ouro deste ano.




ficha técnica
Borat: Cultural Learnings of America for Make Benefit Glorious Nation of Kazakhstan
produção americana de 2006
dirigida por Larry Charles
com Sacha Baron Cohen e Ken Davitian
84' de duração

postado por HUDSON às 11:27 AM

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FILMES DE DEZEMBRO


Entre Lang, Keaton e Scorsese, e muita, mas muita bobagem (alguém ainda arrisca um filme do Kim Ki-Duk?), melhor mesmo manter os pés fincados no mais absoluto grau de não-comprometimento: Monstros S.A.


1 - Uma Verdade Inconveniente (An Inconvenient Truth, 2006, de Davis Guggenheim)
2 - Coração de Apache (Liliom, 1934, de Fritz Lang)
3 - Febre de Juventude (I Wanna Hold Your Hand, 1978, de Robert Zemeckis)
4 - A Terra Encantada de Gaya (Back to Gaya, 2004, de Lenard Fritz)
5 - Os Infiltrados (The Departed, 2006, de Martin Scorsese)
6 - High School Musical (idem, 2005, de Kenny Ortega)
7 - O Pacto (The Covenant, 2006, de Renny Harlin)
8 - A Paixão de Cristo (The Passion of the Christ, 2004, de Mel Gibson)
9 - Terra dos Mortos (Land of the Dead, 2005, de George A. Romero)
10 - Um Bom Ano (A Good Year, 2006, de Ridley Scott)
11 - Pulse (idem, 2006, de Jim Sonzero)
12 - A Oitava Cor do Arco-Íris (idem, 2006, de Amaury Tangará)
13 - Feliz Natal (Joyeux Noel, 2005, de Christian Carion)
14 - A Comédia do Poder (L¿Ivresse du pouvoir, 2006, de Claude Chabrol)
15 - Olhos Abertos (Wide Awake, 1998, de M. Night Shyamalan)
16 - Pequena Miss Sunshine (Little Miss Sunshine, 2006, de Jonathan Dayton e Valerie Faris)
17 - Filhos da Esperança (Children of Men, 2006, de Alfonso Cuarón)
18 - Happy Feet: O Pingüim (Happy Feet, 2006, de George Miller)
19 - Em Direção ao Sul (Vers le Sud, 2005, de Laurent Cantet)
20 - O Assassinato de Richard Nixon (The Assassination of Richard Nixon, 2005, de Niels Muller)
21 - Roma - Um Nome de Mulher (Roma, 2004, de Adolfo Aristarain)
22 - Crime Ferpeito (Crimen Ferpecto, 2005, de Álex de la Iglesia)
23 - O Sacrifício (The Wicker Men, 2006, de Neil La Bute)
24 - Ela Dança, Eu Danço (Step Up, 2006, de Anne Fletcher)
25 - O Estranho (The Limey, 1999, de Steven Soderbergh)
26 - Meu Irmão Quer se Matar (Wilbur Wants to Kill Himself, 2002, de Lone Scherfig)
27 - Scoop- Furo de Reportagem (Scoop, 2006, de Woody Allen)
28 - O Ilusionista (The Illusionist, 2006, de Neil Burger)
29 - Huckabees - A Vida é uma Comédia (Huckabees, 2004, de David O. Russel)
30 - Achados e Perdidos (idem, 2005, de José Joffily)
31 - Não se Mova (Non ti Muovere, 2004, de Sergio Castellito)
32 - Vampiros de Alma (Invasion of the Body Snatchers, 1956, de Don Siegel)
33 - DOA - Vivo ou Morto (DOA, 2006, de Coren Yuen)
34 - Syriana - A Indústria do Petróleo (Syriana, 2005, de Stephen Gaghan)
35 - Por Água Abaixo (Flushed Away, 2006, de David Bowers e Sam Fell)
36 - Um Natal Brilhante (Deck the Halls, 2006, de John Whitesell)
37 - O Amor Não Tira Férias (The Holiday, 2006, de Nancy Meyers)
38 - Um Homem de Família (The Family Man, 2000, de Brett Ratner)
39 - Doze é Demais 2 (Cheaper by the Dozen 2, 2005, de Adam Shankman)
40 - Simplesmente Amor (Love Actually, 2003, de Richard Curtis)
41 - Adrenalina (Crank, 2006, de Mark Neveldine e Brian Taylor)
42 - Premonição 2 (Final Destination 2, 2003, de David R. Ellis)
43 - Maldito Coração (The Heart is Deceitfull Above All Things, 2004, de Asia Argento)
44 - Escrito nas Estrelas (Serendipity, 2001, de Peter Chelsom)
45 - Vamos Dançar (Take the Lead, 2006, de Liz Friedlander)
46 - Time - O Amor Contra a Passagem de Tempo (Time, 2005, de Kim Ki-Duk)
47 - Não é Você, Sou Eu (No sos vos, soy yo, 2004, de Juan Taratuto)
48 - O Labirinto do Fauno (El Labirinto del Fauno, 2006, de Guillermo Del Toro)
49 - A General (The General, 1927, de Clyde Bruckman e Buster Keaton)
50 - Depois Daquele Baile (idem, 2006, de Roberto Bontempo)
51 - Um Retrato de Mulher (A Woman in Window, 1944, de Fritz Lang)
52 - Ritmo de um Sonho (Hustle and Flow, 2005, de Craig Brewer)
53 - Clube da Lua (Luna de Avellaneda, 2004, de Juan José Campanella)
54 - 007 - Cassino Royale (idem, 2006, de Martin Campbell)
55 - Monstros S.A. (Monsters Inc., 2001, de Peter Docter)

