Informações, comentários e pequenas notas sobre filmes e tudo o que cerca a sétima arte, por Hudson Dalbem, mero estudante universitário e amante inveterado do cinema
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Segunda-feira, Fevereiro 26, 2007
OSCAR 2007
:: premiados ::
Martin Scorsese entre Francis Ford Coppola, Steven Spielberg e George Lucas
Depois de três edições chatíssimas, que abusavam do marasmo e cansavam o expectador, a produção do prêmio da Academia de Artes e Ciências de Hollywood entendeu o recado: a 79ª edição do Oscar certamente entrará para a história como uma das melhores festas já realizadas. Ellen DeGeneres é a melhor anfitriã desde que Billy Cristal se ausentou do cargo, e segurou muito bem a bomba que é apresentar a premiação e dificilmente não retornará no próximo ano. A própria produção do prêmio tornou tudo ainda melhor: das ótimas apresentações dos figurinos no palco, os números musicais condensados, o modo inteligente e esclarecedor de lembrar dos roteiros indicados e até mesmo os vídeos apresentados deram ao Oscar 2007 um charme a mais. Esquentando ainda mais a disputa, e é o que interessa no prêmio, os vitoriosos proclamados surgiram com pompa e surpresa. Laureado com três prêmios técnicos, O Labirinto do Fauno deu lugar a A Vida dos Outros na sempre estranha categoria de Filme Estrangeiro; e Carros, mais um sucesso da Pixar e favoritíssimo na categoria de Animação, viu a estatueta cair no colo de Happy Feet: O Pingüim. Mas nada foi tão divertido quanto Eddie Murphy ver seu Oscar de Ator Coadjuvante escorrer pelos dedos e ficar nas mãos de Alan Arkin.
Num dos momentos mais mágicos já registrados, Francis Ford Coppola, George Lucas e Steven Spielberg chamaram no palco o amigo Martin Scorsese, que finalmente recebeu sua estatueta de diretor, após cinco indicações na categoria. Fazendo piada consigo mesmo, o cineasta ítalo-americano pediu para conferir seu nome no envelope vencedor, num belo gesto de graça. O mesmo não aconteceu com Peter O'Toole, o veterano de 78 anos que continuou sem uma vitória após oito indicações. Quando Jack Nicholson e Diane Keaton subiram ao palco para anunciar o melhor filme da noite, já estava sacramentado: com os importantes troféus de roteiro adaptado, edição e diretor, não havia outro vencedor senão Os Infiltrados.
Permeado ainda de responsabilidade social e politicamente correto - mas sem apelar para vitoriosos que trilhavam por esse caminho - a cerimônia passou rápida e brilhante pelo Kodak Theather. Fica então a esperança de que o mesmo padrão seja mantido para o próximo ano, que já começa com forte buzz para alguns filmes, que aqui adianto como no ano passado, a caráter de diversão:
THERE WILL BE BLOOD
Baseado no livro "Oil!", que Upton Sinclair escreveu em 1927, o filme se passa nas primeiras décadas do século 20, mostrando um investidor que compra uma fazendo no Texas e se torna um próspero produtor de petróleo e sua relação com seu filho.
Dirigido por Paul Thomas Anderson
Com Daniel Day-Lewis, Paul Dano, Mary Elizabeth Barrett
Possíveis indicações: Filme, diretor, roteiro adaptado, ator (Daniel Day-Lewis)
MY BLUEBERRY NIGHTS
Estréia do celebrado diretor Wong Kar Wai em terras americanas, que também marca a estréia da cantora Norah Jones no cinema. Ela protagonizará o romance interpretando uma jovem que decide atravessar a América tentando desvendar alguns significados da vida e se apaixona pelo jornalista vivido pro Jude Law. O filme tem um dos elencos mais impressionantes de todos os tempos e deve marcar presença já em Cannes.
Dirigido por Wong Kar Wai
Com Norah Jones, Jude Law, Ed Harris, David Strathairn, Tim Roth, Rachel Weisz, Natalie Portman
Possíveis indicações: roteiro adaptado, ator (Jude Law), ator coadjuvante (Ed Harris, David Strathairn), atriz coadjuvante (Rachel Weisz, Natalie Portman), categorias técnicas
CHARLIE'S WILSON WAR
Adaptação do best-seller lançado em 2003 nos Estados Unidos que reúne pela primeira vez os dois maiores ícones do cinema americano da década de 90, Tom Hanks e Julia Roberts, sob a batuta do diretor Mike Nichols num drama sobre um congressista texano que conspira contra a CIA durante a invasão soviética no Afeganistão.
