Informações, comentários e pequenas notas sobre filmes e tudo o que cerca a sétima arte, por Hudson Dalbem, mero estudante universitário e amante inveterado do cinema
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Terça-feira, Julho 31, 2007
:: epílogo ::
1918 - 2007
Quando tinha meus quinze anos de idade e encarei meu primeiro Ingmar Bergman, Morangos Silvestres, não compreendi como um drama humano que parecia tão pés no chão de repente colocava um homem enxergando - literalmente - seus familiares ao redor de uma mesa de refeição. Quando os noventa minutos do filme se passaram, pouco restou pra mim, a não ser a estranheza do universo do cineasta sueco, que só revisitaria anos depois, momento em que o mesmo Morangos Silvestres passou a fazer sentido. Desde então não tenho a menor pretensão de compreender seu mundo e suas viagens oníricas, mas me sinto parte da história quando tenho vontade de viver tudo aquilo que já passou, todo o tempo.
Bergman, eu e Woody sentiremos sua falta.
postado por HUDSON às 10:05 PM
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Sábado, Julho 28, 2007
:: corrente literária ::
Marco Paiva, do Unidade TV e do Anfitrião, passou uma tarefa das mais ingratas: apontar cinco obras literárias que tenho como referência. Explico: não me acho gabaritado para selecionar tão poucos livros dentro de tantos tão importantes, e ainda assim me vejo sem o apoio de alguns clássicos que já deveriam constar na minha estante faz tempo. Ainda assim, arrisquei listar os cinco títulos que constam na minha biblioteca e significam muito mais que meros nomes - seja pela habilidade do autor ou pelo simples fato de ser especial de alguma forma.
#1 - O APANHADOR NO CAMPO DE CENTEIO
(The Catcher in the Rye, 1951, de J.D. Salinger)
O que é? Um final de semana numa Nova York às vésperas do Natal é o cenário onde Holden Caulfield, um moleque de 16 anos, aborrecido com o mundo hipócrita (onde só as crianças merecem sua consideração) se mete em algumas estripulias enquanto dá seu parecer sobre todas as coisas que o cercam. O tom depressivo, aborrecido e mal-humorado do protagonista - ainda que incrivelmente encantador - é, provavelmente, o grande trunfo de uma leitura deliciosa.
Por que está na lista? Identificação. Não sou presunçoso a ponto de me achar um ícone literário, nem ando por aí bebendo, fumando e odiando o cinema. Mas compartilhar o mesmo olhar sobre uma porção de coisas é um sentimento inegável.
#2 - O CORTIÇO
(1890, Aluísio Azevedo)
O que é? Em um cortiço carioca do final do século XIX, as vidas de vários personagens se cruzam com muita visceralidade e naturalidade, criando a teia da sociedade do período, com seus todos seus estereótipos. O cortiço é personagem vivo na história e a descrição precisa de Aluísio permite o leitor criar o ambiente e encaixar cada figura e ação no local. Violência, sexo e o relacionamento humano tratado de forma abrupta e grosseira dão o tom à obra.
Por que está na lista? Leitura obrigatória de segundo-grau virou uma das descobertas mais apaixonantes, e aos quinze anos de idade a brutalidade de um mundo desigual, cruel e tipicamente brasileiro se fez presente.
#3 - DE MOTO PELA AMÉRICA DO SUL: DIÁRIO DE VIAGEM
(Notas de Viaje: Diario en Motocicleta, 1952, Ernesto Guevara)
O que é? Diário de viagem de Ernesto Guevara de la Serna e Alberto Granado, que quando jovens cruzaram o continente sul-americano durante a década de 50, saindo do sul da Argentina e indo até ao extremo norte, acima do rio Amazonas, já na Venezuela. Seria um mero diário qualquer não viesse de quem vem e, muito mais, não tivesse as experiências que ali estão relatadas. O olhar viciante de Che sobre as belezas e mazelas do continente é de tirar o fôlego.
Por que está na lista? Culpa de Walter Salles. Em uma única semana, vi o filme, comprei o livro, li, revi o filme, reli o livro. Se alguma obra cinematográfica chegou perto da essência de seu referencial literário, Diários de Motocicleta é o exemplar.
