SÉRIE EPÍLOGOS
"Naquele dia, mais tarde, comecei a pensar nos relacionamentos. Existem aqueles que nos levam a um lugar novo e exótico. Aqueles que nos levam a coisas antigas e familiares. Aqueles nos trazem muitas questões, aqueles que nos levam a lugares inesperados, aqueles que nos levam para longe do nosso começo e aqueles que nos trazem de volta. Mas o relacionamento mais empolgante, desafiador e significativo é aquele que temos com nós mesmos. E se encontrarmos alguém que ame o "eu" que nós amamos... bem, isso é simplesmente maravilhoso!"
Sex and the City (Sex and the City, EUA, 1998-2004)
postado por HUDSON às 10:33 PM
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:: em cartaz ::
THE ROLLING STONES - SHINE A LIGHT
Durante a sessão de The Rolling Stones - Shine a Light, minha companhia de poltrona, depois de quase metade de filme exibido, fez um comentário sobre sua vontade de ficar em pé durante a exibição, numa tentativa de experimentar ainda mais a vibrante sensação de se deparar com um show da famosa banda em tela grande e sala escura. Mas o que certamente seria lembrado como um mero comentário que representasse algo além de uma vontade esfuziante bastante pessoal, caiu como uma luva para aquilo que o diretor Martin Scorsese filmou e mostrou durante as duas horas de duração de seu documentário.
A proposta de Scorsese para sua obra é tão simples, quase que banal diante da representatividade do cinema como arte, que, ao optar por exibir um show especialmente gravado para o filme, praticamente na íntegra, é forte o questionamento sobre o que é cinema e, principalmente, quais são os métodos para se entregar o produto final, nesse caso um filme de documentário. Num primeiro momento o diretor ensaia um trabalho onde o criador é tão forte quanto a criatura, ou seja, Martin Scorsese é figura marcante nos primeiros vinte minutos que chega a rivalizar com qualquer um dos membros da banda inglesa. No entanto, o que se vê depois, é o que, numa definição mais esdrúxula possível, poderíamos chamar de gravação de luxo do show, uma vez que tão poucas intervenções são feitas durante as mais de vinte músicas interpretadas - média muito próxima dos que os convencionais "dvds de shows" estão costumados a conter quando produzidos para o mercado fonográfico.
Essa não é, no entanto, uma tentativa de se diminuir o trabalho dos envolvidos na produção: as múltiplas câmeras instaladas no Beacon Theatre, onde aconteceram as gravações e o nome de um certo Robert Richardson na fotografia do filme entregam que a ótica cinematográfica não faltou ao pseudo-show-documentário. Mas não deixa de ser inquestionável essa prerrogativa acima descrita: afinal, o que classifica uma obra audiovisual como cinema? A catarse musical imposta pela estética definida pelo diretor vai ao encontro daquilo que Mick Jagger, Keith Richards, Charlie Watts e Ron Wood fazem no palco, e isso não seria um argumento frouxo para justificar a obra. Até por que, depois de um plano-seqüência final irretocável e fabuloso, fica praticamente impossível negar a habilidade de quem está por trás das câmeras.
Quem disse mesmo que documentários musicais também não foram feitos pra se pensar?
ficha técnica
Shine a Light
produção americana de 2008
dirigida por Martin Scorsese
com Mick Jagger, Keith Richards, Charlie Watts, Ronnie Wood, Martin Scorsese, Bill Clinton
122' de duração
postado por HUDSON às 10:25 AM
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