postado por HUDSON às 11:09 AM

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Segunda-feira, Janeiro 08, 2007

:: os melhores de 2006 ::

Pelo terceiro ano seguido, e dessa vez depois de uma revisão no que poderia ter passado despercebido nos 170 títulos vistos entre os que foram lançados no país em 2006, divulgo a lista de melhores do ano do Epílogo. Conforme os anos anteriores, não há distinção entre papéis principais e coadjuvantes nas categorias de atuação, da mesma forma entre os roteiros originais e adaptados.


FILME DO ANO



2 - A Dama na Água, de M. Night Shyamalan
3 - Volver, de Pedro Almodóvar
4 - Os Infiltrados, de Martin Scorsese
5 - Amor em Cinco Tempos, de François Ozon
6 - O Segredo de Brokeback Mountain, de Ang Lee
7 - 2046 - Segredos do Amor, de Wong Kar Wai
8 - O Tempo Que Resta, de François Ozon
9 - Cachê, de Michael Haneke
10 - O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias, de Cao Hamburger



DIRETOR



2 - Martin Scorsese, por Os Infiltrados
3 - M. Night Shyamalan, por A Dama na Água
4 - Pedro Almodóvar, por Volver
5 - François Ozon, por Amor em Cinco Tempos


ATOR



2 - Leonardo DiCaprio, por Os Infiltrados
3 - Jack Nicholson, por Os Infiltrados
4 - Heath Ledger, por O Segredo de Brokeback Mountain
5 - Jake Gyllenhaal, por O Segredo de Brokeback Mountain


ATRIZ



2 - Meryl Streep, por A Última Noite
3 - Penélope Cruz, por Volver
4 - Scarlet Johansson, por Match Point
5 - Reese Witherspoon, por Johnny e June


ROTEIRO



2 - Pedro Almodóvar, por Volver
3 - William Monaghan, por Os Infiltrados
4 - Larry McMurtry e Diana Ossana, por O Segredo de Brokeback Mountain
5 - Noah Baumbach, por A Lula e a Baleia

postado por HUDSON às 5:39 PM

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:: retrospectiva 2006 ::
PARTE 5


O DIABO VESTE PRADA (The Devils Wears Prada, 2006, de David Frankel)

Como era: "Poderia falar sobre as várias óticas que o roteiro permite: o embate entre a editora da maior revista americana de moda e sua subalterna, da simbologia de Davi e Golias, da descoberta daquilo que você é e do que pode se tornar, do que é capaz de fazer de acordo com as regras a qual você esteja submetido, de escrúpulos, ética profissional, obstinação, caráter, do quanto você é humano e do quanto julga aquilo que lhe parece ser. Poderia lembrar que ninguém além de Meryl Streep está apta a demonstrar sentimentos tão díspares com um só olhar, mas que - thank, God! - existe a doçura de uma Anne Hathaway para dividir o brilho com a dama do cinema".