Dirigido por Mike Nichols
Com Tom Hanks, Julia Roberts, Phillip Seymour Hoffman
Possíveis indicações: filme, diretor, roteiro adaptado, ator (Tom Hanks), ator coadjuvante (Phillip Seymour Hoffman), atriz coadjuvante (Julia Roberts)
ELIZABETH: THE GOLDEN AGE
Cate Blanchett encarna novamente a Rainha Elizabeth I junto de Shekhar Kapur, dessa vez mostrando o romance da monarca com o aventureiro Sir Walter Raleigh, vivido por Clive Owen. Geoffrey Rush também reprisa o papel do filme indicado ao Oscar em 1999.
Dirigido por Shekhar Kapur
Com Cate Blanchett, Clive Owen, Geoffrey Rush
Possíveis indicações: filme, diretor, roteiro adaptado, atriz (Cate Blanchett), ator (Clive Owen) ator coadjuvante (Geoffrey Rush), categorias técnicas
IN THE VALLEY OF ELLAH
O vencedor do Oscar Paul Haggis retorna aos dramas humanos, mostrando um jovem que abandona a guerra do Iraque e ao retornar ao seu país, é brutalmente assassinado, deixando sua família sem notícias.
Dirigido por Paul Haggis
Com Tommy Lee Jones, Susan Sarandon, James Franco, Charlize Theron, Jason Patric
Possíveis indicações: filme, diretor, roteiro original, ator (Tommy Lee Jones), atriz coadjuvante (Charlize Theron e Susan Saranton), ator coadjuvante (James Franco)
EVENING
Vanessa Redgrave vive ma mulher à beira da morte que tem câncer e sofre alucinações induzidas pelos medicamentos consumidos e nesse ínterim ela relembra fatos da sua vida, num roteiro de Michael Cunningham (autor de "As Horas").
Dirigido por Lajos Koltai
Com Vanessa Redgrave, Meryl Streep, Toni Collette, Claire Danes, Natasha Richardson, Glenn Close, Patrick Wilson
Possíveis indicações: filme, diretor, roteiro original, atriz (Vanessa Redgrave), atriz coadjuvante (Meryl Streep, Toni Collette, Glenn Close), ator coadjuvante (Patrick Wilson)
THE LIONS FOR LAMBS
Tom Cruise e Meryl Streep estão no drama dirigido e estrelado por Robert Redford sobre um grupo de soldados americanos que são aprisionados no Afeganistão e se tornam motivo de disputa entre um senador americano e uma jornalista. O filme é o primeiro trabalho de Cruise na MGM e a segunda parceria de Streep e Redford.
Dirigido por Robert Redford
Com Tom Cruise, Meryl Streep, Robert Redford, Derek Luke, Michael Peña
Possíveis indicações: filme, diretor, roteiro original, atriz (Meryl Streep), ator (Tom Cruise), ator coadjuvante (Robert Redford)
AMERICAN GANGSTERS
Nos anos de 1970, um chefão do tráfico de drogas (Denzel Washington) monta operação de contrabando de heroína no violento bairro do Harlem, Nova York, e se torna a caça de um poderoso detetive (Russell Crowe).
Dirigido por Ridley Scott
Com Denzel Washington, Russell Crowe, Cuba Gooding Jr, Carla Gugino
Possíveis indicações: filme, diretor, roteiro original, ator (Denzel Washington e Russell Crowe)
EASTERN PROMISSES
David Cronenberg dirige Naomi Watts, uma enfermeira que passa a investigar a vida de uma jovem morta no hospital onde trabalha e se depara com o submundo do tráfico de drogas comandado pela máfia russa na Inglaterra.
Dirigido por David Cronenberg
Com Naomi Watts, Viggo Mortensen, Vincent Cassell
Possíveis indicações: filme, diretor, roteiro original, atriz (Naomi Watts), ator (Viggo Mortensen, Vincent Cassell)
YOUTH WITHOUT YOUTH
O filme foi adiado várias vezes e surgiu a suspeita da honestidade do trabalho de Coppola após dez anos de ausência, mas as primeiras exibições feitas comprovam um grande filme sobre professor que viaja pela Europa no período que antecede a Segunda Guerra Mundial. O filme deve estrear no Festival de Cannes.