#4 - DOM CASMURRO
(1890, Machado de Assis)
O que é? Talvez o melhor romance já lido por mim, com toda a subjetividade e aquele caráter intensamente psicológico do jogo entre Bentinho, Escobar e Capitu. Os dois são amigos de infância e casada com Bentinho, Capitu vê crescer um sentimento pelo outro que em nenhum momento impõe-se como carnal, ainda que muitas dúvidas sejam exaltadas pelo próprio Machado.
Por que está na lista? A metalinguagem e a conversa com o leitor, junto da ciranda muito bem montada na narrativa elevam Dom Casmurro a um patamar além dos demais. Se até hoje todo mundo se pergunta se Capitu teria mesmo traído Bentinho com Escobar, à toa não é.
#5 - O MUNDO DE SOFIA
(Sofies verden, 1991, de Jostein Gaarder)
O que é? Sofia é uma garota de quinze anos que começa a receber em sua caixa postal bilhetes e postais com questionamentos filosóficos que a fazem viajar no estudo da ciência, desde a Grécia Antiga até os pensadores mais recentes. O livro é uma viagem encantadora pelo mundo da filosofia, traçando painéis sem exposição profunda para atingir o "leitor comum".
Por que está na lista? Todo mundo deveria pensar um pouco mais sobre o mundo e menos no umbigo próprio e O Mundo de Sofia é uma das melhores formas de se começar.
postado por HUDSON às 12:43 PM
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:: bastidores ::
Desde que o fantástico seriado da HBO acabou em 2004, Darren Star, criador e produtor de Sex and the City, tentou de todas as formas levar as quatro balzaquianas de Manhattan para as telas de cinema. Todos os esforços, que da última vez esbarrou em Kim Cattral, a intérprete de Samantha, não foram em vão: finalmente a loiruda topou (nada como o maravilhoso poder de persuasão que os produtores de Hollywood têm) e o quarteto já assinou para participar do projeto que começa a ser filmado em setembro próximo, com previsão de estréia para o mesmo período do ano que vem. Michael Patrick King, um dos roteiristas e também produtores da série, irá dirigir um roteiro de sua própria autoria, cujo plot ainda não foi divulgado. Mas ninguém duvida que o charme de Sarah Jessica Parker, Kim Cattrall, Kristin Davis e Cynthia Nixon - junto das presenças de Mr. Big e um elenco masculino que os produtores ainda estão tentando trazer para a telona - fará tanto sucesso quanto fez na tevê.
postado por HUDSON às 10:59 AM
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Quarta-feira, Julho 11, 2007
:: bastidores ::
Enquanto a briga pelas salas de cinema esquentam com os blockbusters atraindo milhões aos cinemas, o sol ferve em Barcelona, na Espanha. Woody Allen e sua nova musa, Scarlett Johansson, já estão na cidade para iniciar as filmagens de mais uma parceria. O longa, que ainda não foi batizado e nem mesmo teve uma sinopse divulgada, tem ainda no elenco os ótimos Javier Bardem, Penélope Cruz e Patrícia Clarkson. O filme dá continuidade à fase européia do cineasta, que se iniciou com o fantástico Match Point, em 2005, Scoop - O Grande Furo, e o ainda inédito Cassandra's Dreams, todos feitos na cidade de Londres.
Update: o plot principal do filme foi divulgado e aparentemente irá se tratar de uma trama amorosa entre um pintor catalão, sua ex-namorada ciumenta e duas turistas americanas que estão em Barcelona. As filmagens iniciadas vão até o final de agosto e as regalias que o diretor Woody Allen vem recebendo das autoridades espanholas vem incomodando alguns produtores locais, que não obtiveram os mesmos incentivos, como interdição de ruas e pontos turísticos da cidade. Allen garantiu que quer mostrar Barcelona com os mesmo olhos que filmou Manhattan há 30 anos.