Como ficou: é impossível, para mim, não defender este filme. Não me importa o quanto de blockbuster há nele, nem mesmo se algo o torna simples demais. É perfeitamente considerável que exista uma boa dose de obviedade em seu caminhar, mas justificada por uma necessidade de texto, e ainda assim o filme é sustentado por uma excepcional trilha sonora e atuações arrebatadoras. Fala muito perto, baixinho ao ouvido. E aí, não há meias-verdades que abalem sua estrutura.


VÔO UNITED 93 (United 93, 2006, de Paul Greengrass)

Como era: lidando com um forte lado psicológico de seus expectadores (cinco anos se passaram, mas os atentados de 2001 ainda continuam em voga), Greengrass compõe uma obra impactante e correta sem tirar os pés do chão.

Como ficou: numa revisão, boa parte do impacto que o filme permite se esvai. Sobra uma obra eficiente que dramatiza fatos angustiosamente reais. É notável a sensibilidade do diretor em não tirar sua câmera de dentro do avião seqüestrado e das cabines de comando do tráfego área norte-americano, nem mesmo para mostrar os choques com as torres gêmeas, o Pentágono ou mesmo a queda do próprio United 93 em terreno aberto. Dessa forma, o clima claustrofóbico, salientado por uma câmera que não pára quieta, suprime os clichês entre passageiros e tripulação "que não deveriam estar ali". Ainda assim, o filme remonta com dignidade a cena que reúne seqüestradores despreparados que possibilitou que os atentados não fossem ainda mais devastadores para o país.


2046 - SEGREDOS DO AMOR (2046, 2004, de Wong Kar Wai)

Como era: continuação do fantástico Amor à Flor da Pele. Realidade e ficção se misturam enquanto o protagonista (o escritor vivido por Tony Leung) escreve o romance que leva o nome do filme. Numa tentativa de esquecer (ou reviver) sua tórrida paixão por Su Li Zhen, que embalou a história do primeiro filme, Chow Mo acaba percorrendo os lugares por que passou, se envolvendo com diversas mulheres até perceber que nada nem ninguém, além de suas meras recordações, trarão novamente as lembranças daquilo que já se foi.

Como ficou: com um ritmo inebriante, salientado pelos longos planos em câmera lenta e pela excepcional trilha sonora incidental, Kar Wai constrói um drama vivo, palpável, que acompanha Leung, um típico narrador onisciente que conta sua história, mas sabe como ninguém os detalhes da vida daqueles que atravessam seu caminho. O diretor usa de cores, fumaças, sons e efeitos visuais para misturar as diferentes sensações e sentidos, brincando com sua obra. 2046, o romance, surge como uma fuga aos movimentos revolucionários na Hong Kong da década de 60, e o filme só perde um pouquinho por que Ziyi Zhang ainda não tem o charme e a sedução de uma Maggie Cheung, mas ainda assim continua arrebatador.

postado por HUDSON às 2:26 PM

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Sábado, Janeiro 06, 2007

:: retrospectiva 2006 ::
PARTE 4


MUNIQUE (Munich, 2005, de Steven Spielberg)

Como era:drama sério e pesado de Spielberg, ainda que forte e corajoso, que parecia preso às amarras densas da história da retaliação israelense ao ataque palestino ocorrido durante os Jogos Olímpicos de Munique, em 1972.

Como ficou: de ritmo lento e bem conduzido pela já tradicional equipe técnica de Steven Spielberg, o filme toca numa questão séria e reacende a discussão nunca fora de moda sobre até que ponto a briga de gato e rato entre judeus e árabes pode chegar. Tratando-se exclusivamente do atentado de 1972, a grande pergunta é: o que é justiça, senão vingança, vice-versa? O bom roteiro de Tony Kushner e Eric Roth, que de forma bastante inteligente nunca assume uma postura maniqueísta, joga Avner, o protagonista vivido por Eric Bana, numa ciranda de assassinatos violentos e questões familiares, um tema corrente na filmografia do diretor.