Dirigido por Francis Ford Coppola
Com Tim Roth, Bruno Ganz, Matt Damon
Possíveis indicações: filme, diretor, roteiro original
e mais:
● Natalie Portman e Scarlett Johansson são duas irmãs rivais em The Other Boleyn Girl ● Mike Newell dirige a adaptação de O Amor No Tempo do Cólera ● um acidente de carro une as vidas de Joaquin Phoenix, Jennifer Connelly e Mark Ruffalo em Reservation Road ● James Mangold reimagina o faroeste clássico 3:10 to Yuma com Russell Crowe, Christian Bale e Peter Fonda ● o prestigiado Noah Baumbach escreve e dirige Margo at the Wedding, com Nicole Kidman e Jack Black e Jennifer Jason Leigh ●
postado por HUDSON às 8:27 PM
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Domingo, Fevereiro 25, 2007
OSCAR 2007
"Eu amei ser odiada por você"
Louise Fletcher, melhor atriz de 1976 por "Um Estranho no Ninho", agradecendo ao seu companheiro de cena Jack Nicholson. Nesse mesmo discurso, Fletcher levou o público às lágrimas ao se dirigir a seus pais, na platéia, falando em libras, a linguagem dos surdos-mudos
postado por HUDSON às 5:35 PM
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OSCAR 2007
Se muitos lutam e não conseguem levar uma estatueta para casa, dois grandes nomes do cinema americano saíram vitoriosos depois de mortos: Peter Finch foi o primeiro a receber um Oscar póstumo, como melhor ator em 1977 por Rede de Intrigas. Em 2003, Conrad L. Hall repetiu o feito ao receber o prêmio póstumo pela fotografia de Estrada para Perdição. Na contra-mão, cinco foram os atores que conseguiram vitórias em dois anos seguidos: Luise Rainer, em 1936 e 1937 ( por Ziegfeld, o Criador de Estrelas e Terra dos Deuses), Spencer Tracy, em 1937 e 1938 (por Marujo Intrépido e Com os Braços Abertos), Katharine Hepburn, em 1967 e 1968 (por Adivinhe Quem Vem Para Jantar e O Leão no Inverno), Jason Robards, em 1976 e 1977 (por Todos os Homens do Presidente e Julia) e Tom Hanks, em 1993 e 1994 (por Filadélfia e Forrest Gump).
postado por HUDSON às 5:28 PM
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Sábado, Fevereiro 24, 2007
OSCAR 2007
Dizer que o Oscar é marcado por injustiças é balela. Um prêmio em que mais de cinco mil membros votam na tranquilidade de suas casas, sem qualquer discussão em grupo, não dá para esperar outro critério senão o da subjetividade. Alguns nomes entraram para a história por nunca ter recebido uma estatueta - Stanley Kubrick, Alfred Hitchcock e Martin Scorsese, que dificilmente ficará sem a sua nesse ano - e outros conseguiram ir além: detêm recordes expressivos, como o diretor novaiorquino Woody Allen, que no ano anterior conquistou sua 21ª indicação entre produtor, diretor, roteirista e ator. A categoria de atuação revela, ainda, a disputa mais interessante pela estatueta dourada. Confira abaixo as maiores indicados e vencedores do prêmio:
Outros atores, como Thelma Ritter e Deborah Kerr também conseguiram seis indicações na história do prêmio, mas nunca venceram, assim como Peter O'Toole, que nesse ano completou sua oitava indicação sem nenhuma vitória - ele levou apenas o prêmio especial em 2003.
postado por HUDSON às 7:43 PM
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OSCAR 2007
"Eu sou o rei do mundo! Uhuuuuuu!
James Cameron ao receber a estatueta de diretor por Titanic, na festa de 1998
postado por HUDSON às 7:12 PM
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Sexta-feira, Fevereiro 23, 2007
OSCAR 2007
"Clavo mi remo en el agua
Llevo tu remo en el mío
Creo que he visto una luz al otro lado del río
El día le irá pudiendo poco a poco al frío
Creo que he visto una luz al otro lado del río... tchau!"
Discurso do cantor e compositor uruguaio Jorge Drexler, que recebeu o Oscar de Melhor Canção Original em 2005, por "Diários de Motocicleta", mas foi impedido pela produção do espetáculo de se apresentar no palco do Kodak Theather, substituído pelos mais conhecidos Antonio Banderas e Carlos Santana
postado por HUDSON às 9:07 PM
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OSCAR 2007
"Agradeço a mim, pois acho que mereci"
Matthew Yuricich, ao receber a estatueta pelos efeitos visuais de "Fuga no Século 23" em 1977
postado por HUDSON às 10:55 AM
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Quinta-feira, Fevereiro 22, 2007
OSCAR 2007
"Este é o início para poucos felizardos e o fim de muitas amizades"
Chevy Chase, ao abrir a cerimônia de 1988 no Shrine Auditorium
postado por HUDSON às 6:52 PM
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S03E09 - STRANGER IN A STRANGE LAND
Muito tempo atrás, quando Lost ainda estava no início de sua terceira temporada, em novembro passado, Stranger in a Strange Land era um dos episódios mais alardeados, que contaria através do flashback do Jack como surgiu a tatuagem em seu braço esquerdo. No entanto, não há muito que comemorar: a história não revela muita coisa além do que já se sabia sobre as características do doutor protagonista, ainda que um paralelo entre passado e presente seja traçado com algum simbolismo. "Os Outros" surgem muito mais organizados do que se imaginava e alguma confusão é propositalmente elaborada quando alguns dos sobreviventes do vôo 815 aparecem passeando entre eles, sem qualquer medo ou drama. A única coisa que resta após esses episódios menos esclarecedores, como esse, é mesmo a agonia em ter que esperar até o próximo capítulo.
postado por HUDSON às 12:18 PM
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Quarta-feira, Fevereiro 21, 2007
OLHAR CINEMATOGRÁFICO I
Foto de Wilton Junior do último carro verde-e-rosa a desfilar na Marquês de Sapucaí, em 19 de fevereiro, coroando uma apresentação aberta pela fantástica comissão-de-frente da Estação Primeira de Mangueira, terceira colocada em 2007.
