:: em cartaz ::
FIM DOS TEMPOS
M. Night Shyamalan bem que tentou contornar a situação, mas é inegável o tremendo fracasso de seu mais novo filme, Fim dos Tempos. Das poucas vezes que tentou conversar com a imprensa - a mesma que já o detonou há dois anos com A Dama na Água - os argumentos sobre seu novo trabalho permeavam o campo dos filmes B, caracterizados por baixo orçamento e, principalmente, por uma temática que beira o tosco, sem vergonha de se assumir.
No entanto, é impossível engolir as justificativas perante o embaraço que é o filme. Depois de um prólogo excelente, numa Nova York atual que aos poucos é tomada por uma série de suicídios em massa causados por uma espécie de toxina expelida pela própria natureza - como se fosse uma defesa natural contra os sucessivos problemas nela causados pelo homem - a história embarca numa fuga paranóica do protagonista (Mark Wahlberg) na tentativa de encontrar um local ainda não afetado pelo vírus assassino. O que se vê a partir de então é um histórica descabida e sem propósito, imersa em situações banais que parecem inseridos somente para prolongar um pouco mais o mal-estar que nós, expectadores, deveríamos sentir com o 'puxão de orelha' que encaramos diante dos olhos, ali dentro da sala escura.
O apelo que o diretor faz para a importância das discussões climáticas acerca dos problemas que o planeta enfrenta acaba se tornando vergonhoso. A tentativa de contemporizar a história, que ele fez com extrema destreza em A Vila, onde o objetivo final não é criar mais um filme de monstros, é um tiro nos pés em Fim dos Tempos. O didatismo com que os diálogos são encenados pelos péssimos atores em cena, bem como a direção frouxa e sem sentido, só pioram a sensação com relação ao filme. Mas uma coisa é louvável: as composições de James Newton Howard para os filmes de Shyamalan são sempre tão sublimes que conseguem criar a atmosfera nervosa que as histórias pedem - mesmo quando nada, nada mesmo funciona.
Ao se analisar de perto algumas passagens específicas do longa, é impossível conseguir enxergar uma unidade ou sentido, até o mais ligeiro que seja, aos acontecimentos que envolvem a história. Não há roteiro, não há motivo, não há absolutamente nada que explique as decisões absurdas desse trabalho infundável. Como os personagens intoxicados fazem no filme, a única certeza que se tem ao acender das luzes é que o cineasta começa a andar para trás. Para desespero dos fãs.
ficha técnica
The Happening
produção americana de 2008
dirigida por M. Night Shyamalan
com Mark Wahlberg, Zooey Deschanel, John Leguizamo
91' de duração
postado por HUDSON às 3:00 PM
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:: em cartaz ::
SEX AND THE CITY - O FILME
O legado que o seriado "Sex and the City" construiu, desde 1998, ano que começou a ser exibido na tevê americana, e que manteve mesmo após seu encerramento, em 2004, é inquestionável. Muito mais que um modismo quase que literal, a criação de Darren Star baseado na obra de Candace Bushnnel, ditou novo ritmo às já famosas séries norte-americanas, elevou o patamar de exigência de um público cativo com olhar cada vez mais crítico, transformou suas personagens em ícones e referências na discussão de assuntos tabus (ou não) do mundo feminino (ou não), além de transformar a mais famosa cidade do mundo na mais bela também. É bom provável que daqui a algum tempo, seja lembrado junto a outros ingredientes da cultura contemporânea como o desmoronar daquela antiga visão do american way of life: a família e o subúrbio dão espaço a Manhattan e sua explosão do consumo globalizado, no mundo onde Cosmopolitan, Manolo Blahnik e Louis Vuitton deixam de ser qualquer palavra de difícil entendimento para figurar no dicionário de qualquer um, compradas através de uma tela de computador ou da própria televisão.
A transição para o cinema, há muito esperada pelos fãs, confirma tudo o que se pensava e vai além: quando as quatro amigas nova-iorquinas se reúnem novamente e caem na boca do expectador comum, não é só "Sex and the City" e seus desdobramos que ressurgem, mas o cinema, como arte e com sua capacidade de popularizar o populável, antes impenetrável, que dão a dimensão exata de suas capacidades; o primeiro, prova que seu material é ilimitado, tamanha capacidade de diálogo com o público; e o segundo se reforça como o veículo cultural que é capaz de abraçar o mundo sem perder sua maestria.
A discussão se mostra infindável, mas não é este o objetivo dessas linhas. Sex and the City - O Filme, alvo de especulação desde o final da série, faz muito bem o que dele se espera. O retorno ao universo de Carrie, Samantha, Miranda e Charlotte acontece do jeito mais simples que se poderia imaginar, afinal, quando foram abandonadas há quatro anos, o que todo mundo sempre quis saber é por onde elas caminhariam dali para frente. A história, então, se concentra exatamente neste período e é um deleite, para fãs ou desconhecidos. Mantém-se basicamente a estrutura narrativa do seriado, que sempre foi um de seus pontos mais fortes, ao trazer as desavenças da jornalista Carrie Bradshaw para o centro da história e mostrar a mesma temática sob diferentes pontos de vista na vida de suas três amigas. Os diálogos bem escritos, que pulam do cômico ao dramático num piscar de olhos sem perder a compostura, e as situações verossímeis são os pontos altos da trama, que traz de volta todo o elenco original, capitaneada por Michael Patrick King, o maior colaborador de Darren e Candace ao longo dos anos.
A sensação que permanece é mesmo a de revisitar um cenário esquecido, numa espécie de 95º episódio que jamais foi ao ar – dessa vez, com acréscimo de 100 minutos na duração, que dão ao “capítulo especial” as concessões que o cinema pede e permite e que a maturidade de todos os envolvidos garante, corroborando o tal legado mantido há dez anos, reafirmando a instituição que "Sex and the City" se tornou. Por que, como diria a fantástica protagonista, "Well, that's fabulous!".
ficha técnica
Sex and the City
produção americana de 2008
dirigida por Michael Patrick King
com Sarah Jessica Parker, Kim Cattral, Kristin Davis, Cynthia Nixon, Jennifer Hudson, Cris Noth
148' de duração
postado por HUDSON às 11:12 PM
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FESTIVAL DE CANNES 2008
:: vencedores ::
Mais vale uma Palma de Ouro na mão que um Oscar voando
Numa edição com muitos representates latinos e com os americanos em baixo, não deu outra: o cinema europeu sagrou-se o grande vencedor desta edição do Festival de Cinema de Cannes, com os prêmios de melhor filme indo para o francês Entre les murs, de Laurent Cantet; o do Júri para o italiano Il Divo, de Paolo Sorrentino; e o Grand Prix para o também italiano Gomorra, de Matteo Garrone.
Reflexos para as premiações de fim-de-ano? Clint Eastwood arrancou muitos aplausos com The Changeling; Blindness, mesmo com as críticas irregulares, não deve ser radicalmente esquecido (bem como o elenco e a equipe); quem sobra mesmo é Benício Del Toro, que após a epopéia de Che (que no festival foi exibido como um único filme de 4h e meia de duração, que será dividido em duas partes nos cinemas norte-americanos), se torna favoritíssimo a uma indicação ao Oscar do próximo ano.
postado por HUDSON às 6:35 PM
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