O TEMPO QUE RESTA (Le Temps Qui Reste, 2005, de François Ozon)

Como era:drama tocante do diretor francês François Ozon, que com um roteiro incrivelmente simples propiciou a seu protagonista, à beira da morte, uma profusão de sentimentos adormecidos.

Como ficou: jovem, no auge da profissão, três meses de vida. O que torna O Tempo Que Resta diferente é que dessa vez não teremos alguém lutando bravamente para prolongar sua vida, nem mesmo passando os últimos minutos ao lado de quem ama. Melvil Poupaud segue o caminho inverso, numa tentativa de tornar - para ele e para os outros - a perda menos dolorosa, buscando nas lembranças do passado justificar sua curta passagem. O filme, com pitadas bergmanianas espalhadas do início ao fim, justifica mais uma vez que Ozon é um dos grandes autores do cinema atual.


BOA NOITE, E BOA SORTE (Good Night, and Good Luck, 2005, de George Clooney)

Como era:memorável drama dirigido por George Clooney (também co-roteirista e ator do filme) que esmiuçava o momento histórico em que o programa do jornalista Edward R. Murrow, da Rede CBS, desafiou à política de caça às bruxas do senador Joseph McCarthy, durante a década de 50.

Como ficou: mais que a representação de fatos históricos, de forma extremamente elegante o filme se torna uma contundente crítica ao comportamento dos cidadãos norte-americanos no que se refere à política e entretenimento, e até mesmo às escolhas das grandes redes de comunicação, no eterno embate entre o que é importante e o que é necessário que parece perdurar desde meados do século passado. David Strathairn comanda a ação e constrói uma figura intelectualizada, sem o glamour de uma profissão de destaque e entrega uma das maiores atuações do ano.

postado por HUDSON às 1:10 PM

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Quinta-feira, Janeiro 04, 2007

:: retrospectiva 2006 ::
PARTE 3


CAPOTE (idem, 2005, de Bennett Miler)

Como era: focado exclusivamente no período da criação da última obra de Truman Capote, o best-seller "A Sangue Frio", o filme de Bennett Miller pecava pela regularidade: friamente calculado e insosso o bastante, se resumia numa frase dita pelo próprio protagonista da história - "sinceramente, não vejo o porquê de tanto alarde".

Como ficou: é difícil encontrar um furo no roteiro de Dan Futterman. Do encanto com a história da família brutalmente assassinada na cidade do Kansas e ao apego a um dos assassinos, cada passo dado por Truman parece ser bem pensado. Vil e mentiroso, o escritor é mostrado como um grande orador que convence os outros com sua frágil aparência e palavreado mole, e de tudo tenta para conseguir contar sua história. Em Capote não há firulas ou meias-verdades. Não é um roteiro genial ou mesmo impactante, tampouco uma grande direção. E se você não conhece o verdadeiro Truman Capote, certamente vai achar o excelente Philip Seymour Hoffman muito afetado e exagerado demais.


ORGULHO E PRECONCEITO (Pride and Prejudice, 2005, de Joe Wright)

Como era: pode esquecer todas as outras adaptações do romance de Jane Austen: o Orgulho e Preconceito do estreante Joe Wright é a obra definitiva. Tocante, sensível e extremamente bem realizado, desperta no expectador aquele doce gostinho de felicidade após duas horas de exibição, ou seja, aquilo que muita gente procura quando se permite entrar numa sala escura de cinema.

Como ficou: a câmera do diretor passeia pelos cômodos dos casarões imperiais e pelas belas pastagens britânicas para salientar as peculiaridades inglesas, seja da aristocracia ou da classe baixa, para, na estremecida do primeiro olhar, na arrogância dele e na ironia dela, exibir a perfeita tradução dos sentimentos propostos pelo título. Um amor nobre, um sentimento puro e maior que qualquer outro, personificado nas linhas dos grandes poetas e dito pelos protagonistas dessa história, Keira Knightley e Matthew Macfayden, com direito a intenso brilho nos olhos.