"Mangueira vai deixar saudade quando o carnaval chegar ao fim..."
postado por HUDSON às 6:54 PM
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Sexta-feira, Fevereiro 16, 2007
ALFRED 2006
:: premiados ::
De modo bastante inusitado, dois filmes dividiram o posto de melhor do ano para a Liga dos Blogues Cinematográficos. A associação apontou O Novo Mundo e O Segredo de Brokeback Mountain os dois melhores filmes de 2006, numa votação apertada que teve ainda Cachê, Os Infiltrados e Amantes Constantes entre os finalistas.
A LBC, que reúne 64 blogueiros cinéfilos e premia os lançamentos brasileiros do ano pela quarta vez consecutiva em vinte categorias do cinema, através do Alfred, já premiou Sobre Meninos e Lobos, em 2003, Encontros e Desencontros, em 2004, e Menina de Ouro em 2005. Neste ano, Martin Scorsese ficou com o prêmio de melhor diretor - que já havia vencido por Gangues de Nova York - pela saga de mafiosos de Boston que arrebatou cinco prêmios no total (direção, montagem, elenco, roteiro adaptado e ator coadjuvante para o excelente Jack Nicholson). Hermila Guedes e Phillip Seymour Hoffman sagraram-se os melhores nas categorias de atuação feminina e masculina, respectivamente. Destaque também para Match Point - Ponto Final, eleito melhor roteiro original, e O Céu de Suely o melhor filme brasileiro.
Todos os demais vencedores e finalistas de cada categoria da premiação pode ser conferida no site oficial da Liga.
postado por HUDSON às 12:45 AM
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Quinta-feira, Fevereiro 15, 2007
S03E08 - FLASHES BEFORE YOUR EYES
Intrigante do início ao fim e por isso talvez o melhor episódio desde que a fantástica primeira temporada acabou. Estou com medo do Desmond, estou com medo da cara da Fionnula Flanagan - numa participação inusitada, estranha e difícil - e também dos rumos que Lost está tomando. Toda a loucura e simbologia presente na série chegou a níveis inesperados e desfazer o nó de forma lúcida e suficiente não vai ser tarefa fácil. O flashback, pela primeira vez, acontece sem cortes e tem-se a sensação de que ele é uma extensão da ilha e não uma apresentação dos acontecimentos anteriores a ela. Muito medo.
postado por HUDSON às 1:50 PM
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Segunda-feira, Fevereiro 12, 2007
:: primeira-mão ::
MARIA-ANTONIETA
Ao surgir na tela, antes mesmo dos créditos iniciais, Maria-Antonieta, a personagem vivida por Kirsten Dunst, aparece esparramada sobre uma confortável cadeira, em um suntuoso quarto, lambendo os dedos sujos de doces enquanto uma serviçal cuida de seus pés. Quando a tela escurece, letras em um forte tom rosa pipocam sobre o fundo preto apresentando equipe e elenco da produção dirigida por Sofia Coppola. Junto a outros elementos apresentados nas duas horas de exibição, fica claro desde então duas coisas: a tendência da diretora em manter os pés de sua obra fincados no mais absoluto grau visual, por diversas vezes abstendo-se de palavras e diálogos, levando às últimas conseqüências a exploração genuína do cinema em meio à idéia da arte voltada para olhos - assim como a arquitetura, a culinária, o vestuário e demais itens presentes no filme, sem reduzi-los a um significado rasteiro, obviamente; e também, no abandono da figura política da rainha francesa do século XVIII, revertida em uma poção humana da jovem que aos quinze anos de idade converteu-se numa princesa para aos dezenove assumir o trono francês.
Ao optar por essa vertente visual, Sofia explora as minúcias do cenário palaciano - em especial o de Versalhes, onde a história realmente se passou e a diretora conseguiu autorização especial para adentrar -, do rebuscamento da decoração, dos pormenores arquitetônicos que não deixam de expressar, em um primeiro momento, o espanto e a novidade de Maria em seu novo lar, e posteriormente, do caráter monumental e a importância histórica da personagem envolto ao local. Sua câmera, na maior parte do tempo, se mantém em planos abertos para mostrar toda a exuberância que impõe um massacre à jovem inexperiente que cai de pára-quedas numa nação prestes a explodir. Em seu terceiro trabalho atrás das câmeras, o filme não deixa de compor uma bela cinematografia para Sofia, que antes havia se debruçado com extrema competência na vida suburbana dos Estados Unidos para depois viajar ao Japão e mostrar a relação homem x meio naquela que é a cidade mais tecnológica do mundo.
