Informações, comentários e pequenas notas sobre filmes e tudo o que cerca a sétima arte, por Hudson Dalbem, mero estudante universitário e amante inveterado do cinema
|
Terça-feira, Abril 17, 2007
A mesma intensidade que me faz entrar de cabeça naquilo que amo e me faz bem, subindo degraus a galope, também é capaz de me atirar de cima pra baixo. Chega uma hora, então, em que se torna necessário parar e avaliar os rumos de todas as coisas de forma mais minuciosa, e o Epílogo não poderia ficar de fora. A partir de hoje me ausento por um tempo indeterminado daqui - e isso pode representar tão somente uma semana ou um mês - mas aos amigos que fiz por aqui e a todos que "batem cartão" diariamente, agradeço a presença constante e estejam certos que logo, logo voltarei dando meus pitacos sobre a apaixonante sétima arte.
Até mais!
postado por HUDSON às 9:46 AM
|
Sábado, Abril 07, 2007
:: em cartaz ::
NOTAS SOBRE UM ESCÂNDALO
Há um fator extra que toma conta - literalmente - de Notas Sobre um Escândalo: os produtores Scott Rudin e Robert Fox. A parceria desenvolvida desde 2001 tem resultado em alguns dos melhores dramas dos últimos anos e não poderia ser diferente dessa vez. Novamente sob o comando do diretor Richard Eyre, os produtores decidiram levar às telas mais uma obra literária de sucesso, não por coincidência ambientada na Inglaterra, como todos os outros trabalhos anteriores da dupla, e que tem seu universo conduzido por uma temática densa e inflamada para muitos.
O tema em questão envolve duas professoras de uma escola secundária inglesa, Sheba, uma belíssima balzaquiana que acaba de chegar ao local, e Bárbara, uma idosa que há 30 anos coordena a mãos-de-ferro o departamento de História. A primeira, assim que chega, logo se torna desejada das mais diversas formas por colegas de trabalho e alunos, de uma maneira pudica até a mais desenfreada, e mesmo se rendendo ao charme da luxúria, mantém sua figura familiar consolidando o trabalho com o marido e os filhos. A segunda, com sua postura autoritária e arrogante diante de todos, motivo pelo qual leva sua vidinha solitária, aproveita-se das oportunidades para logo ganhar a confiança de sua nova colega.
A narrativa proposta para o filme é bastante inteligente ao direcionar a visão do relacionamento para Bárbara, a professora de rosto sisudo que mantém seu olhar sempre desconfiado e prepotente a tudo que enxerga. A chegada de Sheba é captada através de grades e janelas, à meia-distância, quase sempre vendo a novata com a fragilidade de alguém ainda não adaptada ao novo ambiente, recorrendo a subterfúgios como acariciar os próprios cabelos na tentativa de esconder o incômodo inicial - ao mesmo tempo em que o pescoço à mostra salienta ainda mais sua imagem tentadora. Rapidamente as duas tornam-se necessárias uma a outra (Sheba na tentativa de adaptação e Bárbara de ter uma companhia) e numa metáfora perspicaz, salientando a personalidade fria e calculista da senhora, a jovem professora aparece rendida no colo de sua colega, cujos futuros segredos se tornam um ás nas mãos erradas.
Essa relação construída entre as duas com os demais personagens inseridos ao longo do texto reforça o roteiro de Patrick Marber, que mais uma vez não mede palavras para tornar seus diálogos particularmente impressionantes e críveis que, por conseqüência, dão aos atores os arrojos que lhe garantem a vitrine para seus personagens. Se Bill Nighy aparenta em seu rosto surrado as mazelas de um casamento já cansado, Cate Blanchett demonstra as múltiplas características de Sheba necessárias à composição da personagem com pouco mais que meia dúzia de gestos, sem se repetir. Mas é Judi Dench, uma personagem fabulosamente construída, que insinua suas intenções sob a irretocável aparência da firme senhora de idade ao mesmo tempo em que esconde seu meticuloso comportamento fantasioso. A atriz dispensa qualquer tipo de comparação, mas é impossível não deixar de relacioná-la com as loucuras que algumas personagens vividas por Elizabeth Taylor cometiam em seu áureo tempo no cinema.