O NOVO MUNDO (The New World, 2005, de Terrence Malick)

Como era: o retrato da tomada das terras norte-americanas por parte dos ingleses, no século XV, é mostrado através do contato entre um soldado britânico e uma nativa, e filmado com intenso vigor pelo sazonal Terrence Mallick.

Como ficou: a América, como tudo começou. A chegada do homem, a formação do primeiro povoado, a miscigenação das raças e a aculturação dos nativos com um olhar extremamente apaixonado. Quase tudo é incrivelmente fascinante, não fosse um detalhe: a voz em off ouvida do início ao fim do filme, que determina a narrativa do mesmo, por vezes se torna clamores poéticos exagerados, algo que já o diretor já havia feito em seu filme anterior. E quando ele faz isso, é como se tirasse do chão os pés que mantêm fincados com maestria durante todo o resto. Q'Orianka Kilcher assume com dignidade o significante papel de Pocahontas.

postado por HUDSON às 6:35 PM

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#16 SCREEN ACTORS GUILD AWARDS (SAG)

Abaixo estão os indicados para a festa de premiação que acontece no dia 28 de janeiro. E todo mundo se pergunta: onde puseram Jack Nicholson?

Atriz
Penélope Cruz, Volver
Judi Dench, Notes on a Scandal
Helen Mirren, A Rainha
Meryl Streep, O Diabo Veste Prada
Kate Winslet, Pecados Íntimos

Atriz Coadjuvante
Adriana Barraza, Babel
Cate Blanchett, Notes on a Scandal
Abigail Breslin, Pequena Miss Sunshine
Jennifer Hudson, Dreamgirls
Rinko Kikuchi, Babel

Ator
Leonardo Dicaprio, Diamante de Sangue
Ryan Gosling, Half Nelson
Peter O'Toole, Venus
Will Smith, À Procura da Felicidade
Forest Whitaker, O Último Rei da Escócia

Ator Coadjuvante
Alan Arkin, Pequena Miss Sunshine
Leonardo DiCaprio, Os Infiltrados
Jackie Earle Haley, Pecados Íntimos
Djimon Honsou, Diamante de Sangue
Eddie Murphy, Dreamgirls

Elenco
Babel
Bobby
Os Infiltrados
Dreamgirls
Pequena Miss Sunshine

postado por HUDSON às 12:26 PM

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Quarta-feira, Janeiro 03, 2007



#15 PRODUCERS GUILD OF AMERICA (PGA)

Acabam de ser anunciados os cinco indicados ao principal prêmio dos produtores do ano, um dia antes do previsto. Babel, Os Infiltrados, Dreamgirls, A Rainha e Pequena Miss Sunshine foram nomeados e dessa forma se tornam os favoritos para a disputa da vaga de melhor filme no Oscar. Isso não quer dizer que a indicação é certa: nos últimos três anos, apenas 4 dos 5 listados no PGA estavam no Oscar, e nos outros três anteriores, apenas 3 dos 5 finalistas. Desde que o prêmio foi criado os indicados aqui e no prêmio da Academia nunca coincidiram.

Entre as animações, foram indicados: Carros, Por Água Abaixo, Happy Feet: O Pingüim, A Era do Gelo 2 e A Casa Monstro.

postado por HUDSON às 9:08 PM

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:: retrospectiva 2006 ::
PARTE 2


O SEGREDO DE BROKEBACK MOUNTAIN (Brokeback Mountain, 2005, de Ang Lee)

Como era: o "faroeste gay" de Ang Lee podia ter arrebatado uma multidão entre público e crítica - menos os membros da Academia, of course - mas soava muito mais como uma historinha bem contada, cujo motim está em alta em todos os tipos de mídia e arte, do que como um filme realmente majestoso.