O uso vibrante das cores salienta ainda o choque da espontaneidade de Antonieta com a pomposidade das relações parisienses. É notável que a personagem na qual a diretora se utiliza em sua história não é a encontrada em livros acadêmicos ou enciclopédias, mas a face desconhecida da austríaca: presa na futilidade de escolher seus sapatos, leques e vestidos, das compras exorbitantes que lhe renderam muitos apelidos entre a população, da vibração pelos jogos, festas e farturas, e visivelmente descompromissada com os rumos políticos de sua nação. Alheio a seu fim, em meio à Revolução Francesa, seu descaso resume-me na famosa frase quando informada que o povo não tinha mais pão para comer: "dêem a eles brioches!".
Repetitivo nas intenções de mostrar o provável naufrágio de um casamento sem herdeiros, resultado da tardia gravidez acontecida somente após onze anos de união com Luís XVI, que ainda teve o azar de gerar uma mulher; mesclando música clássica ao jovial rock'n roll, fazendo surtir o mesmo efeito que o pop agiu na boemia do musical Moulin Rouge; e, por fim, nada mais que uma visão apaixonada e vibrante de um ícone que normalmente endossa aa histórias como coadjuvante e que ganha seu próprio espaço.
ficha técnica
Marie Antoinette
produção franco-americana de 2006
dirigida por Sofia Coppola
com Kirsten Dunst, Jason Schwartzman, Judy Davis, Marianne Faithfull, Steve Coogan
123' de duração
postado por HUDSON às 11:56 PM
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Sábado, Fevereiro 10, 2007
:: em cartaz ::
O ÚLTIMO REI DA ESCÓCIA
De repente a África, seus costumes, fraquezas sociais e guerras civis, virou um dos terrenos mais apreciados para thrillers e dramas políticos. Do engajamento social de O Jardineiro Fiel à eletrizante ação de Diamante de Sangue, a visão sobre as idiossincrasias do continente negro, que também foi filmado no passado por Glauber Rocha em O Leão de Sete Cabeças, ganhou em consistência com O Último Rei da Escócia, filme inglês sobre o período em que Uganda esteve sob o domínio do ditador Idi Amin Dada.
O filme, ainda que tenha por prioridade traçar o painel do execrável governo de Amin, é centrado na figura do escocês Nicolas Garrigan (o ótimo James McAvoy), médico recém-formado que como um bom jovem sonhador de família tradicional, põe o pé na porta e vai desbravar o mundo com um pouco mais do que vontade e determinação na mochila. Com o acaso lidando fortemente com o determinar de seu destino, de auxiliar num pequeno hospital numa das áreas mais carentes do país, ele acaba se tornando médico particular de Idi Amin, inclusive tendo forte influência sobre algumas de suas decisões. A figura carismática e vivaz do ditador a princípio consolida uma relação quase paternal entre os dois, mas com o passar do tempo Amin deixa transparecer suas reais intenções com o visível descontrole de seus atos, trazendo à tona, então, as atrocidades cometidas desde o início de seu governo e se afastando de Nicolas.
O roteiro de Peter Morgan e Jeremy Brock, levado às telas pelo diretor Kevin MacDonald, mantém os pés em um fino humor inicial que aos poucos dá lugar às medidas extremistas do ditador, confirmado por uma série de fotografias reais presentes nos créditos finais do filme, reforçando um dos períodos mais conturbados do pequeno país africano.
Confiando muito no material que tem em mãos, a atuação de Forest Whitaker acaba sendo nada menos que estarrecedora: você não precisa conhecer Idi Amin, ou sequer saber quem foi ou o que fez. Basta olhar nos olhos do ator para entender toda a brutalidade do personagem real, o que acaba sendo espetacular em meio às cansativas atuações biográficas exaustivamente premiadas de uns tempos para cá. Um memorável retrato feito com dignidade e força.
ficha técnica
The Last King of Scotland
produção inglesa de 2006
dirigida por Kevin MacDonald
com Forest Whitaker, James McAvoy, Kerry Washington, Gillian Anderson
121' de duração
postado por HUDSON às 12:39 AM
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Quinta-feira, Fevereiro 08, 2007
S03E07 - NOT IN PORTLAND
Depois de dois meses e meio longe das telas, Lost tem um reinício eletrizante no sétimo episódio da terceira temporada. Not in Portland traz o primeiro flashback de um membro dos "Outros", Dra. Juliet (a excelente Elizabeth Mitchell), que revela muito mais do que sua ação fora da ilha, mostrando os rumos da intrigante organização na qual ela pertence, o que acaba reforçando ainda mais a resolução de um dos grandes mistérios do seriado (quem são os Outros e o que eles fazem na ilha), num caminho que, ainda carente de muita explicação, vai ser difícil seguir por outro rumo. O tom enervante da trama está de volta, depois de alguns episódios insossos no início da temporada, revelando que ainda há muito que ser dito nos próximos dezessete capítulos restantes.