postado por HUDSON às 9:00 PM
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Domingo, Julho 08, 2007
:: em cartaz ::
RATATOUILLE
Depois que estourou com os brinquedos falantes de Toy Story, a Pixar logo se embrenhou em um campo dentro das animações computadorizadas que jamais imaginaria dar tão certo: as histórias dos bichos falantes. O sucesso foi tão grande com Vida de Inseto, no longínquo 1998, que de lá pra cá as mais diversas companhias já deram vida a peixes, pingüins e um zoológico inteiro nas telas de cinema. Com o desgaste natural da temática - bonitinha, mas que acabou virando ordinária nos últimos exemplares - era de se esperar que um caminho diferente surgisse pós Carros, mas eis que surge Ratatouille, com seus ratinhos faceiros, quebrando a banca e revigorando o gênero.
A história do filme acompanha Remy, um ratinho de esgoto muito diferente dos seus semelhantes, avesso a comer lixo e vidrado no que de melhor há na cozinha das casas que freqüenta. Quando chega aos esgotos de Paris, encontra uma situação favorável ao conhecer Lingüini, um garoto desengonçado que trabalha no restaurante do renomado Auguste Gusteau, um falecido chef francês, e a partir de então tenta cumprir os fados que o destino lhe impõe, que é ser um talentoso cozinheiro.
O que garante ao filme o frescor que ele exala é a mesma receita que o diretor Brad Bird usou em Os Incríveis e John Lasseter em Toy Story: a magia de transformar a banalidade em uma situação crível. Obviamente que ninguém em sã consciência sairá do cinema achando que uma trupe de ratos pode ser o responsável por aquele prato saboroso em seu restaurante favorito, mas o filme compra a idéia de tal forma que o encanto exibido permite ao expectador encará-lo da mesma forma. Bird comanda a aventura com leveza e graciosidade e dizer que os avanços gráficos são ainda mais impressionantes é lugar-comum, ainda que seja uma verdade absoluta. Pela primeira vez uma cidade européia ganha os contornos coloridos de uma animação e Paris torna-se pulsante como o centro da epopéia de Remy e Lingüini.
Obviamente concessões são feitas para que o público infantil, cada vez mais distante das piadas e situações envolvidas nas animações, possa aceitar a diversão e talvez isso incomode um pouco os mais exigentes - clichês pipocam algumas vezes, num desenrolar mais fácil para um filme de quase duas horas de duração. Mas numa temporada em que o ogro verde da Dreamworks parecia reinar absoluto, nada melhor que perceber que as cabeças pensantes da Pixar e seus bichinhos fofinhos podem surgir com uma bela metáfora para amaciar o ego daqueles que tentam se encontrar no mundo, seja lá qual for o seu lugar.
ficha técnica
Ratatouille
produção americana de 2007
dirigida por Brad Bird
com vozes de Ian Holm, Peter O'Toole, Lou Romano
111' de duração
postado por HUDSON às 12:23 PM
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Exatos três meses se passaram desde que Notas Sobre um Escândalo ganhou uma revisão aqui no Epílogo e o mundo desabou sobre a impiedosa cabeça deste que vos escreve. Muita água passou por debaixo - e também por cima - da ponte, e se o encanto do cinema se fez pouco presente nesse período, chega a hora de mudar um pouquinho o rumo de todas as coisas e também o do blog. Afinal, por que ser mais um a dar pitacos sobre a sétima arte? Tanta gente boa já escreve por aí, dilacera seus conhecimentos e exacerba naquilo que de melhor sabe. O que pretendo de agora em diante, portanto, não é só dizer aquilo que penso, mas tentar reunir aqui as diversas vozes sobre o mundo cinematográfico. O espaço continua sendo meu, o único editor dos textos aqui publicados, mas na tentativa de interagir com outros colegas, principalmente os da Liga dos Blogues Cinematográficos, vocês verão de agora em diante trechos, links e comentários dos outros sobre um mesmo filme que vi, desde pensamentos afins aos contrários. Tentarei também reunir informações sobre os filmes em produção, a chegada deles no mercado externo, um pouco mais sobre o cinema nacional e, claro, um texto e outro sobre o badalado mundo dos bastidores. Afinal, cinema não é diversão?
Um abraço e bem-vindo de volta!
postado por HUDSON às 12:03 PM
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