Como ficou: uma revisão permite perceber muitos fatos do excelente roteiro de Larry McMurtry e Diana Ossana que passaram despercebidos na primeira vez. Ennis Del Mar, o heterossexual bruto, durão e convicto se rende, primeiramente, aos desejos insaciáveis de Jack Twist e seus trejeitos mais sensíveis e aos olhares de canto de olho, e posteriormente a um sentimento limado pela sociedade. A preocupação em criar personagens psicologicamente complexos, inseridos em classes sociais distintas, com passados distintos, engrandece a obra de Ang Lee, que entre as mais recentes se sobressai por um apresentar um conjunto realmente impressionante: atuações fortes se fundem à trilha sonora, fotografia e demais aspectos técnicos num filme obrigatório.


A LULA E A BALEIA (The Squid and the Whale, 2005, de Noah Baumbach)

Como era: o roteirista Noah Baumbach criou um típico drama familiar, com todas suas vicissitudes. Intenso e forte, foca no fim do relacionamento de um casal junto há 17 anos e nos problemas que a decisão acarreta na vida deles e de seus dois filhos.

Como ficou: é preciso salientar que Noah é um roteirista de mão cheia e parece criar com extrema facilidade questões normalmente complicadas de serem tratadas com a aparente leveza que ele consegue impor. Mas o peso da jornada dos quatro integrantes da família Berkman acaba sendo de difícil digestão, uma vez que as minuciosas questões descritas na tela pesam extremamente verossímeis. Da adaptação à nova casa, à nova rotina, do pai que se envolve com a aluna e a mãe com o professor de tênis do filho mais novo, que por sua vez desenvolve uma reação precocemente pervertida enquanto seu irmão mais velho tenta a todo custo ser finalmente enxergado, tudo culmina numa brilhante metáfora de como encarar os desafios de frente. Certamente uma obra coletiva em que mais uma vez desponta o indiscutível talento de Laura Linney.


A DAMA NA ÁGUA (Lady in the Water, 2006, de M. Night Shyamalan)

Como era: "Eu gostaria de ser criança novamente, preciso acreditar que existe algo mais que este horror que nos circunda".

Como ficou: complexo, meticuloso, singular e incrivelmente permeado de aspectos reais, vistos por qualquer um em qualquer lugar. É dessa forma que M. Night Shyamalan constrói seu conto de fadas, que certamente não está destinado para nenhuma criança. A mensagem é clara, assim como o público: é preciso ter fé e lutar. Como numa história de ninar, nome de personagens e pequenas coisas são bastante simbólicos e referenciais, e o medo que surge diante dos obstáculos pode trazer também a solução para os problemas humanos - temática recorrente nos três últimos filmes do diretor. E nada é tão delicioso quanto acreditar que o nosso destino pode ser lido pelos olhos de uma criança em caixas de cereais.

postado por HUDSON às 11:55 AM

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Terça-feira, Janeiro 02, 2007

:: retrospectiva 2006 ::
PARTE 1

A idéia dessa pequena retrospectiva não é trazer à tona os melhores títulos do ano passado - ainda que muitos deles estejam na lista - mas aqueles que, de uma forma ou outra, são os mais representativos, falam mais alto, ou simplesmente merecem uma revisão. São 15 filmes que estrearam no país de janeiro à dezembro de 2006 e já tinham sido vistos anteriormente.


MATCH POINT - PONTO FINAL (Match Point, 2005, de Woody Allen)

Como era: um triunfo no texto e direção, o filme trazia um Woody Allen que gosta de pregar peças, abusando da mais fina ironia e de muitos simbolismos, desde referências metalingüísticas à marcações de cena, que abandona Nova York para captar Londres com o mesmo olhar apaixonado que filma Manhattan.

Como ficou: é inegável que em seu 36° filme o diretor conseguiu a proeza de construir mais uma obra-prima. O objeto de desejo de Allen é um jovem tenista que, ante a oportunidade que a sorte lhe confere, galga seu caminho entre a nobre sociedade londrina com bastante meticulosidade e inteligência, chegando a cumes inimagináveis, terminando civilmente impune, mas moralmente abalado. Sem abandonar elementos que unem sua cinematografia e integrando outros à sua obra, o diretor reafirma o discurso da casualidade através de encontros e acontecimentos, arrancando de sua nova musa Scarllet Johansson uma atuação irretocável - que em sua primeira cena surge devastadora - mas sendo capaz de abandoná-la quando preciso.