postado por HUDSON às 2:50 PM
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Quarta-feira, Fevereiro 07, 2007
:: em cartaz ::
A CONQUISTA DA HONRA
Causa e conseqüência, duas vertentes que caminham lado a lado em A Conquista da Honra, resumem, a grosso modo, o ideal proposto pelo filme dirigido por Clint Eastwood. A 'visão americana' para a Batalha de Iwo Jima, durante a Segunda Guerra Mundial, se divide entre os heróis de guerra construídos no imaginário da população, impulsionados pela união entre a política e a imprensa, e entre os homens que lutaram bravamente por uma causa que, mesmo aparentemente desconhecida, se propunha reconstruir a glória de uma nação.
Quando os fuzileiros navais norte-americanos desembarcaram na ilha nipônica, em 1944, mal sabiam que entre eles um grupo se tornaria exemplo para uma população que passou uma década inteira desacreditada dos rumos de seu país. A famosa fotografia do hasteamento da bandeira em solo estrangeiro, brilhantemente recriada em uma curta cena durante o filme, guarda muito mais segredos e motivações, e é, na verdade, muito mais aquele famoso acontecimento "na hora certa, no lugar exato", do que algo que permitiu a repatriação da honra e orgulho perdidos. Causa e conseqüência sim, tal qual a divisão narrativa exposta com clareza por Eastwood, que utiliza o longo elenco nas fantásticas reconstruções das batalhas e centra sua história - a que ele realmente quer tornar fundamental em sua obra - na campanha dos soldados resgatados em meio a muitas mortes para possibilitar a construção de um ideal americano, o famoso "sonho".
O autor Clint Eastwood - poucos se aventuram com uma destreza tão grande como diretor, produtor e ainda compositor da excelente trilha sonora - é capaz de estabelecer uma conexão elegante para a união desses dois eixos sobre a guerra, dando credibilidade à trama. Se há um pequeno escorregão aos quarenta e cinco minutos do segundo tempo, num eventual discurso paterno, existe um turbilhão de qualidades que despontam do início ao fim: a necessidade de uma equipe técnica eficiente se transforma no mais absurdo grau de preciosismo da fotografia à edição, do som aos efeitos visuais.
Adensado pelo forte teor político, não há como esconder que o filme revela seu lado mais forte na crítica à política de guerra americana, em vigor até os dias de hoje, ao que parece. No entanto, é extremamente prazeroso saber que mentes geniais brilham ao retratar o que parece o mais desgastado dos gêneros cinematográficos.
ficha técnica
Flags of Our Fathers
produção americana de 2006
dirigida por Clint Eastwood
com Ryan Phillippe, Jesse Bradford, Adam Beach, Barry Pepper, Jamie Bell
132' de duração
postado por HUDSON às 1:34 PM
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Terça-feira, Fevereiro 06, 2007
FILMES DE JANEIRO
"Amor em Cinco Tempos", não o melhor filme do mês, mas a melhor lembrança garantida com extrema franqueza pela habilidade do diretor dos pôr-do-sol: François Ozon.