Rápido na duração, Notas Sobre um Escândalo tem um ritmo intenso que cresce à medida que o relacionamento entre as duas mulheres se torna mais íntimo e problemático. Embalado pela música de Philip Glass, que comete mais uma de suas fantásticas trilhas sonoras minimalistas, o filme guarda melhores intenções que suas personagens dúbias e imperfeitas, e talvez por sejam tão fascinantes.
ficha técnica
Notes on a Scandal
produção inglesa de 2006
dirigida por Richard Eyre
com Judi Dench, Cate Blanchett, Bill Nighy, Andrew Simpson
92' de duração
postado por HUDSON às 11:14 AM
|
S03E15 - LEFT BEHIND
A fragilidade de Lost é espantosa. Nem mesmo coisas banais, como a retomada de personagens do ponto de onde terminaram suas "jornadas" é feito dignamente, tudo para manter mais um mistério debaixo dos panos. O left behind do título cabe mais aos expectadores sobreviventes que a qualquer outra coisa que ronde a sagrada ilha.
Ok. Próximo?
postado por HUDSON às 12:01 AM
|
Terça-feira, Abril 03, 2007
:: em cartaz ::
Ó PAÍ, Ó
Assim como a expressão que lhe dá nome, Ó Paí, Ó padece da falta de um sentido direto, um significado claro e sucinto, que vá além do entendimento da esfera exclusiva dos soteropolitanos. A transposição da peça do baiano Márcio Meirelles ganhou vida no cinema nas mãos da diretora baiana Monique Gardenberg, protagonizado pelo baiano Lázaro Ramos e por um elenco quase que exclusivamente do local, numa trilha sonora composta por Caetano Veloso e Davi Moraes, que são baianos. A sensação que se tem, para os desconhecedores da intimidade do universo de Salvador, é de que o filme é feito somente para os baianos.
Com um pé nos graciosos festejos dos costumes locais, outro numa corrida crítica à sociedade e nos seculares problemas sociais condicionados pela raça, e ainda, com a cabeça presa a tipos e personagens caricaturados, percebe-se que o filme sofre uma grande crise de identidade, pulando de galho em galho na tentativa de sintetizar as vicissitudes de um povo que, juntos, formam um país à parte. Reunidos sob o teto de um cortiço no pelourinho, os protagonistas e coadjuvantes da história, a maioria formada por negros, mãe-de-santo, travestis, gays, lésbica, o mau-caráter, a moça fogosa, e o bom trabalhador-sonhador, reforçam a idéia turística de na Bahia somos todos iguais e muito bem-recebidos - especialmente durante os cinco dias do carnaval. Sobra até para o ícone da beata protestante com o discurso inflamado sobre tudo de mau que lhe rodeia, mas que, claro, guarda debaixo das saias os mesmos pensamentos que a todo o momento critica.
Das muitas facetas que assume, não resta a menor dúvida que a celebração da festa é quem garante a Ó Paí, Ó o gostinho da diversão proposta pela comédia musical. A riqueza das cores, o som, a dança, a vibração, o corpo, as formas e o sexo exaltados pulam aos olhos e reforçam a antiga idéia de que na Bahia carnaval é o ano inteiro e que tudo acaba em festa. Mas se essa acaba sendo a idéia mais reforçada do longa, quem vai questionar?
ficha técnica
Ó Paí, Ó
produção brasileira de 2007
dirigida por Monique Gardenberg
com Lázaro Ramos, Dira Paes, Wagner Moura, Luciana Souza, Stênio Garcia
96' de duração
postado por HUDSON às 9:35 AM
|
|
|