JOHNNY E JUNE (Walk the Line, 2005, de James Mangold)

Como era: grande musical, drama burocrático. O próprio gênero biográfico, trabalhado quase sempre de forma limitada, rendeu outros tantos títulos bastante similares, como as histórias de Ray Charles e John Nash. A vida do cantor Johnny Cash, dirigida por James Mangold, ganha um exemplar cheio de boa música e bons momentos.

Como ficou: como o título nacional entrega essa não é a biografia de um, mas de dois, contada como uma bela história de amor. Cada passo da paixão do protagonista por June Carter é mostrado como o sustentáculo da carreira e definidor da vida dele, e ainda que possa soar demasiadamente estilizado, há que conferir certa dose de confiança ao roteiro baseado em duas biografias literárias escritas pelo próprio cantor. Com Joaquin Phoenix e Reese Witherspoon brilhando no palco, cantando deliciosamente com suas próprias vozes, e se entregando na condução de seus personagens, o trabalho do diretor não se torna assim tão difícil: enquadra-los na tela já resultaria o bastante - o que nem sempre acontece, infelizmente. Mas há pelo menos cinco grandiosos números musicais, principalmente os duetos entre Johnny e June, que enchem o filme de graciosidade.


AMOR EM CINCO TEMPOS (5x2, 2004, de François Ozon)

Como era: um filme que em cinco episódios mostrava a história de Marion e Gilles, do divórcio ao início do relacionamento, mostrando de forma compacta as passagens mais importantes da vida do casal, abrindo mão de explicações óbvias que uma história linear pediria, se justificando nas menores coisas na tela.

Como ficou: em seu início, o filme dá espaço à leis, juristas e decisões racionais sobre um sentimento que, a observar toda a história, nunca prosperou. A montagem "de trás para frente" reforça esse sentimento que se esvai e as concessões (nem sempre necessárias) quando o que está em jogo não é apenas uma história a dois. O confronto com um casal moderno e liberal, em contraponto ao peso da infidelidade e do egoísmo é temática corrente no filme de François Ozon, que filma como ninguém cenas ao pôr-do-sol. Valeria Bruni Tedeschi transforma seu olhar e seu rosto permitindo sentir a dor do sexo cruel, da rotina, do descaso e por fim, da felicidade aparente. Ao som da sugestiva "Sparring Partner", de Paolo Conte, uma das melhores cenas do ano.

postado por HUDSON às 10:30 AM

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Ótimos filmes em 2007!

postado por HUDSON às 10:16 AM

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ESTRÉIAS 2008
05/09
Canções de Amor
Linha de Passe
Helboy II
O Aborto dos Outros
Caçadores de Dragões
Lady Janes


29/08
Os Desafinados
Trovão Tropical
U2 3D
O Nevoeiro
O Reino Proibido
Pelos Meus Olhos
Shortbus
O Retorno
La León
Ainda Orangotangos


22/08
O Procurado
Reflexos da Inocência
Um Crime Americano
Violência em Família


15/08
Zohan, o Agente Bom de Corte
Star Wars - The Clone Wars
Nossa Vida Não Cabe num Opala
Olho de Boi
Show de Bola
Quebrando Regras


08/08
Encarnação do Demônio
O Grande Dave
A Caçada
Asterix nos Jogos Olímpicos
Lemon Tree
Devoção
Mais do que Você Imagina
Quem Disse que é Fácil?


01/08
A Múmia - Tumba do Imperador Dragão
Meu Irmão é Filho Único
Como Festejei o Fim do Mundo
O Verdadeiro Amor


25/07
Arquivo X - Eu Quero Acreditar
Era uma Vez
Ao Entardecer
Space Chimps - Micos no Espaço
Ensinando a Viver
A Questão Humana


18/07
Batman - O Cavaleiro das Trevas
A Ilha da Imaginação
Nome Próprio
Maus Hábitos
Luz Silenciosa
Uma Garota Dividida em Dois
As Aventuras de Moliére


11/07
O Segredo do Grão
Viagem ao Centro da Terra
Pequenas Histórias
Agente 117
O Advogado do Terror