1 - Match Point - Ponto Final (Match Point, 2005, de Woody Allen)
2 - Johnny e June (Walk the Line, 2005, de James Mangold)
3 - Amor em Cinco Tempos (5x2, 2004, de François Truffaut)
4 - O Segredo de Brokeback Mountain (Brokeback Mountain, 2005, de Ang Lee)
5 - A Lula e a Baleia (The Squid and the Whale, 2005, de Noah Baumbach)
6 - A Dama na Água (The Lady in the Water, 2006, de M. night Shyamalan)
7 - Terra de Sonhos (In America, 2003, de Jim Sheridan)
8 - Capote (idem, 2005, de Bennett Miller)
9 - Orgulho e Preconceito (Pride and Prejudice, 2005, de Joe Wright)
10 - Um Show de Vizinha (The Girl Next Door, 2004, de Luke Greenfield)
11 - O Novo Mundo (The New World, 2005, de Terrence Mallick)
** - Vida de Cachorro (A Dog¿s Life, 1918, de Charlie Chaplin)
** - Os Clássicos Vadios (The Idle Class, 1921, de Charlie Chaplin)
12 - Munique (Munich, 2005, de Steven Spielberg)
13 - O Tempo Que Resta (Le Temps Qui Reste, 2005, de François Ozon)
14 - Boa Noite, e Boa Sorte. (Good Night, and Good Luck)
15 - O Diabo Veste Prada (The Devil Wears Prada, 2006, de David Frankel)
16 - De Repente é Amor (A Lot Like Love, 2005, de Nigel Cole)
17 - Vôo United 93 (United 93, 2006, de Paul Greengrass)
18 - Círculo do Medo (Cape Fear, 1962, de J. Lee Thompson)
19 - 2046 - Segredos do Amor (2046, 2004, de Wong Kar Wai)
20 - Ensina-me a Viver (Harold and Maude, 1971, de Hal Ashby)
21 - O Guia do Mochileiro das Galáxias (The Hitchhiker¿s Guide to the Galaxy, 2005, de Garth Jennings)
22 - Borat: O Segundo Melhor Repórter do Glorioso País Cazaquistão Viaja à América (Borat: Cultural Learnings of America for Make Benefit Glorious Nation of Kazakhstan, 2006, de Larry Charles)
23 - All the King's Men (All the King's Men., 2006, de Steven Zaillian)
24 - Os Melhores Anos de Nossas Vidas (The Best Years of Our Lives, 1946, de William Wyler)
25 - O Garoto (The Kid, 1921, de Charlie Chaplin)
26 - Balzac e a Costureirinha Chinesa (Xiao cai feng, 2002, de Sijie Die)
27 - Diamante de Sangue (Blood Diamond, 2006, de Edward Zwick)
28 - Pecados Íntimos (Little Children, 2006, de Todd Field)
29 - Os Homens Preferem as Loiras (Gentlemen Prefer Blondes, 1953, de Howard Hawks)
30 - Tapete Vermelho (idem, 2006, de Luiz Alberto Pereira)
31 - A Rainha (The Queen, 2006, de Stephen Frears)
32 - À Procura da Felicidade (The Pursuit of Happyness, 2006, de Gabriele Muccino)
33 - A Difícil Arte de Amar (Heartburn, 1986, de Mike Nichols)
34 - Half Nelson (Half Nelson, 2006, de Ryan Fleck)
35 - Jogo de Sedução (Dot the I, 2003, de Matthew Parkhill)
36 - Last Life in the Universe (Ruang rak noi nid mahasan, 2003, de Pen-Ek Ratanaruang)
37 - Coração Valente (Heartbrave, 1995, de Mel Gibson)
38 - Turistas (idem, 2006, de John Stockwell)
39 - Alex Rider Contra o Tempo (Stormbreaker, 2006, de Geoffrey Sax)
40 - Tudo em Família (The Family Stone, 2005, de Thomas Bezucha)
41 - Sinfonia de Paris (An American in Paris, 1951, de Vincent Minelli)
42 - Amores Brutos (Amores Perros, 2000, de Alejandro González Iñárritu)
43 - 21 Gramas (21 Grams, 2003, de Alejandro González Iñárritu)
44 - Escola de Rock (School of Rock, 2003, de Richard Linklater)
45 - Diabo a Quatro (Duck Soup, 1933, de Leo McCarey)
46 - Sympathy for the Devil (idem, 1968, de Jean-Luc Godard)
47 - Déjà Vu (idem, 2006, de Tony Scott)
48 - Mamma Roma (idem, 1962, de Pier Paolo Pasolini)
49 - Uma Noite no Museu (Night at the Museum, 2006, de Shawn Levy)
50 - Razão e Sensibilidade (Sense and Sensibility, 1995, de Ang Lee)
51 - Dreamgirls - Em Busca de um Sonho (Dreamgirls, 2006, de Bill Condon)
52 - King Kong (idem, 2005, de Peter Jackson)
53 - Minority Report - A Nova Lei (Minority Report, 2002, de Steven Spielberg)
54 - O Véu Pintado (The Painted Veil, 2006, de John Curran)
55 - O Terceiro Tiro (The Trouble With Harry, 1955, de Alfred Hitchcock)
postado por HUDSON às 9:15 PM
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Sábado, Fevereiro 03, 2007
:: em cartaz ::
À PROCURA DA FELICIDADE
Parece um cinema típico americano os dramas humanos de superação, centrado na figura de um protagonista cheio de problemas, que sofre um bom bocado até conseguir se livrar do estigma do fracasso. Roteiros quadradinhos, meia-boca, que ficam anos na mesa dos chefões de grandes estúdios e raramente encontram vida nas mãos de diretores que consigam imprimir alguma marca no texto intocável. Com grande liberdade, Steven Soderbergh tirou água da pedra Erin Brockovich, em 2000. Já o italiano Gabriele Muccino está mais perto do caminho apático de Meu Encontro Com Drew Barrymore, com sua estréia em solo norte-americano, À Procura da Felicidade.
O filme, sem nenhum arrojo ou virtude, conta a história real de Chris Gardner, vendedor de porta em porta, pai de um menino cujo casamento anda pelas pontas diante das promessas de felicidade não cumprida, que sonha com um emprego numa das maiores empresas de investimento em ações dos Estados Unidos. De zé ninguém a estagiário na tal companhia Chris vê a mulher arrumar as malas e deixar o filho para trás - sem muito esforço, já que ele aprendeu de maneira tocante com seu pai que não há nada mais importante na sua vida do que um filho, a partir do momento que você o tem - e se vira entre deixar o filho na creche, trabalhar exaustivamente sem nenhuma renda, vender algumas geringonças, correr atrás de alguns credores e arrumar um teto para dormir. No final das contas todo mundo já sabe que Chris Gardner se torna um milionário enfadonho.
Não se pode negar que a química entre Will Smith e Jaden Smith (pai e filho na vida real) estabeleça uma relação rica em sentimentalidade, que leva qualquer um facilmente às lágrimas, nem mesmo que o protagonista expresse todo seu virtuosismo de maneira bastante perspicaz, mas a idéia de construção do glorioso "sonho americano", apregoada desde muito tempo atrás, não convence. É como diz o ditado: peque pelo excesso, mas não pela omissão.
ficha técnica
The Pursuit of Happyness
produção americana de 2006
dirigida por Gabriele Muccino
com Will Smith, Jaden Smith, Thandie Newton
117' de duração
postado por HUDSON às 6:17 PM
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Quinta-feira, Fevereiro 01, 2007
:: em cartaz ::
BABEL
É estranho que o maior atrativo - à primeira vista - de Babel também seja responsável por um certo descompasso no andar do último filme do mexicano Alejandro González Iñárritu. Novamente em parceria com Guillermo Arriaga e a equipe de seus dois filmes anteriores, o diretor finaliza sua trilogia e mais uma vez abusa de uma narrativa fragmentada, que reúne quatro histórias que tem seus fios unidos em um determinado ponto. Aqui, no entanto, essa mesma narrativa que viabiliza seu conto e fortifica o tema da inflexão humana em decorrência da má-comunicação, possibilitando reunir diversas vozes em um único coro, acabe por diminuir o impacto ao mostrar, em poucos segundos, caminhos tão díspares para seus personagens.
Nada que estrague por completo o tom do fascinante roteiro de Arriaga, que reconstrói a bíblica Babel nos dias de hoje. O ponto de partida apresentado no filme é um tiro de uma arma de fogo que atinge uma americana em visita ao Marrocos, causando um incidente de apelo internacional, reagindo nos quatro cantos do globo. A partir de então, segredos e novos fatos surgem para dilacerar ou reunir famílias, mudar o rumo da vida de cada protagonista e estabelecer um forte diálogo com a política do mundo de hoje. Cada passo em cena é milimetricamente calculado e funciona, conseguindo com destreza amarrar as várias arestas soltas durante o decorrer dos acontecimentos. A dor pungente catapultada das reações viscerais do elenco correspondem à risca com a verossimilhança pregada do início ao fim, salientando as crateras que surgem com o mero desviar de olhos, o esconder das palavras e as justificativas que nunca são suficientes - como se a bruta conseqüência dos fatos fossem sempre necessárias, para o bem de um e mal de outros (onde nem sempre o lado mais fraco é o primeiro a se arrebentar).
Iñárritu consegue se desvencilhar dos vícios de seus filmes anteriores - que faziam sentido na passionalidade de antes, mas não aqui - ao não abusar dos closes de câmera na mão feitos em Amores Brutos e das muitas tomadas de uma mesma cena no quebra-cabeça de 21 Gramas. Há uma seqüência particularmente fascinante em que o diretor passeia de uma ponta do carro à outra, aproximando os personagens do centro da tela e, ao trazê-los para dentro do veículo, praticamente gira a câmera em 360° graus captando toda a cena.
Em meio ao caos do mundo globalizado que se tem notícia todos os dias e que o próprio Babel não faz questão de esconder, não é difícil entender o porquê do abraço ao filme: entre mortos e feridos sempre há esperança. Aqui, ali e em qualquer lugar.
ficha técnica
Babel
produção americana e mexicana de 2006
dirigida por Alejandro González Iñárritu
com Brad Pitt, Cate Blanchett, Gael García Bernal, Adriana Barraza, Rinko Kikuchi
142' de duração
postado por HUDSON às 10:25 PM
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:: quando cinema também é diversão ::
CELEBRITY OOPS
no ar desde domingo passado, o Celebrity Oops! é outro - e não mais um - blog cinematográfico a dar a cara à tapa na sempre rígida blogosfera, mas com um grande diferencial: é o primeiro que promete trazer à tona o melhor - ou pior - das escandalosas vidas das celebridades da sétima arte. Diversão sem censura e notícias descompromissadas certamente marcarão presença por lá. O endereço do portal das gargalhas é www.c-oops.blogspot.com.
postado por HUDSON às 12:26 AM
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