04/07
Kung Fu Panda
Hancock
O Escafandro e a Borboleta
Do Outro Lado


27/06
Wall-E
Jogo de Amor em Las Vegas
A Força da Amizade
Amar... Não Tem Preço
Lady Jane
Onde Andará Dulce Veiga?
A Última Amante
Dot.com


20/06
Agente 86
Cinturão Vermelho
O Guerreiro Didi e a Ninja Lili
A Banda
Personal Che
Romulus, Meu Pai


13/06
Fim dos Tempos
O Incrível Hulk
A Outra
Lírios D'Água
1958


06/06
Sex and the City
Antes que o Diabo Saiba Que Você Está Morto
Joy Division


30/05
As Crônicas de Nárnia - Príncipe Caspian
Um Amor Para Toda Vida
Corpo
A Quase Verdade


16/05
O Melhor Amigo da Noiva
Efeito Dominó
Longe Dela
Film Noir
O Tempo e o Lugar
Bodas de Papel


09/05
Speed Racer
O Banquete do Amor
5 Frações de uma Quase História
O Último Bandeneon


30/04
O Sonho de Cassandra
Homem de Ferro
Maratona do Amor
Zona do Crime
Desonra
Condor


25/04
Pecados Inocentes
Hanna Montana e Myley Cyrus - Show: O Melhor de Dois Mundos
Encurrlados
Três Vezes Amor
Otávio e as Letras
O Romance do Vaqueiro Voador


18/04
Os Reis da Rua
Quebrando a Banca
Falsa Loura
Serras da Desordem


11/04
Um Beijo Roubado
Um Plano Brilhante
Um Sonho Dentro de um Sonho
Estômago
Imagens do Além
Fôlego
Treinando o Papai
Meu Nome é Taylor, Dillbit Taylor
A Vida Começa aos 40


04/04
The Rolling Stones - Shine a Light
Loucas por Amor, Viciadas em Dinheiro
Awake - A Vida Por um Fio
Maré, Nossa História de Amor
O Sol
Longo Amanhecer


28/03
Jumper
Atos que Desafiam a Morte
À Procura de Vingança
Paixão Proibida
Traídos pelo Destino
Partículas Elementares
Irina Palm
Serras da Desordem


21/03
Não Estou Lá
Chega de Saudade
A Família Savage
Um Amor de Tesouro
As Crônicas de Spiderwick
Delírios


14/03
Ponto de Vista
O Olho do Mal
Horton e o Mundo dos Quem
2 Dias em Paris
Juízo
O Banheiro do Papa
Sinal


08/03
O Orfanato
10000 a.C.
Sicko - SOS Saúde
Angel
A Morte de George W. Bush
Em Pé de Guerra
Cada um com seu Cinema
Desaparecidos
Fim da Linha


29/02
Jogos do Poder
XXY
A Era da Inocência
Palaróides Urbanas
Rambo IV
Espartalhões


22/02
Juno
Na Natureza Selvagem
Senhores do Crime
Antes de Partir
Maldita Sorte
Persépolis


15/02
Elizabeth - A Era de Ouro
Sangue Negro
Os Indomáveis
Vestida Para Casar
O Som do Coração
Velocidade Sem Limites


08/02
Cloverfield - Monstro
Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet


01/02
Onde os Fracos Não Tem Vez
Sexo com Amor?
Meu Monstro de Estimação
Ao Lado da Pianista


25/01
4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias
O Gangster
Paranoid Park
A Lenda do Tesouro Perdido - Livro dos Segredos
O Signo da Cidade


18/01
O Caçador de Pipas
Eu Sou a Lenda
A Quase Verdade
Os Seis Signos da Luz
Unidos Pelo Sangue


11/01
Desejo e Reparação
O Suspeito
O Diário de uma Babá
Alien vs. Predador 2
Garoto Cósmico
Mulheres Sexo Verdades Mentiras
A Espiã
Allegro


04/01
Meu Nome Não é Johnny
Coisas Que Perdemos Pelo Caminho
Alvin e os Esquilos
PS. Eu Te Amo
P2 - Sem Saída


FILMES COMENTADOS


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